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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
O risco do investimento educativo na incerteza dos benefícios que resultarão dos
custos despendidos poderá orientar os jovens e os seus familiares a atribuir menor
importância à escolaridade dos seus elementos familiares, e a criar uma projecção e
orientação de futuro mais reduzido, procurando o menor risco de acção. E isto porque a
ponderação e cálculo entre os custos e os benefícios da acção, e o risco e probabilidade
de atingir os objectivos esperados em contextos de incerteza e de posse de menos
informações sobre a realidade actual e de maiores constrangimentos e dúvidas nas
consequências de acção levam, muitas vezes, a que os indivíduos (neste caso os jovens e
seus familiares) estabeleçam metas menos exigentes, criando menores aspirações e
expectativas, de forma a investir menos e a alcançar os objectivos esperados sem custos
elevados e que ultrapassem as suas posses. Desta forma, a dualidade de importância
atribuída actualmente ao papel da escolaridade e dos diplomas tem resultado numa
bifurcação de atitudes e acções perante e dentro do sistema educativo: para manter a
competitividade do desenvolvimento económico, social e cultural das sociedades
actuais, ou, pelo contrário, devido à desvalorização dos diplomas académicos superiores
e ao aumento mediatizado do desemprego da população mais escolarizada no país,
constituem-se causadores de um aumento dos contextos de incerteza e de risco no
investimento escolar e no prosseguimento dos estudos ao nível superior. Contudo,
defendemos que este processo de tomada de decisão não poderá ser considerado
totalmente um acto racional, e é neste âmbito que sugerimos incluir na investigação a
relevância dos constrangimentos sociais e da transmissão de um habitus social por parte
dos familiares na construção do sistema de disposições dos jovens, que encaminhará o
aluno e os seus familiares a determinados trilhos de acção e de escolha dentro do
sistema educativo. Articulando estas percepções com a construção das expectativas
académicas – que se constitui a base conceptual do nosso estudo – consideramos
fundamental perceber em que medida as diferentes expectativas académicas e profissionais são socialmente orientadas; se de facto, as projecções dos alunos traduzem
as aspirações que os seus familiares constroem em relação ao seu futuro; e em última
instância se estas conseguem de facto, determinar as próprias expectativas dos jovens e
consequentemente o seu desempenho (de maior ou menor sucesso) académico. Neste
sentido, descobrimos que, condicionados pela origem social, nomeadamente sob efeito
do nível de instrução dos pais, os alunos tendem a criar expectativas de futuro baseadas
na experiência que têm das suas competências e do seu desempenho académico,
fortemente correlacionados com o seu sistema de oportunidades e com as aspirações
parentais – quanto mais escolarizados forem ambos os progenitores, maiores são as
aspirações que estes criam sobre o futuro educativo e profissional dos alunos, que
resulta em projecções dos alunos exigentes (ao nível do ensino superior), orientando
consequentemente e positivamente os resultados escolares dos alunos.
Descrição
Dissertação apresentada para cumprimento dos requisitos necessários à
obtenção do grau de Mestre em Sociologia
Palavras-chave
Teoria de escolha racional Sistema de disposições Aspirações parentais Expectativas escolares Contexto socioeconómico desempenho académico
Contexto Educativo
Citação
Editora
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa
