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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
O género fantástico foi, ao longo dos anos, objecto de inúmeras definições e
considerações. No entanto, Tzvetan Todorov ocupa sem dúvida um lugar fundamental
na sua teorização, com Introduction à la littérature fantastique, extensa obra dedicada
ao tema, publicada em 1970. Seguindo a definição de Todorov, o fantástico é um género
que se caracteriza por uma «percepção particular de acontecimentos estranhos»15, que se
fundamenta numa hesitação do leitor em relação à natureza desses factos. O leitor em
geral identifica-se com o protagonista e faz sempre uma leitura que recusa tanto a
interpretação alegórica como a poética. O sobrenatural surge da linguagem, tornando-se
um símbolo desta. O narrador é participante e normalmente o protagonista, um duplo
estatuto que lhe confere posições diferentes: o discurso como narrador não tem de ser
submetido à prova de verdade, enquanto o discurso como personagem pode ser
mentiroso. «Se o acontecimento sobrenatural nos fosse contado por um narrador desse
tipo [narrador não participante] estaríamos imediatamente no maravilhoso; mas haveria
possibilidade, com efeito, de duvidar de suas palavras; mas o fantástico [...] exige a
dúvida16.» Além disso, é «quem conta» que permite a identificação do leitor com a
personagem. Ao mesmo tempo, este narrador deve ser um «homem médio»,
precisamente para permitir esse reconhecimento. Mas que funções tem o fantástico?
Socialmente, permite «franquear certos limites inacessíveis quando a ele não se
recorre»17, abordando temas que normalmente são alvo de censura externa e interna,
como o incesto.
Descrição
Dissertação apresentada por Isabel Rute Araújo Branco
à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da
Universidade Nova de Lisboa para obtenção do grau de Mestre em Estudos Portugueses, área de Literatura Comparada.
Palavras-chave
Contexto Educativo
Citação
Editora
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa
