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IHMT: PM - Dissertações de Mestrado

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  • Risco de contaminação do solo por Toxocara spp na cidade da Praia, Ilha de Santiago – Cabo Verde: Estudo Piloto
    Publication . VEIGA, Veronique Semedo da; CALADO, Manuela; FERREIRA, Pedro
    A toxocarose é considerada uma das zoonoses parasitárias mais comuns no mundo, tendo como ciclo de transmissão ao homem, o contacto com as terras e areias dos espaços públicos contaminados pelas fezes dos animais “errantes” e domésticos não desparasitados. A infeção nos humanos é causada por nemátodes do género Toxocara originando algumas complicações tais como: “larva migrante cutânea” e “larva migrante visceral”. Assim, os humanos contaminam-se através da ingestão de alimentos contaminados contendo ovos do parasita, e também através das práticas de onicofagia (hábito de roer as unhas) e geofagia (comer terra) relembrado que neste último caso, são em especial as crianças que são mais vulneráveis. De acordo com os dados publicados no Relatório Estatístico e no Ministério de Saúde de Cabo Verde até o momento não existe informação em relação à toxocarose. Assim, desenvolveu-se um estudo com o objetivo de avaliar a prevalência dos ovos da Toxocara spp no solo dos parques urbanos e jardins públicos da Cidade da Praia- Cabo Verde. Foram colhidas 160 amostras, das quais 20 foram amostras de fezes e 140 amostras de terras. Das 8 zonas escolhidas para o estudo, foram selecionados 5 pontos de amostragem dentro de cada zona. Os resultados mostraram que o número maior das amostras foi colhido em Fonton, com um total de 28 amostras, o que equivale 17,9%. Relativamente, à exposição solar dos pontos de amostragem, colheram-se 135 amostras em solo ensolarado e 25 em solo sombrio. No que respeita às características do solo, colheram-se 124 (77,5%) amostras em solo arenoso e 36 (22,5%) em solo húmido, a maioria (135; 84,3%) colhidos em solo ensolarado, das quais 61,8% foram negativas. Relativamente ao local de colheita, a maioria dos locais apresentava presença dos animais. No exame parasitológico das amostras das fezes, obteve-se 16 amostras negativas e 4 amostras positivas para ovos de Toxocara spp, enquanto para as amostras de terras, 134 foram negativas e 6 positivas, com larvas de Toxocara e outros Ancylostomideos. O diagnóstico molecular, confirmou uma maior sensibilidade que o exame parasitológico, pois foi possível obter-se mais 3 amostras positivas de terras para Toxocara canis, além das que foram obtidas nos exames parasitológicos. Também para as fezes, para além das 5 amostras positivas obtidas no exame parasitológico, foi possível obter-se mais 2 amostras positivas para Toxocara canis através do diagnostico molecular. Com os resultados obtidos, ainda que preliminares, podemos constatar a existência de contaminação nos espaços públicos que são frequentados por animais errantes, e daí a necessidade de serem implementadas medidas de controlo, para evitar a contaminação destes espaços, frequentados pela população.
  • Análise dos genes pfcrt, pfmdr1 e pfpm3 associados à resistência a antimaláricos em amostras de Plasmodium falciparum, em São Tomé e Príncipe
    Publication . TE, Samora Augusto; LOPES, Dinora; GIL, José Pedro
    Em 2022, a malária era endémica em mais de 85 países, causando 249 milhões de casos e 608.000 mortes a nível global, sendo a região africana de OMS a carregar o maior fardo, com 233 milhões de casos, correspondente a 94% dos casos a nível global. A resistência a antimaláricos constitui um dos maiores entraves ao sucesso dos programas de controlo ou eliminação da malária. Em São Tomé e Príncipe (STP), após a implementação de um programa integrado, com um enorme sucesso, nos últimos anos tem-se vindo a verificar um aumento de número casos, no entanto, pouco se sabe sobre o perfil de resistência dos parasitas em circulação nestas ilhas. Assim, neste estudo pretende-se analisar os polimorfismos nos genes pfcrt, pfmdr1 e pfpm3, associados à resistência a vários antimaláricos, através das técnicas de PCR-RFLP para o estudo do SNP no pfmdr1 e qPCR para o estudo CNV do gene pfmdr1 e pfpm3, sequenciação para identificação dos SNPs nos nucleótidos 72, 73, 74, 75 e 76 do gene pfcrt. As amostras analisadas neste trabalho foram colhidas em São Tomé e Príncipe e todas vieram com diagnostico positivo por microscópia ou teste de diagnostico rápido. A colheita foi feita entre 2020, 2021 e 2022, no âmbito das atividades do PNEP, num total de 292 amostras recolhidas em São Tomé em pacientes com idades entre 7 meses e 88 anos. Cerca de 97% (283/292) das amostras analisadas apresentam P. falciparum, 3% (9/292) são negativas, não tendo sido identificada a presença de nenhuma outra espécie. Os nossos resultados confirmam análises previamente reportadas na literatura, indicando uma elevada prevalência dos alelos 86Y, Y184 e 1246Y do gene pfmdr1 associados à resistência à amodiaquina, uma 4-aminoquinolina. Sobretudo um aumento significativo do alelo 1246 Y ao longo dos 3 anos de estudo. Os codões codificantes de tirosina (Y) dos polimorfismos N86Y, Y184F e D1246Y do gene pfmdr1 são fatores bem documentados de redução da sensibilidade do parasita a medicamentos da classe das 4-aminoquinolinas, nomeadamente cloroquina e amodiaquina. 231 amostras foram sequenciadas com sucesso para a análise dos haplótipos associados à região codificante de Pfcrt (72-76). Foram identificados 6 haplótipos: CVIET, CVMNK, CVIKT, CVMKT, CLMNK e CVIEI. Sendo CVIET o mais frequente (95,2%), um resultado expetável uma vez que é o mais dominante entre os parasitas resistentes à cloroquina, em África. Em relação ao aumento de número de cópias do gene pfmdr1, verificou-se que aproximadamente 4% das amostras (11/245; 0.045, 0.023-0.079) apresentaram um aumento de número de cópias no gene pfmdr1, uma prevalência alinhada com os valores observados noutras regiões no Noroeste África. No que se refere ao gene pfpm3, foi efetuada análise em 241 amostras, tendo sido encontradas duplicações numa frequência de 2%. Os resultados deste trabalho serão de relevância para PNEP, tendo em conta o estado de quase fixação do alelo 76T de gene pfcrt assim como a comprovada diminuição da sensibilidade a fármacos da classe das 4-aminoquinolina na qual inclui amodiaquina, informação fundamental de ponto de vista adoção de novo fármaco para o tratamento de malária no País.
  • DNA ambiental para avaliar o risco de tremátodes e hospedeiros intermediários, em Moçambique
    Publication . CUNHA, Sónia Raquel Mendonça da; MAURÍCIO, Isabel; CARDOSO, Fernando
    O controle eficaz ou a eliminação das doenças parasitárias, incluindo as doenças tropicais negligenciadas exigem ferramentas de monitorização sensíveis e económicas. O DNA ambiental (eDNA) utilizado amplamente na ecologia para biomonitorização em ecossistemas naturais oferece vantagens como: redução de custos e menos mão de obra com qualificações. Para muitas doenças parasitárias emergentes, a deteção de organismos vetores na fase ambiental é essencial para a intervenção precoce bem-sucedida e para o seu controle. Para melhorar os esforços de controle e eliminação de parasitas de importância médica e veterinária há necessidade de investigação mais precisa da transmissão ambiental, isto inclui a necessidade de detetar ou monitorizar os estágios infeciosos de vida livre dos parasitas bem como os vetores ou hospedeiros no meio ambiente. A maioria dos estudos depende da coleta e filtragem de água, o que exige o transporte do equipamento para o campo, ou a conservação da água para o laboratório. A amostragem ambiental passiva (PEDS) tem a vantagem de ter a amostra do eDNA por um período mais longo e de ser menos sensíveis a quantidades variáveis de eDNA circulante. O objetivo foi avaliar a eficácia de PEDS na captura de eDNA de parasitas e hospedeiros intermediários. Diversas resinas (10) e materiais filtrantes (20) foram avaliados em laboratório por exposição a DNA livre e a caracóis infetados em tanques de água, por vários períodos, com extração de DNA pelo método de CTAB e amplificação por PCR de parasitas e hospedeiros intermediários. Os melhores resultados foram alcançados com o papel filtro Whatman 5 e a resina Amberlite XAD-4, que foram avaliados em condições de campo em Moçambique, endémico para schistosomose. Os PEDS permaneceram in situ de um a 16 dias e foi possível detetar DNA de Schistosoma spp. e de hospedeiros intermediários por PCR de forma semelhante entre resina e papel de filtro. Com a resina XAD4, 11,1% das amostras foram positivas para Biomphalaria sp. e 61,1% para Bulinus sp., enquanto que 16,6% das amostras foram positivas para S. mansoni e 94,4 % para S. haematobium. Para as amostras de filtro No 5, 11,1% foram positivas para Bulinus sp. e 14,8% para Biomphalaria sp., e55,5 % para S. haematobium. Detetou-se uma amostra com DNA de S. bovis. Os PEDS de baixo custo mostraram ser uma boa alternativa à filtragem de água para captura de eDNA, em particular o papel de filtro Whatman 5, que é de fácil obtenção, sendo possível a sua aplicação no campo durante vários dias sem serem danificados. As estratégias de monitorização que incluem PEDS podem reduzir os custos e o esforço associados à deteção de hospedeiros intermediários de caracóis e aos inquéritos populacionais.
  • Modulação da microbiota intestinal de Anopheles stephensi, quantificação bacteriana e avaliação do efeito na infeção por Plasmodium berghei
    Publication . ANTUNES, Joana Lúcia Fernandes de Lemos; SILVEIRA, Henrique; COSTA, Sofia Santos
    A malária é um problema de saúde global, que afeta as populações mais carenciadas. Segundo World malaria report 2023 da Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2022 identificaram-se 249 milhões de casos de malária e 608.000 mortes. O aumento das taxas de incidência e mortalidade, surgem num período estacionário e após a interrupção dos serviços de controle da malária durante a pandemia de COVID-19. Os eventos climáticos extremos, conflitos e crises humanitárias, restrições de recursos, ameaças biológicas e desigualdades dificultaram a recuperação. Maioritariamente, a malária é prevenível pelo controlo vetorial, com distribuição em larga escala de redes mosquiteiras impregnadas com inseticidas e pulverização-intradomicilaria. Contudo, há uma crescente resistência dos vetores aos inseticidas, levando ao aumento da carga da doença. De acordo, com o Mapa de Ameaças à Malária, da OMS, existem ainda outras ameaças ao controlo e eliminação da malária, como: deleções do gene pfhrp2/3, resistência aos medicamentos antimaláricos e o surgimento de espécies de vetores invasores com grande capacidade de adaptação e sobrevivência em diversos habitats, como Anopheles stephensi em Africa. A microbiota intestinal dos insetos tem impacto na nutrição, proteção contra os parasitas e agentes patogénicos, modulação das respostas imunes, crescimento, desenvolvimento, sobrevivência e competência vetorial. Estudos anteriores, caracterizaram a diversidade bacteriana do intestino médio em espécies de Anopheles com métodos dependentes e independentes de cultura e demonstraram a capacidade das bactérias influenciarem negativamente o desenvolvimento de Plasmodium dentro dos mosquitos. Mosquitos fêmeas An. stephensi foram tratados com antibióticos e confirmada a redução bacteriana através da quantificação do número de colónias em meios de cultura (colony forming units (CFU)). Como se trata de uma técnica morosa, pretendeu-se otimizar uma técnica alternativa à cultura, o PCR quantitativo em tempo real (qPCR) com genes alvo microbianos universais como o RNA ribossomal 16S (16SrRNA). Colonizou-se os mosquitos com a bactéria Pseudomonas mendocina (estirpe isolada do intestino médio de Anopheles gambiae do insectário do IHMT), e avaliou-se o seu efeito na infeção com o parasita Plasmodium berghei. Foram desenhados e sintetizados primers e sondas específicos para P. mendocina usando como gene alvo o homologo do gene mucA de Pseudomonas aeruginosa, para confirmação bacteriana por Polymerase Chain Reaction (PCR). Após tratamento com antibióticos a microbiota intestinal do mosquito ficou significativamente reduzida (P˂0,05, Mann-Whitney). A microbiota tratada com antibióticos foi eliminada quase na totalidade. O controlo vetorial simbiótico na malária, é uma alternativa com interesse de estudo, tendo em conta as crescentes ameaças ao seu controlo e eliminação.
  • Giardíase como preditor de desnutrição Infantil em regiões em desenvolvimento
    Publication . GANHÃO, Ana Vanessa Mendes Constantino; LOBO, Maria Luísa; AGUIAR, Pedro Vargues
    RESUMO As infeções parasitárias intestinais são uma preocupação de saúde pública a nível global, especialmente em populações vulneráveis das áreas tropicais e subtropicais. Um dos principais agentes de infeção intestinal é Giardia duodenalis, que se encontra presente de forma ubíqua, tornando muito difícil o seu controlo. A desnutrição infantil é, e continuará a ser, um motivo de preocupação, principalmente em crianças até aos 5 anos de idade. Apesar de nos países em vias de desenvolvimento, as infeções parasitárias e a desnutrição infantil coexistirem, a associação de infeção por G. duodenalis e a desnutrição infantil sempre foi um ponto de estudo, embora ainda não se tenha conseguido chegar a um consenso. Diversos estudos foram realizados com o intuito de determinar essa mesma associação, e uma meta-análise dos trabalhos publicados poderá vir a ser um ponto de partida para avaliar a robustez das conclusões descritas por esses autores. Após pesquisa bibliográfica de artigos publicados nas bases de dados Pubmed, e SciELO contendo as palavras “Giardia” e “malnutrition” foram selecionados 19 artigos para este estudo. A realização desta meta-análise, com base nas publicações selecionadas, teve como objetivo principal gerar dados que ajudem a fundamentar a hipótese de existir uma associação entre a infeção por G. duodenalis e os seguintes parâmetros, indicadores de desnutrição infantil: baixo peso, nanismo e baixo índice de massa corporal. Os resultados obtidos neste estudo indicam que as crianças infetadas com G. duodenalis têm mais odds de virem a sofrer de baixo peso ou nanismo, comparativamente a crianças não parasitadas por este protozoário, sugerindo que a giardíase possa constituir um fator preditor de desnutrição infantil.
  • Catalogação e caraterização taxonómica de espécies da subordem Brachycera (classe Insecta, ordem Diptera) da coleção entomológica do Instituto de Higiene e Medicina Tropical.
    Publication . MENDONÇA, Cândido Faustino; LOPES, Luís Filipe
    A ordem Diptera (Filo Arthropoda, Classe Insecta) é um grupo extremamente diverso, e está dividida em duas subordens: a subordem Nematocera, que incluí os mosquitos, e a subordem Brachycera. A subordem Brachycera é um grupo muito diverso, incluindo mais de 100 mil espécies já descritas. Os espécimes deste grupo são comumente chamados de moscas. Este grupo incluí muitas espécies com importância médica, veterinária, sanitária e forense. Neste trabalho, foi finalizada a catalogação e digitalização dos espécimes de moscas (Ordem Diptera, Subordem Brachycera) da coleção do Intsituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT). Para tal foi atribuído a cada espécime um número de coleção, os espécimes foram etiquetados e fotografados. A partir destas fotografias, os dados associados aos espécimes foram introduzidos na base de dados da coleção. Novos espécimes foram também preparados e introduzidos na coleção, a partir de novas colheitas e outras amostras recentes, aumentando assim o número de espécimes da coleção de moscas do IHMT. A coleção de moscas contava, em maio de 2023, com 1400 exemplares catalogados, dos quais 1249 tinham sido já validados, pertencentes a 30 famílias taxonómicas distintas. A cobertura temporal da colheita destes espécimes é de 1930 a 2022, sendo o ano de 1981 aquele em que se regista um maior número de espécimes coletados (251 espécimes registados). Em termos de cobertura geográfica estão representados 8 países, sendo a sua maioria de Portugal (1214 exemplares). Em Portugal, das várias regiões representadas, o distrito de Faro é o mais representado (276 exemplares). O estudo taxonómico desta coleção foi também realizado neste trabalho em que se realizou a determinação taxonómica sobretudo de espécimes da família Calliphoridae. Relativamente, à cobertura taxonómica, a família Calliphoridae é atualmente a que tem mais identificações realizadas, refletindo o esforço de identificação taxonómica desta família ao longo deste estudo.Atualmente existem 158 espécimes atribuídos à família Calliphoridae e 95 à família Muscidae, no entanto existe ainda um grande número de exemplares apenas identificado até ao nível da Ordem. Dentro dos espécimes já identificados ao género, o género Lucília é o que conta com maior número (87 exemplares). A identificação do sexo dos espécimes foi realizada para 291 exemplares, sendo nesses o sexo feminino o que está mais bem representado (186 exemplares). Ao longo deste trabalho 803 novas identificações taxonómicas foram realizadas, a vários níveis, desde a identificação da Ordem, até à espécie, com 105 novas identificações ao nível de espécie. A família Calliphoridae é um grupo que inclui as moscas geralmente chamadas varejeiras, e encontra-se representada em todo o mundo, com exceção da Antártida. Esta família incluí diversas espécies de importância médica e veterinária, por serem causadoras de miíases, fatores de incómodo ou potenciais vetores mecânicos de agentes patogénicos, geralmente através da contaminação de superfícies e alimentos. Algumas espécies são também de extrema importância na entomologia forense, sobretudo na determinação do intervalo pós-morte, visto serem geralmente as primeiras espécies a colonizar corpos em decomposição. Desta forma uma boa parte do esforço de estudo e identificação taxonómica focou-se neste grupo. Palavas chave: Diptera, Brachycera, Calliphoridae, coleção entomológica, entomologia médica e veterinária.
  • Parasitas intestinais em crianças de duas comunidades do município de Seixal, distrito de Setúbal, Portugal
    Publication . JASSE, Tânya da Regina Luís Matavela; CALADO, Manuela; MAURÍCIO, Isabel; TEODÓSIO, Rosa
    RESUMO As parasitoses intestinais são uma das principais causas de morte e abrangem cerca de dois a três milhões de óbitos por ano. Também constituem um problema grave de saúde pública, especialmente nos países de media e baixa renda e são causados por helmintas e protozoários. Em Portugal, há algum tempo, as parasitoses intestinais eram consideradas um problema de saúde pública. Estudos recentes continuam a mostrar uma grande redução de prevalência destas parasitoses, mantendo-se Giardia duodenalis como o parasita mais prevalente. Contudo, estudos epidemiológicos sobre este tipo de infeções ainda são escassos a nível nacional. Este trabalho teve como objetivo determinar a prevalência de parasitas intestinais, e fazer a caracterização demográfica e clínica de crianças em idades compreendidas entre 5 e os 15 anos. Realizou--se um estudo transversal, observacional e analítico, em dois bairros Vale de Chícharos e Santa Marta de Corroios, no Município do Seixal, entre 2022 e 2023. Todas as crianças dos dois bairros foram convidadas a participar do estudo, com preenchimento de um inquérito sociodemográfico e clínico pelos Pais/Encarregados de Educação (EE) das crianças e entrega de amostras de fezes de cada criança. Participaram do estudo 88 crianças. Procedeu-se ao diagnóstico laboratorial e molecular de parasitas intestinais nas fezes. Identificou-se apenas uma criança parasitada, por Trichuris trichiura. Os resultados deste trabalho mostraram a importância de sensibilizar a população sobre os conhecimentos e práticas relacionadas com a prevenção da doença parasitária visto que os questionários revelaram uma fraca literacia em saúde apesar de haver uma frequência muito baixa da infeção em ambas populações.
  • Diversidade genética e parasitária de Galba spp., hospedeiro intermediário de Fasciola hepatica, e outras espécies de limneídeos na margem sul do rio Tejo
    Publication . AZEVEDO, Katia Alexandra Dias; MAURÍCIO, ISABEL; FERREIRA, PEDRO; ANTUNES, Sandra Isabel
    O parasita zoonótico Fasciola hepatica tem como reservatórios bovinos e ovinos e como hospedeiros intermediários caracóis de água doce da espécie Galba truncatula, principalmente, podendo infetar e usar outras espécies de moluscos como hospedeiros. Foi identificada recentemente a existência de uma espécie gémea, Galba schirazensis, que terá menor capacidade como hospedeiro intermediário, e que foi registada tanto na América do Sul como em Portugal. Num estudo recente na bacia sul do Tejo, detetou-se a presença de G. truncatula, de G. schirazensis e Ampullaceana balthica infetados com F. hepatica em diversos corpos de água, sendo importante a monitorização destas populações e do risco de transmissão. A pesquisa de DNA ambiental tem sido considerada uma ferramenta promissora na avaliação da presença dos hospedeiros intermediários e respetivos tremátodes parasitas. No presente estudo procurou-se contribuir para a prevenção e propagação da fasciolose animal, através da avaliação da pesquisa de DNA ambiental, por PCR e qPCR, e monitorização dos hospedeiros intermediários e parasitas infetantes, em comparação com o estudo anterior na região entre os rios Tejo e Sado, para melhor definir as zonas de risco para a transmissão de F. hepatica, e outros tremátodes com potencial zoonótico. Neste estudo foram encontradas e estudadas populações de limneídeos G. schirazensis e A. balthica, mas não foi confirmada a infeção por tremátodes nestes caracóis. Verificou-se que os primers FheF/ FheR não eram específicos na amplificação da região ITS2 de F. hepatica. Registou-se, ainda, que primers utilizados anteriormente para deteção de G. truncatula, assim como novos primers desenhados para G. schirazensis, não foram suficientemente específicos. Não se detetou DNA ambiental de F. hepatica e seus HI com amostras de campo e de laboratório, nem por PCR nem por qPCR, apesar de testes positivos com material macerado, possivelmente devido a perdas na extração de DNA, ou por não haver DNA suficiente na água coletada. Apesar dos resultados limitados nesta pesquisa de DNA ambiental na avaliação de risco de transmissão de F. hepatica em Portugal, pode-se concluir que a pesquisa de DNA ambiental é promissora, mas que mais estudos com amostras com maior presença de caracóis e melhores métodos de extração e de amplificação de DNA são necessários.
  • Estratégia bioinformática para identificação de novos fármacos contra Leishmania infantum
    Publication . FREDERICO, Adhelle Josiane Soares; CRAVO, Pedro Vitor
    As leishmanioses são doenças causadas pelos protozoários intracelulares do género Leishmania, transmitida pela picada da fêmea do inseto vetor, o flebótomo. Há pelo menos três formas clínicas de manifestação dessa enfermidade: leishmaniose cutânea, a forma mais comum e menos grave, leishmaniose mucocutânea, a mais incapacitante e leishmaniose visceral, a mais grave e letal. Pertencem ao grupo de doenças tropicais negligenciadas, responsáveis pelo óbito de milhões de indivíduos, sendo um problema de saúde pública. Atualmente, a terapia medicamentosa disponível apresenta diversas limitações, relacionadas à toxicidade, a via de administração, resistência medicamentosa e o custo elevado, por isso é urgente a necessidade de desenvolvimento de novas terapias. O processo de desenvolvimento de novos fármacos, permanece duradouro, complexo e dispendioso. Nesse sentido, com o objetivo de otimizar o processo, diversas abordagens computacionais têm sido utilizadas, como o reposicionamento de fármacos. O reposicionamento de fármacos mostra-se ser uma ferramenta excelente, pois permite identificar novas aplicações terapêuticas para fármacos que já estão aprovados. Nesse contexto, o objetivo desse estudo foi identificar fármacos aprovados e disponíveis com potencial atividade anti-leishmania, através do reposicionamento de fármacos baseado no alvo. Para esta análise in silico, foi feito a pesquisa proteínas cinases em Leishmania infantum, no banco de dados TritrypDB, onde foram selecionadas as sequencias primárias proteicas, que posteriormente foram interrogadas nas bases de dados: DrugBank e STITCH, no intuito de identificar alvos homólogos de outros organismos, contra os quais existem já fármacos aprovados com atividade comprovada. Posteriormente, para cada um dos alvos identificados, foram avaliados dados de essencialidade e drogabilidade através da homologia entre as espécies L. mexicana e L. major, respetivamente, com a busca de ortólogos e execução do alinhamento local pareado. A avaliação da toxicidade dos fármacos foi feita através da pesquisa bibliográfica, bem como a pesquisa dos fármacos previstos que já foram previamente testados in vitro e in vivo. Um total de 13 fármacos foram identificados, onde o tamoxifeno, bosutinibe, artenimol e ácido acetilsalicílico, apresentam estudos sobre sua atividade anti-leishmania, sendo, todavia, os dados insuficientes para inferir com exatidão o seu potencial terapêutico. Não foram encontrados na literatura estudos de atividade biológica relativamente aos restantes fármacos identificados (ex. fostamatinibe, topiramato, minociclina e trilaciclibe). Em conclusão, o presente estudo permitiu identificar e propor 13 novos fármacos com potencial anti leishmânia que poderão ser avaliados por validação experimental através de testes in vitro e in vitro em estudos futuros. Portanto, todos os 13 fármacos necessitam de validação experimental através de testes in vitro e in vitro.
  • Incidência de malária e associação com manifestações clínicas de anemia de células falciformes e resposta ao tratamento com hidroxiureia em crianças em Angola.
    Publication . GONÇALVES, Elisângela Maria Tavares; AREZ, Ana Paula; BRITO, Miguel; FAUSTINO, Paula
    A malária representa uma importante causa de morbilidade e mortalidade, constituindo um grande problema de saúde pública, especialmente em países de baixa renda. Embora tenham sido implementadas várias medidas de prevenção e controlo, ao longo dos anos tem causado inúmeras epidemias, acarretando consequências económicas, sociais e políticas severas por longos períodos. Em Angola, esta patologia é endémica nas 18 províncias, com maior incidência nas províncias situadas no norte do país. A anemia falciforme destaca-se entre as doenças hematológicas hereditárias, sendo a mais prevalente a nível mundial, afetando cerca de 7% da população mundial e sendo predominante no continente africano. A hidroxiureia (HU) representa uma das formas de tratamento mais acessível para esta patologia, apesar de a sua eficácia estar comprovada, ainda existe controvérsia relativamente ao seu uso, principalmente nos países endémicos para malária. O estudo aqui apresentado integrou-se num estudo longitudinal em que duas coortes de crianças drepanocíticas, num total de 200 crianças com idades compreendidas entre 3 e 12 anos, foram acompanhadas no Hospital Geral do Bengo (Caxito) e no Hospital David Bernardino (Luanda). O objetivo deste estudo foi investigar a ocorrência de infeção subpatente por Plasmodium sp., nessas crianças, no período de abril de 2019 a junho de 2022. O estudo procurou determinar a prevalência da infeção nessas duas coortes, avaliar a incidência clínica e verificar a associação da ocorrência de malária com os dados clínicos existentes relativos às manifestações da anemia falciforme e resposta ao tratamento com HU. Estes objetivos foram alcançados através de técnicas moleculares que permitem a amplificação dos ácidos nucleicos, mais especificamente a reação em cadeia da polimerase aninhada (nested-PCR), após a extração do DNA em amostras depositadas em papel de filtro. As análises hematológicas, bioquímicas e frações de hemoglobina foram realizadas no projeto anteriormente desenvolvido. Foram analisadas várias amostras do mesmo indivíduo ao longo do tempo e das 410 amostras analisadas, 15 apresentaram a presença de DNA do parasita Plasmodium spp., resultando em 10 indivíduos infetados com este parasita, sendo a espécie Plasmodium falciparum responsável pela maioria das infeções (66,6%), seguida de Plasmodium malariae com 20% e finalmente Plasmodium ovale curtisi responsável por 13,3% das infeções. Verificou-se uma prevalência de 15,1% na cidade de Luanda e 15,6% na cidade de Bengo. Após o tratamento com HU, observou-se melhoria na hemoglobina fetal, incluindo vários parâmetros hematológicos como valores de hemoglobina, volume corpuscular médio (VCM), leucócitos e plaquetas sanguíneas, confirmando que a HU é uma terapia eficaz para o tratamento da anemia falciforme. No entanto, os parâmetros bioquímicos analisados neste estudo, como bilirrubina total, bilirrubina direta, TGO e TGP, não apresentaram diferenças assinaláveis, necessitando de mais estudos para investigação. Estes resultados permitiram um melhor conhecimento da infeção por Plasmodium spp., em crianças drepanocíticas em Angola e forneceram evidências sobre a eficácia da HU no tratamento da anemia falciforme. Estas descobertas têm implicações clínicas importantes e podem servir de base para futuros estudos e intervenções terapêuticas direcionadas a esta população específica.