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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Este estudo incide sobre o corpo profissional dos Arquitectos Paisagistas.
Interessa-nos conhecer quais os requisitos necessários ao exercício dessa profissão; como
se encontram definidas as suas competências relativamente a profissionais de outras áreas
com quem interagem em contexto de trabalho; como decorre a prática profissional numa
área em que cotejam e partilham tarefas e decisões com outros profissionais; havendo
conflitos inter-profissionais, desejávamos compreender em que tipo de regime se inserem
as suas justificações e, consequentemente, qual das partes em conflito apresenta uma
justificação mais justa. Assim, verificámos que o ensino da Arquitectura Paisagista em
Portugal se iniciou nos anos quarenta do Séc. XX, no Instituto Superior de Agronomia,
sendo ministrado, actualmente, em cinco estabelecimentos de ensino público e um
estabelecimento de ensino particular. Trata-se de uma profissão com competências para
intervir em espaços exteriores ao nível do território, da cidade e do ambiente, cuja
estrutura curricular da sua formação apresenta uma vasta área de disciplinas no âmbito
das artes e das ciências. Profissão dos tempos modernos, foi com a Revolução Industrial
que surgiu a necessidade de desenvolver esta área do conhecimento para resolver
problemas complexos trazidos pela Modernidade, nascendo assim uma nova profissão a
partir do ofício de jardineiro.
Exercendo a sua actividade normalmente inseridos em equipas pluridisciplinares,
apesar da especificidade e abrangência do seu curriculum, no ano de 2009 foi criada
legislação que retira competências que lhes cabiam, colocando-os numa posição de
subalternidade face a outros técnicos com quem interagem o que provoca
constrangimentos e mal-estar profissional, podendo originar, igualmente, conflitos.
Analisando esse mal-estar à luz da sociologia dos regimes justificativos da acção,
verificámos que os nossos entrevistados apresentam justificações que são susceptíveis de
enquadramento em diferentes cités. Assinalámos alguns depoimentos que, engrandecendo
a componente artística da arquitectura paisagista, se inscrevem numa cité inspirada. Em
outras observações, registámos afirmações que evocam, entre outros, a defesa do
ambiente através de soluções que protegem os solos, inserindo-se pois numa cité
ecológica.
Indagando sobre eventuais focos de conflito, verificámos que a legislação
constituída no ano de 2009, veio criar à classe algum mal-estar ao nível das relações
interprofissionais. Por esse motivo, verificamos que os seus discursos apresentam uma
consciência des-singularizada, coincidente com o discurso da Associação de classe onde
se colectivizam e de quem esperam uma acção em prol do bem comum. Tal justificação
obedece aos requisitos de uma cité cívica, opondo-se à cité industrial em que se baseiam
os dispositivos legais que, no seu entender, limitam a sua actividade enquanto
profissionais. Em outros pontos do seu discurso apresentam-se em oposição à cité mercantil dos que pretendem a rentabilidade económica do solo em detrimento de uma
prática ecológica sustentável, no seu entender mais justa.
Finalmente, exibem a sua contrariedade e dão sinais de uma identidade magoada,
quando, enquadrados numa cité industrial, exaltam a especificidade da sua formação,
opondo-se à legislação que os coloca numa posição subalterna relativamente a
profissionais de outras áreas com quem trabalham em equipa.
Descrição
Dissertação apresentada para cumprimento dos requisitos necessários à
obtenção do grau de Mestre em Sociologia do Território, da Cidade e do
Ambiente
Palavras-chave
Modernidade Profissão Regime justificativo de acção, Bem comum Identidade magoada Grandeza Sociologia da crítica
Contexto Educativo
Citação
Editora
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa
