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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
As expressÔes "O vencedor de Jena" e "O vencido de Waterloo"
tĂȘm, de modo Ăłbvio, sentidos diferentes, mas referem o mesmo indivĂduo,
Napoleão Bonaparte. O mesmo se passa com as expressÔes "Estrela da
Manhã" e "Estrela da tarde", que também referem um mesmo objecto, na
circunstùncia o planeta Vénus. Se olho de um terceiro andar para um
carro parado na rua, terdio dele uma dada percepção, sob uma certa
perspectiva. Estas, perspectiva e percepção, são naturalmente diferentes
daquela que o indivĂduo que estĂĄ dentro do referido carro tem, mesmo
que ocorram no mesmo tempo objectivo. E, no entanto, o objecto a que
ambas as percepçÔes, a minha e a dele, se referem é o mesmo: o carro parado
na rua.
Recordo-me hoje de uma fĂłrmula que, hĂĄ frĂȘs dias, escrevi no
quadro, quando dava uma aula de LĂłgica, constato que (se a memĂłria
não me falha) me tinha esquecido de colocar uma negação antes do
quantificador existencial. A "representação" que tenho hoje em recordação
da fĂłrmula e aquela que, em percepção, dela tive entĂŁo, sĂŁo sem dĂșvida,
diferentes: mas a fĂłrmula a que ambas se referem Ă©, obviamente, a mesma.
NĂŁo vale a pena continuar a multiplicar exemplos. O leitor jĂĄ terĂĄ sido
sensĂvel Ă natureza do problema: "como Ă© que uma multiplicidade de
representaçÔes diferentes, lingĂŒĂsticas, perceptivas, recordaçÔes, etc, se
podem referir a um mesmo objecto?". E complementarmente: "como
explicar a nossa referĂȘncia ao objecto independentemente de cada uma das
representaçÔes particulares que fazemos dele ou dos predicados que lhe
atiibuĂmos?"
Descrição
pp. 269-279
Palavras-chave
Contexto Educativo
Citação
Editora
Faculdade de CiĂȘncias Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa
