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Orientador(es)
Resumo(s)
Praticamente desde o início, a obra de Rui Chafes (n. Lisboa, 1966) tem sido vista à
luz das referências românticas evocadas tanto pelo próprio artista – em textos e
entrevistas – como patentes na sua escultura – nomeadamente, por via dos títulos,
assumidos como parte integrante da obra.
Rui Chafes enquadra-se, evidentemente, numa longa linhagem de artistas que recusam
a dominância absoluta do espistémico e que, contra o racionalismo iluminista,
propõem a revitalização do mito como experiência humana fundamental. Dele se pode
assim dizer um romântico. Contudo, face à retórica de claridade de cariz modernista, o
seu impulso contra-iluminista traduz esse fundo romântico genérico num tipo de
sensibilidade específica – uma sensibilidade que, nesta dissertação, identificaremos
como devedora da poética sombria e do sublime extremado e violento do Gótico.
A presente dissertação procurará reenquadrar a obra de Chafes através de uma
aproximação aos mecanismos e estratégias operativas do Gótico contemporâneo,
propondo-o não como um género, mas como uma sensibilidade marcada por um conjunto de pressões a agir sobre ou dentro do romântico e cujos princípios de
fundo, integram a escultura de Chafes – com a sua aura de anacronismo antigo, a um
tempo melancólica e extática, erótica e bélica – numa das mais proeminentes vias da
arte do nosso tempo, ligada ao regresso à metafísica.
Depois da procura de libertação do inconsciente reprimido e da dissolução do eu do
Dadaísmo e do Surrealismo, nas artes plásticas da segunda metade do século XX a
recorrência da sensibilidade gótica caracterizou-se regularmente por um tipo de
investigação do espaço físico envolvendo noções de aprisionamento e claustrofobia; a
caminho do final do século, nomeadamente com o desenvolvimento e crescente
visibilidade do trabalho de artistas como Tony Oursler, Mike Kelly, Paul McCarthy,
Cindy Sherman ou Raymond Pettibon, o abrir da cripta torna-se mais ansioso e
material, ou mesmo obsessivo, explorando, nomeadamente, o informe e o abjecto.
A partir da escultura e do desenho, faceta da sua produção artística que Chafes
mantém com regularidade diária desde o início do seu percurso mas que optou por não
expôr até há um ano, veremos como conceitos como informe e abjecto surgem na sua
obra numa tentativa cinstante de aproximação à noção de desmaterialização tal como
concebida pela arquitectura gótica.
As mais recentes inflexões na obra e pensamento teórico do artista libanês
Walid Raad servem de enquadramento a uma releitura de obras que, podendo não ser
primeiramente identificadas como góticas, partem de mecanismos de carácter gótico.
A obra de Joseph Beuys, com os seus objectos do quotidiano imbuídos de radiação
transcendental, de Paul Thek, com a erótica dos seus relicários tecnológicos, e
Matthew Barney, com o ritualismo exacerbado de toda a sua cosmogonia wagneriana,
surgem como contrapontos à forma como Chafes persegue não uma lógica de
comunicação visual, mas de magia visual, herdeira da arte xamânica vinda do
romantismo de ramificação medieval. A escultura de Richard Serra surge como
negativo da importância e simbologia do ferro dentro do corpo de obra de Chafes.
Descrição
Tese de mestrado em ciências da comunicação, variante comunicação e artes
Palavras-chave
Gótico Novo Gótico Romantismo Irracionalismo Sublime
Contexto Educativo
Citação
Editora
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa
