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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Os projectos iniciais de construção do ramal de Cascais, remontam à década de
50 do século XIX e eram dependentes da edificação da linha de Sintra. Neste contexto,
destacam-se aqueles que foram apresentados por Claranges Lucotte e por Thomé Gamond,
que visavam ligar a capital a dois espaços de lazer, um associado à montanha, a
vila de Sintra e, outro, associado ao crescente gosto pelos banhos de mar, a vila de Cascais.
Só a partir da apresentação dos projectos de Hersent, Burnay e da Companhia
Real dos Caminhos de Ferro, já na década de 80, é que os planos passaram a apresentar
a linha de Cascais de forma independente. À questão turística e de veraneio inerente aos
objectivos de construção deste ramal, acrescentou-se a ideia de conexão das vias-férreas
à capital e de ligação ao porto de Lisboa. Tendo sido outorgada a construção à
C.R.C.F.P., a sua inauguração deu-se de forma faseada entre o final dos anos 80 e meados
dos anos 90.
Por outro lado, não se deve descurar o pioneirismo desta linha no que concerne à
modernização da via-férrea, motivo pelo qual é bastante importante estudar as razões
que levaram à electrificação do ramal de Cascais (concorrenciais, de preço do carvão e
custo de manutenção da tracção a vapor), incentivando-se uma nova actividade industrial
associada à produção de energia eléctrica. Importa ainda referir como esta modernização
foi perspectivada, sobretudo, no seio da C.R.C.F.P. e a forma como o empresário
Fausto Cardoso de Figueiredo (1880-1950) emergiu neste contexto. A ele está também
associada uma iniciativa num novo sector de actividade, o turismo, materializada no seu
projecto cosmopolita para o Estoril, o Parque Estoril, intimamente relacionada com a
electrificação da linha de caminho-de-ferro.
O ramal de Cascais, construído no final do século XIX, tendo, inicialmente, um
fito turístico, de veraneio e prática de banhos acabou por se revelar, a partir da sua extensão
ao centro de Lisboa e, numa primeira fase, uma via-férrea com um cariz urbano
importante ainda que, a partir de 1901/2, se verificasse um significativo aumento do
tráfego a partir da zona rural e dentro desta. Uma análise mais detalhada do tráfego
mostra que o caminho-de-ferro não só teve influência no desenvolvimento da actividade
turística, como também foi determinante na fixação de população nas povoações suburbanas
e rurais por ele servidas, que já tinham algum relevo demográfico e sector de actividade
a elas associado. Atestou-se, assim, o processo de suburbanização da cidade de
Lisboa o qual, alguns anos mais tarde, originou a formação da Área Metropolitana de
Lisboa.
Descrição
Dissertação apresentada para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção do
grau de Mestre em História, especialização em História Contemporânea
Palavras-chave
História História Contemporânea História Urbana Suburbanização Caminho-de-ferro Lisboa Cascais Algés Estoril
Contexto Educativo
Citação
Editora
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa
