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Publicação

Construção do conhecimento e semiotização

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Orientador(es)

Resumo(s)

O conhecimento pode ser apreendido de diversas formas, consoante o posicionamento epistemológico. Apesar de o conceito comum de cognição associar o conhecimento a uma atividade espontânea e incoercível do mundo refletido (Jackendoff, 1992), no que nos diz respeito e de acordo com o Interacionismo Sociodiscursivo (Bronckart, 1997, 2008) e com as Ciências da Cultura (Rastier, 2002), o conhecimento é, fundamentalmente, um objeto cultural: de facto, nesta perspetiva, não está em causa a perceção de um mundo natural ou artificial; corresponde antes a uma construção em articulação com o meio e altamente influenciada pela cultura (Rastier, 2012). Na sequência de outros contributos, o Interacionismo sociodiscursivo reconhece três formas de organizar o conhecimento (Bronckart, 2004). O primeiro tipo – conhecimento prático ou implícito – é elaborado no seio das atividades práticas. Este tipo de conhecimento é essencialmente de ordem funcional. O segundo tipo provém da semiotização de alguns conhecimentos práticos. Como tal, trata-se de um conhecimento explícito, que preserva, no entanto, traços semânticos e sócio-históricos da comunidade específica em que é realizado. Por essa razão, este tipo de conhecimento, apesar de ser explícito, é qualificado de conhecimento tradicional. O terceiro e último tipo de conhecimento equivale ao conhecimento explícito e generalizado (i.e. saber formal). Realiza-se a partir da dessemantização e descontextualização de alguns aspetos do conhecimento tradicional. Assim sendo, este tipo de conhecimento organiza-se segundo regras lógicas (cf. mundos formais de Habermas, 1987 e pensamento lógico matemático de Piaget, 1992) e adquire, assim, um carácter universal. Na medida em que tanto o conhecimento tradicional como o conhecimento formal são explícitos, importa identificar como se organiza e se diferencia a semiotização neles envolvida. É neste âmbito que se situa o objetivo da presente comunicação, focando em particular a semiotização do conhecimento tradicional. Como ponto de partida da minha reflexão, assumo três pressupostos: 1) a linguagem é condição de conhecimento, tendo em conta a sua dimensão significante e comunicacional: “a criação de significados é um ato de conhecimento” (Coseriu, 2001:24); 2) os textos, orais ou escritos, correspondem a práticas de linguagem situadas, realizadas numa (ou pelo menos numa) determinada língua (Bronckart, 1997, 2008); 3) qualquer texto é produzido a partir de um processo de adoção/ adaptação de um género textual e necessariamente constituído por unidades infra-ordenadas linguisticamente estabilizadas, os tipos de discurso (Bronckart, 1997). Em função do exposto, assumo que tanto o conhecimento tradicional como o formal implicam duas vertentes de semiotização: a que depende dos constrangimentos de género e a que passa por opções discursivas (ou enunciativas). A hipótese de trabalho que aqui se sustenta é que a mobilização de determinadas unidades linguísticas em detrimento de outras permite a distinção dos dois tipos de conhecimento. Se esta proposta se apresenta como uma reflexão fundamentalmente teórica, recorrer-se-á, quando necessário, a exemplos empíricos retirados do corpus de textos digitais da área do turismo oriundo de um projeto de pós-doutoramento e do corpus de textos de divulgação científica constituído no âmbito de um projeto de investigação financiado.

Descrição

UID/LIN/03213/2013 SFRH/BPD/66300/2009

Palavras-chave

Conhecimento Semiotização Língua Texto Género

Contexto Educativo

Citação

Unidades organizacionais

Fascículo