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| tese | 1.33 MB | Adobe PDF | ||
| anexos | 1.02 MB | Adobe PDF |
Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Esta investigação baseia-se no estudo de dois conjuntos de vestígios
arqueológicos recolhidos em contextos funerários na ilha do Marajó (Brasil, Pará)
existentes em Portugal. Os oito fragmentos presentes hoje no Museu Dr. Santos Rocha
provêem do sítio do Pacoval na região do lago Arari e foram depositados na instituição
no final do século XIX. O contexto da sua recolha é desconhecido e pertence a um
período em que foi realizada uma série de expedições à ilha, com o objectivo de
reconhecer vestígios da cerâmica policromática marajoara. A história das peças
presentes nas "Galerias da Amazónia" do Museu Nacional de Etnologia é mais recente,
tendo origem numa recolha encomendada pelo próprio Museu nos anos 60 do século
XX. A expedição à ilha foi realizada pelo coleccionador e antiquário, etnólogo e
arqueólogo amador português Victor Bandeira, acompanhado por Françoise-Carel
Bandeira, no ano 1964/65. Foi escavada uma necrópole do período clássico da fase
marajoara (700-1100), situada no conhecido sítio d’ "Os Camutins", na região do rio
Anajás. O espólio recolhido, composto por várias centenas de fragmentos e algumas
peças inteiras de excepcional qualidade, foi adquirido em 1969 pelo Museu. O conjunto
representa uma colecção inédita de objectos ameríndios em Portugal. Através do
testemunho de Victor Bandeira, entende-se que na recolha mencionada a perspectiva
coleccionista ultrapassa a arqueológica. Assim, foram seleccionados objectos de
tipologias muito variadas e com uma profusão decorativa notável para representar a
cultura marajoara no Museu português. Um aspecto importante relacionado com a
divulgação desta cultura arqueológica na época actual é o trabalho de artesãos da ilha
que reproduzem e recriam peças marajoara. Este artesanato exporta-se até Lisboa e
participa igualmente na divulgação e no conhecimento desta cultura amazónica. Temos
conhecimento de numerosos vestígios museológicos da cultura marajoara carentes de
qualquer contextualização. Por isso, o facto de os acervos estudados estarem associados
a determinada realidade geográfica, torna a análise mais pertinente. Desta forma, o
estudo arqueológico dessas peças tem como objectivo a avaliação do conhecimento que
trazem sobre a cultura material das populações da elite social marajoara, assim como
das suas práticas funerárias. Essa análise é realizada à luz do conhecimento actual que
existe sobre as populações amazónicas do passado, mas também sobre as actuais.
Esperamos, de igual modo, que este trabalho possa fornecer um impulso às pesquisas
sobre este tipo de colecções que sabemos existirem dispersas em diversos museus
espalhados pelo mundo e, por vezes, pouco consideradas do ponto de vista científico.
Descrição
Dissertação
de Mestrado em Arqueologia
Palavras-chave
Amazónia Fase Marajoara Pacoval Camutins Victor Bandeira Coleccionismo
Contexto Educativo
Citação
Editora
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa
