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Revista da FCSH -1994/1995

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  • A "medida das coisas" entre o homem e Deus. Algumas reflexões sobre o frag. 1 de Protágoras
    Publication . Pinto, Maria José Vaz
    O objectivo desta curta comunicação desdobra-se em dois momentos: destacar alguns pontos significativos da referida interpretação platônica, a fim de equacionar o impacto da incisiva passagem das Leis; questionar o efectivo sentido da tese protagórica, no âmbito da meditação pré-socrática sobre as capacidades próprias do anthrôpos. Pretende-se tomar patente que a controversa formulação cobra sentido, sobretudo, no contexto da oposição entie os deuses e os homens, deixando transparecer, mais do que uma reivindicação de poderio, uma nítida consciência dos limites humanos.
  • Antero de Quental e a geração de 50
    Publication . Pereira, José Esteves
    Antero de Quental (1842-1891) toma-se em 1865, e em 1871, arauto de uma geração que define como tendo saído decididamente e conscientemente, da "velha estrada da tradição".*^' Esta geração que, primeiro em Coimbra, com a polêmica do "Bom senso e do Bom gosto", e depois em Lisboa, com as Conferências do Casino Lisbonense se abre às novas correntes de pensamento europeu faz, também, o balanço do liberahsmo político e cultural do país retomando projectos frustrados de uma significativa geração: a de 1850. A geração a que pertencem, José FeHx Henriques Nogueira, Antônio Pedro Lopes de Mendonça e Sousa Brandão foi marcada pelos acontecimentos revolucionários europeus de 1848 e procura superar a crise do liberalismo português, no rescaldo da Patuleia e da intervenção anglo-espanhola que conduz à convenção de Gramido e põe termo à guerra civil. O que pretendo aqui apresentar é a apreciação que Antero de Quental vem a fazer de dois dos mais significativos expoentes da geração de 50: José Felix Henriques Nogueira (1825-1858) e Antônio Pedro Lopes de Mendonça (1826-1865).
  • Figuras literárias de magas e imagens de Sabat na obra de Gil Vicente
    Publication . Palla, Maria José
    Propomo-nos analisar a feitiçaria em Portugal no século XVI a partir de um texto teatral. As personagens aqui estudadas são figuras literárias que se encontram um pouco por toda a Europa nessa época. Estamos, portanto, no domínio da literatura e é curioso constatar como, mais uma vez, ficção e realidade se confundem. Analisaremos neste trabalho o mundo da feiticeira*^' e da alcoviteira*^' assim como o sabat na obra de Gil Vicente, autor activo entre 1502 e 1536, ano da sua morte e da instauração da Inquisição em Portugal. A sua obra compõe-se de mais de quarenta peças de teatio (religiosas, farsas, comédias e tragicomédias), em língua portuguesa e castelhana. Este autor escreveu para a corte portuguesa durante o reinado de três reis: D. João II, D. Manuel e D. João III, que o protegeram e foram seus mecenas.
  • Da igualdade perante a lei ao imposto per capita na teoria de Thomas Hobbes
    Publication . Santos, Maria Helena Carvalho dos
    É nas épocas de crise que os pensadores, antecipadamente a outios grupos sociais, analisam as sociedades que a sua inteligência começa a rejeitar e, de forma corajosa, mais ou menos coerentemente, tentam encontrar respostas alternativas para os males que afligem, directa ou indirectamente, os cidadãos. De forma arrojada, mas também cautelosa, imaginam o futuro, muitas vezes apoiados nas muletas de um passado longínquo que, por isso mesmo, por ser passado e ser longínquo, pode fornecer pistas de reflexão sem os gravames de um exagerado apego às realidades do quotidiano. Num tempo em que foi preciso atribuir novos valores ao Estado e criar fundamentos político-ideolôgicos a uma burguesia que devia conquistar o poder, ora conservando, ora inovando sectores constitutivos do Estado e da relação entre Estados, quando as nacionalidades se sobrepunham aos príncipes e a soberania se aproximava das organizações representativas das nações, eram os pensadores que partiam de uma certa reahdade para a abstracção do futuro, apoiando-se nas vivências conhecidas das guerras e de outias calamidades que fomentavam a instabíHdade ou recuperando o que os clássicos haviam pensado em tempos recuados perante idênticas questões.
  • Nota sobre o problema da referência
    Publication . Sàágua, João
    As expressões "O vencedor de Jena" e "O vencido de Waterloo" têm, de modo óbvio, sentidos diferentes, mas referem o mesmo indivíduo, Napoleão Bonaparte. O mesmo se passa com as expressões "Estrela da Manhã" e "Estrela da tarde", que também referem um mesmo objecto, na circunstância o planeta Vénus. Se olho de um terceiro andar para um carro parado na rua, terdio dele uma dada percepção, sob uma certa perspectiva. Estas, perspectiva e percepção, são naturalmente diferentes daquela que o indivíduo que está dentro do referido carro tem, mesmo que ocorram no mesmo tempo objectivo. E, no entanto, o objecto a que ambas as percepções, a minha e a dele, se referem é o mesmo: o carro parado na rua. Recordo-me hoje de uma fórmula que, há frês dias, escrevi no quadro, quando dava uma aula de Lógica, constato que (se a memória não me falha) me tinha esquecido de colocar uma negação antes do quantificador existencial. A "representação" que tenho hoje em recordação da fórmula e aquela que, em percepção, dela tive então, são sem dúvida, diferentes: mas a fórmula a que ambas se referem é, obviamente, a mesma. Não vale a pena continuar a multiplicar exemplos. O leitor já terá sido sensível à natureza do problema: "como é que uma multiplicidade de representações diferentes, lingüísticas, perceptivas, recordações, etc, se podem referir a um mesmo objecto?". E complementarmente: "como explicar a nossa referência ao objecto independentemente de cada uma das representações particulares que fazemos dele ou dos predicados que lhe atiibuímos?"
  • Democracia e liberdade, em África
    Publication . Rosário, Lourenço do
    Quando um encontro como este serve para comemorar a independência de um Pais, Moçambique, e quando ao mesmo tempo se colocam diversas interrogações sobre o rumo que os países africanos podem tomar, é natural que seja necessário procurar reflectir sobre os factores que eventualmente bloqueiam os processos de govemação africana de forma a que os seus povos possam aspirar a viver em paz com os seus dirigentes e na sua terra. A colonização portuguesa, contrariamente àquilo que os directos interessados pretendem fazer crer, não foi, quanto à natureza, diferente de outras colonizações européias, em África. Podemos afirmar que as diferenças se situam no estilo. Deste modo, a aparente tolerância racial tão propalada pelas autoridades coloniais, defendida, inclusivamente, por certos antropólogos ao seu serviço, coadunava-se com o estágio de desenvolvimento sócio cultural em que se encontrava a maior parte dos agentes da colonização portuguesa, em Moçambique, como, de resto, nas restantes colônias portuguesas, em África.
  • Para uma fenomenologia da explicação
    Publication . Reimão, Cassiano
    W. Dilthey resolveu a questão da relação entre explicação e compreeensão em termos dicotômicos; a compreensão seria específica das ciências humanas; a explicação pertenceria às ciências da natureza. Esta aporia da explicação-compreensão, cential para a hermenêutica, estava implícita no projecto de Schleiermacher da constiução de uma Hermenêutica Geral que distinguiria os factores internos (subjectivos) dos factores externos (objectivos) de um autor e da sua obra, associando a estes dois planos dois métodos: o método psicológico e o método gramatical. Para Dilthey, a explicação pertenceria ao domínio dos objectos não humanos; a compreensão implicaria a subjectividade irredutível do mundo humano (a experiência interna vivida "Erlebnis" dos homens); a compreensão, no entender de Dilthey, referir-se-ia à vida psíquica (vida como conjunto de relações intersubjectivas, perpassadas por uma conexão dinâmica). Com a preocupação implícita de mostrar que a explicação e a compreeensão não são estratégias dicotômicas, mas, como refere P. Ricoeur, processos dialecticamente complementares, interdependentes, na relação operativa do homem com o mundo, isto é, no interior do inquebrantável círculo hermenêutico, estabelecido entre o homem e o mundo, aborda-se, neste trabalho, o processo de explicação, central no projecto metodológico científico, dirigido à constiução da teoria científica, apresentando-o numa perspectiva analítico-descritiva, na busca, na medida do possível, de uma evidência fenomenolôgica.
  • A pretensa justificação humanitária da escravidão: o "escravo da força" e o "escravo da fome"
    Publication . Pimentel, Maria do Rosário
    Até meados da segunda década do século XVIII, o tráfico negreiro e a escravidão foram realidades bem aceites, apenas importunadas por críticas pontuais que pretendiam pôr em causa uma ou outra prática, mas nunca a instituição que a jurisprudência sancionava. A partir dessa altura, porém, a atenção do europeu, até aí indiferente a estas questões, passou a ser confrontada com contestações que punham em causa a fundamentação e a prática de tais costumes, lançando assim a dúvida sobre a sua licitude moral. Perante tais reacções, os escravistas socorreram-se das mais variadas justificações para fundamentar esse estado de sujeição absoluta, em especial do homem africano. Na sua perspectiva, a escravatura era um bem vantajoso tanto a brancos como a negros e, por isso, era necessário salientar os aspectos positivos de que se revestia e pôr a claro o que consideravam ser o utopismo abolicionista. Para tal, não hesitaram em expor os seus cálculos econômicos, as suas análises políticas e sociais, as suas especulações religiosas e genéticas, as suas interpretações jurídicas, os seus sentimentos humanitários, revestidos por vezes de engenhosas, mas nem sempre convincentes, construções mentais.
  • Figuras do Dom (em torno do miserere de João Morais Barbosa
    Publication . Mourão, José Augusto
    Arrisquemos a hipótese que o texto é um corpo (o seu nível mais profundo é o nível tensivo) e que as perturbações, o seu aparecer sensível se manifestam à flor da sua pele (da sua manifestação). Que se singulariza à flor da pele deste texto senão o drama do tempo e do afecto, o excesso do mal e a vertigem da falta? E não é esta escrita, a escrita de si como ascese, na fronteira da experiência (da morte) e da literatura (impossível)? Quão longe estamos já do Roland Barthes para Roland Barthes (1975), em que se dizia: Tudo isto deve ser considerado como dito por um personagem de romance. Esse era um livro que bem se podia chamar Contre Vautobiographie. Mas este, que livro é este, afinal*^', que não sendo contia a literatura, é tão pouco literário? Um livro de espiritualidade, certamente, dado o modo de textualização por que identificamos esse registo de escrita e o seu dispositivo enunciativo, antes de mais. Mas é sobretudo um Hvro de confissão, autobiográfico, onde não falta a presença do "eu" que escreve, na passagem da terceira pessoa, do professor que enuncia conhecimentos, à primeira pessoa do homem agostiniano, observador de si mesmo, que diz: no instante que agora vivo, estou aqui (p. 131), a partir do seu presente, do seu corpo próprio.
  • Goa em 1535: uma cidade manuelina
    Publication . Moreira, Rafael
    A conquista definitiva de Goa por Afonso de Albuquerque no dia de Santa Catarina (25 de Novembro) de 1510 é um dos episódios melhor conhecidos na história da expansão portuguesa no Oriente*^'. Também a época de apogeu da "Goa Dourada" das últimas décadas do século XVI e do XVII, de que tão ricos testemunhos nos ficaram na documentação histórica, na arte, e nos relatos de viajantes estiangeiros, tem merecido crescente interesse por parte de uma historiografia mais atenta às várias incidências da presença européia no Índico. Entre uma e outra, porém, a fase intermédia de "arranque" da cidade e de sua progressiva afirmação, superando Cochim como capital e canalizando o lucrativo comércio com o Decão — afinal, o período decisivo em que a sociedade goesa forjou a sua peculiarissima personalidade cultural e escolheu o seu destino — não tem obtido senão referências gerais e raros estudos*^'. É, pois, com satisfação que trazemos a público um documento desse período que julgamos revelador e que merece divulgação na íntegra.