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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
A tese que apresento tem por finalidade mostrar de que forma um elemento
das Marchas Populares de Lisboa (MPL) – a música – tem desempenhado um papel
importante na construção dos parâmetros de identidade social da cidade e dos seus
bairros.
A música é aqui entendida como a expressão ao nível sonoro de uma
actividade complexa, que se desenvolve em sociedade. Isto é, as MPL não acontecem
na sociedade, mas fazem parte desta e ajudam a construí-la. Consequentemente, não é
só a música que acontece em sociedade, mas a sociedade é algo que também acontece
na música. Esta dialéctica dá-se a conhecer na performação musical. “Prática que
evoca e organiza memórias colectivas e experiências presentes de um lugar com uma
intensidade, poder e simplicidade incomparável com qualquer outra actividade
social”. (Stokes 1994:3, trad. autor)
Esta capacidade da performação justifica o seu estudo, pois fornece os
significados através dos quais as identidades bairristas são construídas e modificadas.
Torna-se assim um elemento analítico para conhecermos os “lugares” construídos
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através da música e as hierarquias sociais de ordem moral e política. Ou seja, a
cidade, os bairros e as suas gentes.
O envolvimento do nome de uma cidade numa actividade, não é por si só
reveladora da presença de uma actividade urbana. Contudo, no caso em estudo
estamos perante uma actividade cultural urbana, pelo facto de esta se apoiar num
conceito urbano: o bairrismo. Outro facto que caracteriza as MPL como uma
actividade urbana é a sua organização nocturna. Na década de 1930 seria impossível a
sua organização num espaço rural, pois não existia iluminação pública.
Segundo alguns autores, as MPL surgiram da necessidade de controlar as
antigas marchas que aconteciam espontaneamente nos bairros fora do domínio do
poder político. Mas o facto do concurso das MPL ter surgido em plena ascensão do
regime político salazarista, e de ter sido idealizado por Leitão de Barros, um nome
ligado ao mesmo regime, serão razões suficientes para se afirmar que estamos perante
uma tradição inventada pelo poder político? E terá sido o povo pelo seu entusiasmo
que levou a Câmara Municipal de Lisboa (CML) a organizar as MPL em 1934, na sua
segunda edição, conforme se pode ler na literatura jornalística da época?
O que não deixa dúvidas é a organização das MPL, em 1932, por parte de
Leitão de Barros a convite do então director do Parque Mayer, Dr. Campos
Figueiredo, com o objectivo de dinamizar uma das mais recentes sala de espectáculos
da cidade, tendo utilizado elementos pré-existentes da cultura bairrista, aos quais
juntou uma componente competitiva.
Descrição
Palavras-chave
Marchas populares Identidade social Música popular
