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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Desde os anos 70 do século XX, em Portugal, investigações sobre as mulheres tiveram
uma notória repercussão, nomeadamente ao nível da historiografia, com a valorização
das vivências quotidianas, privadas e públicas, da esfera familiar, que permitem a
percepção das formas de exercício de poder formal e informal praticado pelas mulheres
a nível familiar, sócio-político, e, no caso que particularmente interessa nesta
investigação, a nível cultural. Estas investigações inserem-se nos denominados
Women’s Studies cujo objectivo é o estudo das “vozes femininas silenciadas”, trazendo
à “luz” novas realidades para uma percepção mais completa da(s) realidade(s) da
História da Humanidade. As duas vertentes dos Women’s Studies, a História das
Mulheres e os Estudos de Género têm vindo a aparecer também na área da Musicologia,
embora de modo tímido em Portugal. A presente dissertação, enquadrando-se na
Musicologia Histórica e nos Women’s Studies, procura através de uma abordagem
interdisciplinar, enfatizar o(s) processo(s) através do(s) qual/quais houve, ou não,
contribuições das mulheres da família real, tanto rainhas estrangeiras como infantas
portuguesas, durante o período da segunda metade do século XVII e a primeira metade
do século XVIII, para a História da Música Portuguesa e, como este(s) processo(s)
ocorreram e foram ou não moldados politicamente, socialmente e ideologicamente.
Investigação que necessita de um conhecimento das realidades vivenciais dessas
mulheres para uma melhor visão dos seus pontos de contacto com o mundo musical. O limite temporal da presente investigação abrangeu sensivelmente um século, desde da
Restauração de 1640 até a morte de D. Maria Ana de Áustria em 1754. Foram
contempladas quatro rainhas, D. Luísa de Gusmão, D. Maria Francisca Isabel de Sabóia,
D. Maria Sofia de Neuburgo, e D. Maria Ana de Áustria; das nove infantas legítimas
quatro foram estudadas: D. Catarina de Bragança, D. Isabel Luísa Josefa de Bragança,
D. Francisca Josefa de Bragança, D. Maria Bárbara de Bragança, e foi inserido o caso
particular de D. Mariana Vitória de Bourbon. As problemáticas reflectidas e que
serviram de orientação a esta investigação foram nas suas grandes linhas: Num contexto
político, económico e historicamente complexo, quais seriam os relacionamentos
quotidianos das rainhas e das infantas com a música? Existiriam contactos com os
músicos da corte ou teriam músicos ao seu serviço? Houve influência da música
estrangeira na música portuguesa através da presença de uma consorte estrangeira na
corte? Quais seriam as suas contribuições e as suas influências, públicas ou privadas, na
realização musical dessa época? A música constituiria um elemento do ensino reservado
às infantas? Teriam as infantas portuguesas patrocinado, uma vez na sua nova pátria, a
música portuguesa? Este estudo pretende apresentar reflexões, analises e hipóteses que
podem trazer novas perspectivas e novos caminhos de investigação para a definição de
uma historiografia musical portuguesa também no feminino, não em paralelo com a
história convencional já existente, mas como complemento dessa última. De nenhum
modo este trabalho de investigação se apresenta como sendo um trabalho acabado,
muito falta ainda para investigar. É um work in progress, um estudo preliminar que
pretende unicamente centralizar alguns dados esparsos, abordar algumas reflexões
iniciais e servir de base para futuras investigações.
Descrição
Dissertação apresentada para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção do
grau de Mestre em Ciências Musicais, variante de Musicologia Histórica
Palavras-chave
Mulheres Realeza Música Barroco Portugal
Contexto Educativo
Citação
Editora
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa
