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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
O presente trabalho é uma versão revista e aumentada da dissertação de mestrado em Estudos
Anglo-Portugueses que redigimos, sob orientação da Professora Doutora Maria Leonor
Machado de Sousa, e que defendemos na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da
Universidade Nova de Lisboa, no final de 2006. Posteriormente, decidimos partir dessa versão original, que se deteve sobretudo nas temáticas associadas às relações anglo-portuguesas
no poema narrativo1 Os Doze de Inglaterra (1902), de Teófilo Braga (1843-1924),2
para analisar os auto-/hetero-estereótipos (imagens nacionais)3
e a ideologia nacional(ista) da obra,
que recupera um antigo mito nacional histórico-literário. A dimensão histórica do tema dos
Doze já foi abordada, sobretudo no que diz respeito à versão original quinhentista, por Artur
Magalhães Basto (1935) e por Carlos Riley (1988),4
sendo nosso objectivo demonstrar a utilidade da imagologia para o estudo de auto- e hetero-estereótipos ou imagotipos veiculados
por mitos nacionais, bem como proceder a uma análise transtemporal da iconoesfera5
do episódio-mito na literatura portuguesa, e especificamente em Doze de Inglaterra (DI). Ao longo
da primeira parte deste trabalho estudamos as variantes do tema6
desde o século XVI no que diz respeito aos protagonistas, ao espaço e ao tempo da acção e aos estereótipos nacionais, elementos que, como veremos, são revisitados ao longo de quatro séculos por diversos autores,
permitindo-nos essa abordagem analisar as inovações e as temáticas de DI na segunda parte.
Doze anos após o Ultimato britânico e oito antes da implantação da República Portuguesa,
Joaquim Teófilo Fernandes Braga publicou DI, que seria o volume quarto da colecção «Alma
Portuguesa: Rapsódias da Grande Epopeia de Um Pequeno Povo», a qual foi descrita como
uma obra “grandiosa pela concepção mas de realização frouxa”7
por Jacinto do Prado Coelho,
que, tal como A. Machado Pires,8
defende que o seu autor “não tinha o dom da poesia”.9
A
estrutura (divisão em cantos e invocação) e a temática do texto aproximam-no da epopeia
camoniana, estratégia intertextual que será fácil de entender se recordarmos que o episódio
dos Doze, “epicamente detalhado no livro de Theophilo Braga”,10 é representado pela primeira
vez em Os Lusíadas, se exceptuarmos a breve e anónima relação quinhentista (c.1550), que
também analisaremos sumariamente. Como veremos, o mito literário em questão celebra e
ficcionaliza, desde o século XVI, o início das relações anglo-portuguesas,11 a Casa de Avis e
as famílias Coutinho e Vaz de Almada, sendo, sobretudo após 1890, utilizado também para
criticar a Grã-Bretanha, a velha aliada de Portugal, no âmbito do nacionalismo colonial.
Descrição
https://www.academia.edu/9561082/Imagologia_e_Mitos_Nacionais_O_Episódio_dos_Doze_de_Inglaterra_na_Literatura_Portuguesa_c.1550-1902_e_o_Nacionalismo_Colonial_de_Teófilo_Braga
Palavras-chave
Teófilo de Braga Os Doze de Inglaterra Inglaterra (Reino Unido) Idade Média Intertextualidade Literatura portuguesa Poesia Crítica literária Romances de cavalaria Viagem na literatura Literatura tradicional Literatura oral
