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Orientador(es)
Resumo(s)
Logo no início da escrita deste relatório de atividade profissional, foi notada a
inexistência de literatura sobre a matéria – agenda de informação – e sobre os
condicionalismos que causa na produção de notícias. A informação na agenda faz parte
do processo de construção das notícias, cujas práticas e mecanismos este trabalho tenta
evidenciar.
Tendo como base a atividade na RTP, o relatório não se limita à empresa. O foco
de interesse incide na relação entre a agenda e a redação e inclui um olhar numa agência
de notícias como a Lusa. Este trabalho visa debater a concepção de uma agenda de
informação e as interdependências com a redação.
A investigação académica que utiliza metodologias mais empíricas para estudar
o jornalismo, em particular a observação participante, implicando a presença do
investigador no local onde as notícias são produzidas e junto de quem as produz, tem
sido praticamente centrada na redação. A título de exemplo, referimos o caso da
investigação de Herbert Gans, em 1979,2 sobre a CBS que analisou a produção de
notícias nas redações, procurando responder à célebre pergunta: “Porque são as notícias
como são?” Outros estudos – Tuchman, em 1978 e Fishman, em 1980 – definiram o
mesmo foco de interesse. Anteriores a esta data, nos anos 50, são os estudos de David
Manning ‘s White com uma análise sobre o editor de notícias e Warren Breed que
aprofunda o controlo social nas redações 3.
Outros departamentos de uma empresa de comunicação social, hoje em dia tão
conectados entre si, como é o caso da agenda de informação de uma televisão,
permanecem completamente ignorados, são desconhecidas as suas rotinas e formas de
hierarquia e organização, não conhecemos os seus profissionais nem o seu contributo para a forma e o conteúdo final da informação que é publicada ou transmitida aos
leitores, aos ouvintes e aos telespetadores.
Até que ponto a agenda não é o local de nascimento da notícia dentro de uma
empresa de comunicação social? Este trabalho é um modesto contributo para reduzir
essa invisibilidade e diminuir o silêncio em torno do funcionamento e das rotinas
existentes numa agenda de informação, procurando compreender de que forma as
dinâmicas profissionais que este departamento estabelece com a respetiva redação
configuram práticas jornalísticas ou parajornalísticas com impacto na qualidade da
informação final.
A agenda, como parte integrada no processo da produção de notícias, funciona
como um campo preparatório. Numa televisão, pode produzir mais impacto porque
permite (ou não) ter imagens de um acontecimento, mas é secundarizada por fazer
apenas parte dos preparativos e por ela própria não fazer parte do ecrã de televisão, estar
nos bastidores, onde aqueles que trabalham para a notícia não são vistos, nem ouvidos.
Adicionamos ainda uma pequena reflexão histórica já que, tal como todas as
atividades ligadas ao jornalismo, trata-se de uma área cujas tarefas, dinâmicas, missão e
objetivos foram completamente revolucionados pelas sucessivas tecnologias de
informação e comunicação.
As etapas são marcadas pelas tecnologias que condicionam a reportagem e a
organização das empresas que gerem e tratam informação. Nos primeiros anos da RTP,
prevalecia o entretenimento que incluía o teatro em televisão, em relação à informação.
Não havia jornalistas, porque em televisão não existia esta designação, havia redatores
que escreviam sobre as imagens de um acontecimento. A informação era escassa, em
pouca quantidade e não existia um serviço de agenda. O secretário de redação - que
dará origem ao serviço de agenda - surge em 1965 quando o chefe de redação deixa de
fazer a agenda e passa a existir um funcionário dedicado em exclusivo a esta tarefa e
com a competência da gestão de meios, de gerir os operadores de câmara. Os anos 80
são marcados pela introdução dos computadores e por um sistema interno que permitia
o agendamento em computadores não na datilografia, remetendo para segundo plano o
papel em favor da digitalização. Esta digitalização ou imaterialização permitirá uma
maior conexão e simultaneidade de serviços cada vez mais progressiva quer na relação
com o exterior, quer dentro da própria empresa. As novas dinâmicas da produção de conteúdos - receção de imagens do
estrangeiro, conjuntos de imagens com códigos próprios inseridas no sistema interno de
uma empresa de comunicação social - acessíveis aos jornalistas na redação, alteraram as
rotinas de trabalho, acelerando cada vez mais a velocidade de publicação da notícia. Nas
agendas e nas redações, a leitura dos jornais já não se faz de 24 em 24 horas, mas a cada
minuto de publicação na internet.
Descrição
Relatório de Atividade Profissional de Mestrado em Ciências
da Comunicação – área de especialização em Jornalismo
Palavras-chave
Agenda editorial Informação Redacção Actividade jornalística
Contexto Educativo
Citação
Editora
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa
