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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
No âmbito da língua portuguesa, a existência de dificuldades morfológicas nas
crianças com Perturbações Específicas do Desenvolvimento da Linguagem (PEDL)
constitui um objeto de estudo que tem merecido escassa atenção. Todavia, é consensual a
literatura realizada para outras línguas, demonstrando a existência de dificuldades ao nível
da morfologia flexional. Apesar de ser unânime a existência de dificuldades de flexão
verbal, a flexão nominal tem sido alvo de controvérsias: alguns autores defendem a
existência de dificuldades na realização do plural por parte desta população, enquanto
outros afirmam que não existem evidências de dificuldades neste domínio.
Comparativamente com a morfologia flexional, a morfologia derivacional
apresenta-se como a grande lacuna na descrição dos défices morfológicos nas crianças com
PEDL. Por serem escassos os estudos referentes a esta temática, são poucos os dados
relativos a crianças com PEDL que permitam corroborar, convincentemente, a hipótese da
organização modular da morfologia no léxico mental. Esta hipótese defende que os
processos de derivação e flexão são representados independentemente no léxico,
apresentando-se como subcomponentes autónomos (Miceli & Caramazza, 1988).
Este estudo tem como objetivo verificar se as crianças com PEDL apresentam
dificuldades na flexão nominal e na derivação, em português, e retirar conclusões, a partir
dos resultados, sobre a representação da derivação e da flexão no léxico mental.
Para este efeito, foi construído um teste que pretende investigar a flexão nominal
em número e, no âmbito da morfologia derivacional, a produção de nomes agentivos (AG)
e instrumentais (INST) deverbais, através de uma tarefa de produção elicitada que inclui
itens relativos a palavras e a pseudopalavras.
A amostra consiste em seis crianças monolingues com PEDL, com idades
compreendidas entre os 4;8 e os 7;5. Realizou o teste, também, um grupo de controlo,
constituído por nove crianças com desenvolvimento típico, com idades entre os 4;6 e os
7;10.
O cruzamento dos resultados do desempenho dos dois grupos demonstrou
assimetrias nos itens de morfologia derivacional, favorecendo o grupo de controlo: este
grupo evidenciou uma percentagem de 81.5% de respostas corretas nos itens relativos a
palavras e pseudopalavras, enquanto as crianças com PEDL apresentaram, apenas, 41.6%
de respostas corretas nos itens relativos a palavras e 23.6% nos itens de pseudopalavras.
Contrariamente, nos itens de morfologia flexional, os resultados foram simétricos: ambos
os grupos apresentaram percentagens totais de respostas corretas nos itens relativos a
palavras; nos relativos a pseudopalavras, o grupo de controlo obteve, igualmente, uma
percentagem total de respostas corretas, enquanto as crianças com PEDL apresentaram
94.4% de respostas corretas.
Pode concluir-se que, no momento da aplicação do teste, as crianças com PEDL
estudadas não apresentavam dificuldades na flexão nominal em número; contudo,
evidenciavam dificuldades no âmbito da morfologia derivacional. Os resultados indiciam, portanto, a existência de um défice seletivo da componente derivacional, o que enfatiza a
sua autonomia funcional e permite inferir que flexão e derivação constituem
subcomponentes autónomos do léxico mental.
Descrição
Dissertação apresentada para cumprimento dos requisitos necessários à
obtenção do grau de Mestre em Desenvolvimento e Perturbações da Linguagem
na Criança, área de especialização em Terapia da Fala e Perturbações da
Linguagem
Palavras-chave
Perturbações específicas do desenvolvimento da linguagem Flexão nominal Derivação Nomes agentivos deverbais Nomes instrumentais deverbais Léxico mental
Contexto Educativo
Citação
Editora
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa ; Escola Superior de Saúde, Instituto Politécnico de Setúbal
