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Platão e o Cavalo de Pau: aspectos do problema da síntese e da constituição do acesso no Teeteto

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Resumo(s)

Este estudo procura aprofundar alguns problemas centrais de interpretação do Teeteto de Platão. Para esse efeito, concentra-se numa análise de um trecho do meio do diálogo (184b4-186e12), onde Sócrates introduz a imagem do cavalo de pau. Discute-se o sentido desta imagem, os fenómenos a que faz referência e as suas implicações. O “cavalo de pau” descrito por Sócrates no Teeteto ilustra um modelo de compreensão: um determinado modo de interpretar o nosso acesso às coisas. Por um lado, exprime um peculiar fenómeno que é, de certo modo, o protagonista do Teeteto: um fenómeno de compreensão espontânea do nosso acesso às coisas que habitualmente acompanha este mesmo acesso e faz parte integrante dele. É este mesmo fenómeno que se exprime no αἰσθάνεσθαι de 151e e que volta a constituir o ponto de partida de 184b. Por outro lado, este fenómeno distingue-se pelo seu carácter confuso, indiferenciado: trata-se de uma compreensão que não é vazia, que inclui determinações (e até mesmo um intricado complexo de determinações) – mas de tal modo que essas determinações são em grande parte vagas e estão articuladas entre si de forma confusa, frouxa ou muito pouco aguda. A análise do modelo do cavalo de pau é desenvolvida de tal modo que procura pôr em evidência o referido fenómeno de auto-compreensão espontânea do nosso acesso às coisas e também a forma como este fenómeno está presente (e desempenha um papel marcante e decisivo), tanto no olhar comum, mais distraído, quanto no próprio olhar “teórico”. Ora, entre outros aspectos, esta auto-compreensão inclui um certo entendimento do modo como as diferentes αἰσθήσεις se conjugam ou ligam entre si (ou seja, um certo entendimento da respectiva σύνθεσις ou κοινωνία). Neste aspecto, o que o Teeteto mostra é ao mesmo tempo a) que esse entendimento corresponde àquilo que Sócrates descreve como o modelo do cavalo de pau e b) que tal modelo afinal é frágil, tem “pés de barro” e na verdade fica muito longe de permitir compreender eficazmente aquilo que pretende captar. Por outra parte, a análise da questão do cavalo de pau e da sua relação com o referido fenómeno de auto-compreensão espontânea do nosso acesso às coisas dá lugar a uma tentativa de reinterpretação do nexo entre o passo relativo ao cavalo de pau e os diferentes desenvolvimentos que o precedem no curso do Teeteto. Por outras palavras, para se entender 184b e ss., procura-se perceber melhor a sua relação com 151e, bem como os antecedentes de 151 e toda a discussão que medeia entre 151 e 184. Mas, além disso, procura-se também perceber a relação com todo o curso ulterior do diálogo e “decifrá-lo” como uma continuação daquilo que se encontra em 151 e 184, ou seja: como um conjunto de passos em que sucessivamente vão sendo identificadas e postas em causa (quer dizer, desmascaradas como algo igualmente frágil e insuficiente) diferentes componentes da referida auto-compreensão espontânea do nosso acesso às coisas. Assim, o que acaba por se desenhar, mesmo que só em esboço, é uma tentativa de reinterpretação global do Teeteto.

Descrição

Dissertação apresentada para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção do grau de Mestre em Filosofia Geral

Palavras-chave

Platão Teeteto conhecimento confusão/distinção percepção representação síntese cavalo de pau

Contexto Educativo

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Editora

Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa

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