FCSH: DA - Dissertações de Mestrado
URI permanente para esta coleção:
Navegar
Entradas recentes
- Entre arte e comunidade: o legado cultural da Associação 062 nas Caldas da Rainha (1996-2002)Publication . Nunes, Ana Beatriz Fernandes Manana da Silva; Costa, Catarina AlvesA Associação 062 – Arte e Comunicação, foi fundada em 1996, nas Caldas da Rainha, precisamente no ano do meu nascimento. Partindo desta coincidência temporal, este estudo centra-se no impacto cultural que as memórias e os arquivos visuais tiveram na independente cena artística das Caldas da Rainha, entre os anos 1996 e 2002.
- Desenterrar o Ginjal: A utilização da fotografia como meio de compreensão da atualidade do Cais do GinjalPublication . Oliveira, Sofia Carvalho de; Almeida, Sónia Isabel Vespeira de; Fernandes, Rodrigo LacerdaAo longo de várias décadas, o Cais do Ginjal, situado no concelho de Almada, tem sofrido diversas transformações no espaço, o que se reflete não apenas nas estruturas físicas, mas também nas dinâmicas sociais e culturais. A presente dissertação de mestrado tem como propósito compreender as dinâmicas comunitárias e as práticas artísticas que se manifestam no Ginjal, tomando como estudo de caso o coletivo Gira Ginjal, cuja ação cultural e artística constitui um exemplo privilegiado das formas de apropriação e resistência no território. O trabalho com o coletivo permitiu refletir acerca do modo como a arte e a ocupação do espaço dialogam com conceitos como a memória, a identidade e a resistência locais. Para o efeito, foi realizado trabalho de campo que combinou métodos visuais (fotografia) e sonoros (entrevistas informais e som ambiente), com destaque para a observação participante. Com o propósito de produzir uma narrativa visual e reflexiva, destaca-se o papel do Ginjal como um espaço construído entre práticas culturais, expressões artísticas e tensões urbanas contemporâneas, também marcado pela mudança e diversidade. Este projeto revelou-se sensível à realidade local vivida nos últimos tempos, que permitiu registar experiências e vozes silenciadas, bem como propor formas mais colaborativas e éticas de relacionar a curadoria com a Antropologia em espaços marcados pela história e pelos grupos sociais. A investigação reforça a importância da Antropologia Visual como ferramenta crítica para a leitura de espaços urbanos em transformação. Nesse sentido, oferece uma base sólida para futuros trabalhos ou intervenções em circunstâncias semelhantes, onde o espaço, a arte e a comunidade se relacionam entre eles.
- A Materialidade de Fátima: Explorando os significados dos souvenirs religiososPublication . Clode, Rosa Margarida de Lemos Gomes Canning; Prista, MartaEste trabalho procura analisar e compreender as práticas de consumo de souvenirs religiosos no Santuário de Fátima, analisando de que forma a cultura material participa na construção e circulação de significados ligados à fé, à memória e outras experiências de mobilidade contemporânea. Sendo o Santuário de Fátima um dos mais importantes destinos de devoção mariana em todo o mundo, pretende-se compreender os processos de materialização destas experiências no objeto. A pesquisa adota uma abordagem etnográfica, combinando entrevistas a diferentes grupos presentes no santuário (peregrinos, turistas, comerciantes, residentes, etc.), observação participante em locais de práticas religiosas e práticas de consumo, e pesquisas bibliográficas, permitindo compreender os vários papéis atribuídos aos objetos religiosos no contexto de Fátima. Os resultados deste estudo indicam que a fronteira entre peregrinação e turismo é ténue, revelando motivações híbridas que articulam devoção, curiosidade cultural, tempo de reflexão e lazer. Neste cenário, surgem diversos perfis de visitantes cujas práticas transmitem diferentes formas de relação com o sagrado e com a cidade de Fátima. Os souvenirs religiosos assumem uma importância central neste processo, uma vez que se assumem como suportes rituais, recordações materiais de uma experiência extraordinária, marcadores de pertença e testemunhos tangíveis da sacralidade do lugar. Ao mesmo tempo, a sua pluralidade que vai do artesanal ao industrializado, do devocional ao kitsch, revela tensões entre autenticidade, estetização e mercadorização do religioso. Assim, demonstra-se que o comércio em Fátima para além de ser um dos setores económicos principais da região, também é um agente na forma como a fé de materializa e se internacionaliza, participando na vida quotidiana dos visitantes, e contribuindo para afirmar Fátima como destino global onde religião, cultura e turismo podem coexistir.
- Pegadas de Incerteza: Uma etnografia mais-do-que-humana dos percursos de pastoreio no Parque Natural de MontesinhoPublication . Amieira, João Pedro Taborda; Moreira, Amélia Maria de Melo FrazãoEste estudo alinha-se com a necessidade crescente de compreender o modo como se lida com uma paisagem em transformação, de forma a realçar as relacionalidades mais-do-que-humanas e entendimentos locais que daí emergem. Partindo de um olhar atento ao modo como tais transformações se refletem no sistema agro-silvo-pastoril, no contexto de Trás-os-Montes, os coletivos mais-do-que-humanos tornam-se relevantes para entender as dinâmicas que permitem a vida nestas paisagens que, por um lado protegidas, e por outro marginalizadas, são palco de uma conjuntura de incertezas, mudanças e riscos diversos. Uma análise atenta a estas dinâmicas permitirá a construção de um olhar etnográfico sobre os modos de interação das pessoas com o espaço e o tempo, e a partir do conhecimento local baseado na experiência do movimento na paisagem e na memória dos lugares. Desta forma, este trabalho procurou ir ao encontro dos significados da mudança e da incerteza, das memórias e das práticas locais da pastorícia, na sua relação com os animais não-humanos, elementos abióticos, bem como com projetos politicoeconómicos de maior escala, partindo sempre de uma perspetiva assente nas práticas quotidianas desta atividade e nos caminhos percorridos no território.
- Quase Trabalhadoras? Uma análise comparada do Trabalho Doméstico e dos Cuidados entre Portugal e o UruguaiPublication . Pires, Beatriz Realinho; Godinho, Paula Cristina Antunes; Dalmas, Susana Margarita RostagnolÉ o serviço doméstico que sustenta o quotidiano e o funcionamento da sociedade, contudo este continua a ser um trabalho invisível e pouco reconhecido. A literatura, de forma geral, tem reconhecido a ausência de visibilização do serviço doméstico, sendo esta invisibilidade extensível às próprias trabalhadoras domésticas. Partindo da história já contada, das meninasmulheres que migravam de territórios rurais para as grandes cidades, com o propósito de “servir na casa dos patrões”, do Sindicato do Serviço Doméstico e da Cooperativa, que dele nasceu, que se formaram após o 25 de Abril, esta dissertação tem como objetivo trazer novos contributos para a visibilização e dignificação do setor hoje em dia, principalmente das mulheres que dele vivem. Assim, explora as suas ferramentas de resistência, a forma como se organizam, a sua ação coletiva, mas também inquietações e ambições, que serão contadas por elas. Ao mesmo tempo, procura perceber o papel dos cuidados dentro do serviço doméstico, e de como um Serviço Nacional de Cuidados poderá estar nos horizontes de luta de estas mulheres. É neste momento que entra a experiência do Uruguai e dos avanços que por lá conseguimos encontrar.
- No limbo: políticas migratórias e obstáculos à regularização e integração de pessoas imigrantes em PortugalPublication . Mendonça, Joana Filipa Gouveia; Pereira, Cláudia Patrícia da Cruz; Antunes, Maria Dulce de Oliveira PimentelO presente relatório é o resultado do estágio curricular realizado na Casa do Brasil de Lisboa. Tem como tema a governança das migrações em Portugal e analisa em particular as transformações ocorridas no ano de 2024-25 e os seus impactos no acesso à documentação e consequente integração das pessoas imigrantes. Foi utilizada uma metodologia qualitativa, e como enquadramento teórico optou-se pela teoria das políticas migratórias universalistas (Scholten, 2020). Analisou-se uma área de investigação pouco aprofundada no contexto atual das migrações no país. Foram pesquisadas as políticas de imigração e de integração desde os anos 1990, bem como as políticas atuais e, ainda, o papel histórico e atual das associações de imigrantes nesta área. Do relatório retiram-se três conclusões principais. Portugal sempre privilegiou uma abordagem universalista à governança das migrações, mas passa agora por um momento de viragem para a alienação. Os discursos e propostas políticas atuais não assentam em factos, mas antes em mitos e ameaças/emergências construídas, o que pode ser identificado como um sintoma de alienação. O papel das associações de imigrantes na governança das migrações é fundamental, servindo particularmente como agentes centrais da integração de pessoas imigrantes, mas o seu potencial de atuação é muito maior, pelo que urge mais financiamento e oportunidades políticas neste sentido. Há uma lacuna na investigação sobre o momento atual da governança das migrações em Portugal. Este estudo traz como principal contributo uma análise inovadora da governança no período de 2024-2025, articulada com a evolução das políticas migratórias das últimas três décadas e com os seus impactos específicos no acesso das pessoas imigrantes a direitos e serviços.
- Alguma gota há-de haver: um olhar sobre a vida à margem da barragem de Santa ClaraPublication . Cardoso, Constança De Magalhães Ramalho Lobão; Godinho, Paula Cristina AntunesNos anos 60, o Estado Novo fez erguer uma grande barragem numa pequena freguesia do interior de Odemira: Santa Clara-a-velha. Acreditava-se que por via do regadio extensivo se poderia transformar um território semi-árido como o Alentejo num verde e pujante oásis. Era este o “paradigma hidráulico” que, estando assente em sonhos de progresso (Tsing, 2015), via na domação do rio Mira uma oportunidade para colocar um país “atrasado” numa rota civilizacional (Freire, 2013). Hoje, no entanto, sente-se nesta região uma estranha ambiguidade entre abundância e escassez. Por um lado, a água é a grande protagonista da paisagem, preenchendo a enorme albufeira que se estende no horizonte. Por outro, a vida dos seus vizinhos é marcada pela desertificação. Parece quase viver-se aqui um fenómeno semelhante ao de uma miragem no deserto. Levantam-se, então, algumas questões sobre o destino desta água: para onde “foge” ela para que a população local sinta tanto a sua falta? O que é que rega, o que é que deixa secar e porquê? O que é feito das promessas de progresso para este território? Estas são, no fundo, as perguntas-gatilho cujo disparo assinala o ponto de partida desta investigação. O “engano” da paisagem convida-nos a que sigamos o curso da água desde que sai da albufeira de Santa Clara até encontrar o horizonte atlântico, sendo que, ao acompanhar o rio na sua travessia, este ajuda-nos a perceber de que forma a expansão do agronegócio a jusante se articula com a experiência de escassez a montante. Se o foco começa por se voltar para a vida à margem da barragem e para as experiências de ambiguidade da sua vizinhança marcada por ciclos de promessa e desilusão, ao passar pelas falhas dos sonhos de progresso, a proposta que aqui se faz é também a de ir além da sua superfície. É nos seus interstícios que encontramos o inesperado e o imprevisível. Deixando a curiosidade guiar o olhar, vão-se revelando as formas como as experiências de desilusão reconfiguram a paisagem do possível. O movimento ao longo do rio faz-se, então, em busca de relações, estratégias e práticas-possíveis (Godinho, 2017) que vão brotando das “falhas” da paisagem e que as vão redesenhando a várias mãos. Assim, ao atravessar este território marcado pela perturbação (Tsing, 2015), o Mira encontra também outras formas de lá fazer e imaginar mundos que disputam o futuro hipotecado pela expansão do capitalismo agrário.
- Estágio no ANIM - Filmes Domésticos em Volta do Colonialismo PortuguêsPublication . Nhaga, Wilker Ricardo Lima Falcão; Costa, Catarina Sousa Brandão AlvesNo campo arquivístico, os filmes domésticos do período colonial são uma área ainda pouco explorada. Estas filmagens, normalmente de festas de aniversário, batizados e idas à praia, tendem a possuir, curiosamente, uma qualidade global no retrato íntimo de indivíduos em contexto familiar. Revelam padrões extensos, práticas sociais muito representativas de um certo quotidiano nas colónias, mas pelos confins do pessoal. A refinada textura de filmagens de arquivo e os planos amadores, compõem retratos familiares com uma honestidade minuciosa. À primeira vista, não tornam presente a memória atual do colonialismo português e não são vistos como objetos de análise pela maior parte dos investigadores. No entanto, o estudo destas imagens, como imagens que representam o período colonial ou não, mostra-se útil, precisamente para lidarmos melhor com o presente através do passado. Com o apoio e permissão do extenso arquivo fílmico do ANIM - Arquivo Nacional das Imagens em Movimento, núcleo conservador da Cinemateca-Museu do Cinema, fui de encontro ao desafio de visionar os espólios referentes ao período do colonialismo português, particularmente os filmes domésticos rodados por portugueses brancos em territórios colonizados entre as décadas de 1950, 60 e 70, no contexto de um estágio onde se realizou trabalho técnico e de descrição. A partir das experiências no arquivo, meço as possibilidades do filme doméstico como documento para o estudo de “imagens coloniais”, levando em conta a sua materialidade e a obscuridade de sentido do seu conteúdo imagético, em especial face à reprodutibilidade e remediação digital.
- A des-fiar para tecer mundos: uma análise do sistema moda-vestuário-estiloPublication . Loyola, Rodrigo Hull; Silvano, Maria Filomena de Almeida Paiva
- Tráfego cultural em “ouro branco”: cenas da doçaria com inspiração portuguesa além mar e na riqueza do conceito p&bPublication . Santos, Simone Bilhalva; Flores, Teresa Mendes; Costa, Catarina Sousa Brandão AlvesO presente estudo explora a imagem dentro do universo do doce conventual português a partir das suas relações de intercâmbio com outra cultura, no caso desse, a região de Pelotas no extremo sul do Brasil, dentro de uma metodologia da antropologia visual/cultural da fotografia na pesquisa etnográfica e se utilizando do conceito p&b para realçar a temática da doçaria conventual portuguesa e sua influência em termos de desenvolvimento nos dias atuais na região brasileira. Esta pesquisa se propõe a explorar como temática em termos imagéticos essa influência cultural e gastronômica da doçaria conventual portuguesa em uma comunidade onde atualmente o doce é produto econômico e turístico, entendendo e exibindo finalmente através da fotografia p&b com seu valor psicológico/artístico/documental agregado, o grau de envolvimento e de repercussão social afetiva que proporcionou nos dias atuais por inspiração e aculturamento. Tendo como instrumento etnográfico principal a fotografia, explorando as potencialidades do conceito fotográfico que percorre todos os tons de cinza entre o preto e o branco, fazendo uma ligação imagética de tempo e espaço cultural no universo das tradições doceiras portuguesas que atravessaram oceano e transformam-se, enraizando-se em outro povo e proporcionando um rico intercâmbio, e, neste caso especialmente, desenvolvimento e novos conceitos e aplicações do conteúdo viajado, fazendo assim o doce conventual português, hoje, através de um gênero de herança afetiva emocional, modo de vida em outro continente, em forma de receitas e modos de fazer. Os personagens desta pesquisa são, no Brasil, o fazer e a produção dos doces confeccionados por membros da comunidade pelotense, portugueses descendentes ou não, envolvidos com a cultura do doce na região como produtores da doçaria tradicional da cidade do doce. O requisito fundamental para se classificar como imagem relevante na pesquisa é ter diretamente uma relação com a indústria doceira, seja os próprios doces antes e depois de prontos, ou as mãos produtoras deste universo de açúcar e ovos do qual partem todos as variações. No final desse processo, a temática foi ilustrada com o conteúdo imagético e psicológico retratando a afetividade contida nas relações socioculturais e culinárias.
