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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
A presente dissertação insere-se, ao mesmo tempo, nas áreas da literatura
portuguesa e dos estudos sociológicos de género, por ter escolhido para seu objecto de
estudo o corpus da obra poética da poetisa do Primeiro Modernismo Português, Judith
Teixeira, e ter optado por conceitos e considerações da crítica feminista e de género
para seus instrumentos de análise. O texto retoma a mais recente linha de esforços pela
recuperação desta voz esquecida e procede a uma problematização temática em
pormenor do conteúdo poético. Contando com a possibilidade de exploração do lado
psicológico e social da escrita, o trabalho interpretativo faz uma leitura da obra poética
de Judith Teixeira pela perspectiva sociológica da Teoria Queer. Partindo do debate
contemporâneo sobre a sexualidade, o comentário da poesia tem por principal objectivo
explorar o interior feminino, questionando a existência de vários lados femininos em
função da pertença de género do sujeito lírico e do seu objecto de desejo. A apreciação
que a este nível é feita ao desejo passa pela (fantasiada ou real) experiência sexual do
corpo feminino. Neste acto de forçar as portas da sensibilidade feminina, reflecte-se
sobre o valor subversivo das práticas sexuais do corpo feminino no contexto do meio
social que o último frequenta. A análise usa o relacionamento do Eu com o Outro para
reflectir sobre a alteridade interna do primeiro e assinalar tendências para uma passagem
do pensamento sobre a dubiedade de género para um novo conhecimento de grau
individualista. O trabalho ainda explora a sexualidade e mostra exemplos de
performatividade dos actos sexuais, a aludir à existência de uma crise da bipolaridade
patriarcal de género e necessidade de multiplicação dos géneros. A dissertação é
estruturada de maneira a permitir a análise de seleccionados poemas de Judith Teixeira
por meio das ideias de quatro nomes ligados à Teoria Queer – Michel Foucault,
Monique Wittig, Eve Kosofsky Sedgwick e Judith Butler. Cada uma das quatro partes
funciona de forma a estabelecer um paralelismo entre as considerações principais sobre
as questões anteriormente referidas e as escolhas poéticas concretas. Os capítulos são
precedidos de uma parte teórica, em que se lançam ideias sobre o conceito do corpo e as
questões da alteridade, que serve de fundamento e moldura da análise propriamente dita.
A dissertação confirma, na obra poética de Judith Teixeira, a ideia da multiplicidade
identitária a nível de género e sexualidade, sem estabelecer a reprimidora linha divisória
entre a literatura e a vida real. O trabalho conclui que o clássico sujeito lírico da poesia
foi substituído por um novo sujeito que privilegia a experiência erótica da sua
corporeidade e que é impossível de ser definido pelo eixo de género exclusivo
masculino – feminino. A análise da obra poética revela o aparecimento de um novo
corpo-sujeito visionário – nem homem nem mulher –, um sujeito que absolutiza a
existência e a experiência humana no indivíduo, junto com o seu génio. Tal indivíduo
não é restringido pela moldura compulsória imposta pelo contrato heterossexual e
demonstra uma expressão emocional destituída da marca autoritária e de hierarquia.
Descrição
Dissertação apresentada para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção do
grau de Mestre em Estudos sobre as Mulheres.
Palavras-chave
poesia corpo erotismo outro género sexualidade teoria Queer
Contexto Educativo
Citação
Editora
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa
