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IHMT: CT - Teses de Doutoramento

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  • Mortality and associated factors in children under five years old admitted to the David Bernardino paediatric hospital, Luanda, Angola
    Publication . AVELINO, Israel Cussumua; VARANDAS, Luís Manuel; VAN-DÚNEM, Joaquim Carlos Vicente Dias
    Contexto: Apesar da redução substancial da mortalidade em menores de cinco anos nas últimas duas décadas, Angola permanece entre os países com taxas mais elevadas da África Subsariana. Este fardo persiste pela convergência de vulnerabilidades clínicas, desigualdades sociais e barreiras sistémicas. Contudo, análises hospitalares detalhadas são escassas embora cruciais para orientar políticas. Objetivos: Identificar e caracterizar fatores de risco associados à mortalidade intra-hospitalar em crianças menores de cinco anos internadas no Hospital Pediátrico David Bernardino (HPDB), Luanda, entre junho de 2022 e maio de 2023. Especificamente, a tese visou: 1. Descrever perfis sociodemográficos e clínicos de crianças entre 28 dias e cinco anos internadas no HPDB (Artigo II); 2. Examinar determinantes distais e intermédios da mortalidade intra-hospitalar, incluindo educação materna, estatuto socioeconómico, habitação, nutrição, peso ao nascer e cuidados pré-natais (Artigos II e III); 3. Caracterizar perfil clínico e microbiológico das infeções por Streptococcus pneumoniae e avaliar a sua associação com mortalidade infantojuvenil (Artigo IV); 4. Identificar preditores independentes de óbito através de regressão logística multivariável, com ênfase em resistência antimicrobiana (Artigo IV). Métodos: A tese integra quatro artigos científicos interligados e revistos por pares: • Revisão sistemática, conforme PRISMA, de 39 estudos sobre determinantes da mortalidade em menores de cinco anos em África (Artigo I); • Dois estudos caso-controlo hospitalares envolvendo 1.020 crianças entre 28 dias e cinco anos (Artigo II) e 318 recém-nascidos (Artigo III); • Estudo transversal hospitalar sobre infeções pneumocócicas em 258 crianças menores de cinco anos (Artigo IV). Todos guiados por quadro conceptual unificado baseado no modelo de Mosley e Chen, complementado pela teoria ecosocial, Determinantes Sociais da Saúde e interseccionalidade. Resultados: Em todos os estudos, a mortalidade em menores de cinco anos associou-se a determinantes modificáveis e sensíveis ao contexto: • Distais: extremos de idade materna, ausência de escolaridade materna, pobreza, residência rural e défice de cuidados pré-natais; • Intermédios: sobrelotação domiciliar, saneamento precário, atraso na procura de cuidados e habitação inadequada; • Proximais: baixo peso ao nascer, malnutrição, coinfeções e falha vacinal. Nos Artigos II e III, preditores-chave foram: idade materna <19 anos (OR 5,6; IC95%: 3,0–10,8), ausência de educação materna (OR 4,3; IC95%: 1,2–15,7), malnutrição (OR 2,1; IC95%: 1,4–3,2) e internamento ≤24h (OR 13,8; IC95%: 6,2–30,8). A revisão sistemática confirmou relevância destes fatores, sobretudo educação materna, baixo peso ao nascer e acesso limitado a cuidados. No estudo sobre doença pneumocócica, os preditores independentes incluíram doença invasiva (aOR 6,61; IC95%: 2,58–16,93), ausência de vacinação (aOR 8,01; IC95%: 2,51–25,58), sintomas prolongados (aOR 8,82; IC95%: 2,90–26,79), idade <12 meses (aOR 2,36; IC95%: 1,41–3,94) e multirresistência (aOR 3,86; IC95%: 1,50–9,91). Conclusões: A mortalidade em menores de cinco anos em Angola reflete interação sindémica entre risco biológico, desvantagem estrutural e fragmentação do sistema de saúde. A maioria dos fatores identificados é passível de intervenção mediante reforço da educação materna, apoio nutricional, expansão vacinal, gestão criteriosa de antimicrobianos e fortalecimento da atenção primária. Estes achados oferecem base robusta para acelerar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 3.2, reafirmando a sobrevivência infantojuvenil como imperativo nacional e regional.
  • Epidemiology of SARS-CoV-2 in children hospitalized and at schools in urban, peri-urban and rural areas in Maputo, Mozambique
    Publication . BAUHOFER, Adilson Fernando Loforte Bauhofer; GONÇALVES, Luzia; DEUS, Nilsa de; GONÇALVES, Luzia
    Introdução: O surgimento da Síndrome Respiratória Aguda Grave do Coronavírus 2 (SARS-CoV-2) levou à implementação de uma série de intervenções em crianças moçambicanas para prevenir a propagação do vírus e limitar a sobre capacidade das unidades de saúde por casos da Doença do Coronavírus (COVID-19). Neste trabalho, avaliamos a exposição ao SARS-CoV-2 em crianças moçambicanas em escolas primárias selecionadas em Maputo Cidade e Província, estimamos o fardo da COVID-19 na população pediátrica no Hospital Central de Maputo e, por último, avaliamos disponibilidade e prontidão de medidas preventivas contra o SARS-CoV-2 nas escolas primárias de Maputo Cidade. Métodos: Entre Agosto e Novembro de 2022, realizámos um estudo transversal em crianças em quatro escolas nas áreas rural, peri-urbana e urbana de Maputo Cidade e Província. Usou-se testes de diagnóstico rápido para avaliar antígenos SARS-CoV-2 e anticorpos específicos de imunoglobulina M (IgM) e imunoglobulina G (IgG) anti-SARS-CoV-2. No Hospital Central de Maputo foi realizado um estudo transversal de Outubro de 2020 a Outubro de 2022. Os registos disponíveis foram obtidos dos livros de admissão. Para disponibilidade e prontidão contra SARS-CoV-2, foi realizado um estudo transversal entre Agosto e Outubro de 2023. A prontidão - padronizada de 0% a 100% - foi construída com base na frequência relativa das medidas preventivas disponíveis contra SARS-CoV- 2. Escolas com pontuação de 100% foram consideradas prontas. Resultados: A prevalência de anticorpos anti-SARS-CoV-2 IgG ou IgM foi de 76,7% (188/245), 80,0% (192/240) e 85,3% (214/251), nas áreas rural, peri-urbana e urbana, respetivamente. Crianças em idade escolar da área urbana tinham maior probabilidade de ter anticorpos IgG ou IgM anti-SARS-CoV-2 do que crianças em idade escolar da área rural (razão de chances ajustada: 1,679; IC 95%: 1,060–2,684; p-valor = 0,028). No Hospital Central de Maputo a frequência de casos pediátricos admitidos com COVID-19/suspeita foi de 0,6% (IC 95%: 0,5–0,6; 364/63753) e a frequência de casos pediátricos hospitalizados com COVID-19 foi de 2,5% (IC 95%: 2,2–2,9). Em crianças hospitalizadas com COVID-19, 30,0% faleceram (IC 95%: 22,2–39,1; 33/110), sendo maior a percentagem de óbitos em crianças com desnutrição do que em crianças sem desnutrição (61,5% [8/13] vs. 21,3% [16/75], p-valor = 0,005). Entre as medidas disponíveis contra o SARS-CoV-2 implementadas nas escolas primárias, as medidas menos disponíveis foram: a cinza/sabão para lavagem das mãos com 47,7% (52/109) e termómetros funcionais com 31,2% (34/109). A pontuação de prontidão para medidas preventivas contra SARS-CoV-2 variou de 30% a 100%, com mediana de 70%. As escolas prontas foram 13,8% (15/109). A prontidão foi maior nas escolas privadas do que nas públicas (mediana, 90% versus 60%; p-valor < 0,001). Conclusões: Exposição ao SARS-CoV-2 foi significativamente maior nas escolas da área urbana do que na escola da área rural em Maputo Cidade e Província. A mortalidade em crianças hospitalizadas com COVID-19 foi mais comum em crianças desnutridas do que em crianças não desnutridas. Medidas preventivas contra o SARS-CoV-2 nas escolas primárias de Maputo Cidade foi maior em escolas privadas do que públicas.
  • Telemedicine in the care of neglected tropical diseases: international overview and pilot study at a specialized reference service in Brazil
    Publication . SALVADOR, Fernanda Gonçalves Ferreira; VALETE, Cláudia Maria; SILVEIRA, Henrique
    Introdução: As Doenças Tropicais Negligenciadas (DTNs) representam um importante desafio global de saúde pública, afetando de forma desproporcional populações vulneráveis em situação de pobreza de países de baixa e média renda, especialmente em áreas remotas com infraestrutura limitada. A telemedicina apresenta-se como uma estratégia promissora para ampliar o acesso ao cuidado clínico especializado para essas doenças. Objetivo: Esta tese tem como objetivos realizar uma revisão de escopo da literatura internacional para mapear as aplicações existentes da telemedicina no cuidado de DTNs; analisar os desafios e as oportunidades locais para a implementação da telemedicina em dois serviços de saúde situados em países de língua portuguesa; e desenvolver e demonstrar uma proposta de uso adaptado a um contexto local para o manejo clínico de DTNs específicas. Métodos: O presente estudo adotou métodos mistos e seguiu os princípios da metodologia Design Science Research, estruturando-se em três fases sequenciais: (1) revisão de escopo da literatura internacional sobre aplicações da telemedicina em DTNs; (2) aplicação de questionários a profissionais de saúde e realização de entrevistas com gestores em dois serviços públicos de referência nacional - o Instituto de Combate e Controlo das Tripanossomíases (ICCT), em Angola, e o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI-Fiocruz), no Brasil; e (3) avaliação da viabilidade e aceitabilidade de tecnologias de telemedicina no contexto brasileiro, por meio de um estudo piloto para atendimento remoto de pacientes com doença de Chagas (DC) e Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA). Resultados: Na revisão, embora tenham sido identificadas evidências relevantes sobre o uso da telemedicina na LTA, observou-se uma lacuna significativa de estudos voltados à DC e à tripanossomíase humana Africana (THA). Observou-se que a maioria das experiências foi assíncrona (n=7/8) e realizada em contextos de atenção primária (n=5/8). No estudo piloto desenvolvemos um projeto com 38 pacientes de DC e LCA que demonstrou a viabilidade de teleconsultas síncronas via videochamadas pelo aplicativo WhatsApp, com índice de satisfação de 97,5%, mesmo entre indivíduos com baixa ou nenhuma escolaridade e idade avançada. No ICCT, identificou-se interesse da equipe em realizar discussões clínicas por videochamadas, mas a baixa conectividade e a falta de equipamentos emergiram como barreiras limitantes. Conclusão: Embora a popularidade da telemedicina tenha crescido, ainda há uma considerável carência de evidências sobre sua efetividade no tratamento clínico das DTNs. Este estudo demonstrou a viabilidade e a aceitabilidade da telemedicina no grupo atendido pelo INI-Fiocruz, indicando sua aplicabilidade prática e contribuindo para subsidiar pesquisas futuras voltadas à sua implementação local. Conclui-se que a adoção efetiva da telemedicina por videochamadas para o cuidado clínico de DTNs requer mais investimentos em pesquisa e depende de modelos flexíveis, adaptados às especificidades de cada doença e à capacidade de resposta dos serviços e sistemas de saúde - incluindo infraestrutura de conectividade, especialmente em contextos de recursos limitados.
  • Políticas Públicas da investigação científica em saúde nos países africanos de língua oficial portuguesa
    Publication . MENDONÇA, Maria da Luz Tavares de Lima Frederico; FRONTEIRA, Inês; SILVA, António Correia e
    Introdução: A investigação científica em saúde (ICS) desempenha um papel crucial na construção de sociedades mais saudáveis e equitativas. Objetivo: conhecer a dinâmica de desenvolvimento das Políticas Públicas de Investigação em Saúde (PPIS) nos países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP) e o seu efeito no reforço dos sistemas de saúde. Materiais e métodos: a) scoping review (SR); b) um estudo comparativo de casos (ECC) (Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe) que compreendeu uma análise documental e a auscultação de informantes-chave. Adotou-se, como referencial teórico, o modelo de construção dos sistemas de saúde considerando os blocos ou eixos: liderança e governação, financiamento, recursos e infraestruturas, força de trabalho, produtos e tecnologias e informação e divulgação da ICS. Resultados: Na SR foram incluídos 2536 artigos. O número de artigos aumentou gradualmente sendo 2020 o ano em que foram publicados mais artigos (n=195). O PALOP com maior número de artigos publicados foi Moçambique e o menor São Tomé e Príncipe. Os principais eixos de ICS identificados relacionavam-se com as doenças transmissíveis e as emergências em Saúde Pública (n=1038). O eixo da tecnologia em saúde apresentou menor número de publicações (n=20). Ao todo, 351 foram elaborados exclusivamente por autores dos PALOP. Moçambique (n=755) e Guiné-Bissau (n=255) apresentaram o maior número de publicações com autores nacionais. O ECC revelou que ao nível da Liderança e governação nem todos os países estão no mesmo nível de definição da política de ICS e alguns necessitam de reforço dos comités nacionais de ética. Em todos há uma fraca apropriação dos resultados da ICS para a tomada de decisão. O financiamento é um fator limitante para o desenvolvimento de ICS com uma forte dependência de parceiros e de doações externos, o que condiciona as prioridades da ICS aos interesses de organizações internacionais nem sempre alinhados com as necessidades dos PALOP. Em termos de recursos e infraestruturas, na maioria dos países não se observa um compromisso real das Instituições de Ensino Superior para com a ICS. A força de trabalho é um grande desafio em todos os PALOP, verificando-se uma fraca capacidade de reter quadros capacitados, sobretudo no sistema público. A inexistência de uma carreira de investigador efetiva, atrativa e funcional em todos os PALOP foi identificada como uma grande lacuna. Há uma fraca participação da mulher na ICS. Ainda não há um grande investimento em produtos e tecnologias para investigação apesar da existência de políticas generalistas que favorecem a gestão do conhecimento e a integração de tecnologias da investigação científica, mas sem grandes sucessos na área da saúde. No eixo informação e divulgação dos resultados da ICS, nem todos os PALOP têm canais próprios para a divulgação da sua produção científica sendo a barreira linguística a principal limitação. Conclusões: Há necessidade de compromisso dos governos em implementar um sistema nacional de ICS com estratégias claras e financiamento adequado que contribua para que estes países atinjam a cobertura universal em saúde e os objetivos de desenvolvimento sustentável.
  • Leishmaniasis in Portugal: prevalence of asymptomatic infection, knowledge of blood donors and healthcare students and profissionals, and characterization of clinical cases from 2010 to 2020
    Publication . ROCHA, Rafael Amorim; MAIA, Carla Alexandra; CONCEIÇÃO, Maria Cládia; GONÇALVES, Luzia Augusta
    Leishmania infantum, um parasita zoonótico transmitido por vetores, é endémico na região do Mediterrâneo. A infeção assintomática é o desfecho mais comum da exposição ao parasita. Na região do Mediterrâneo, estudos sobre a prevalência da infeção assintomática frequentemente baseados em testes serológicos em dadores de sangue sugeriram seroprevalências regionais entre 1 e 8%. Quando sintomática, a infeção por L. infantum manifesta-se principalmente como leishmaniose visceral (LV), mas também como leishmaniose tegumentar (cutânea – LC - e leishmaniose mucosa - LM). Em Portugal, a notificação às autoridades de saúde pública é obrigatória apenas para os casos de LV e é provável uma subnotificação significativa. Neste contexto, este projeto de doutoramento teve como objetivo esclarecer a situação epidemiológica atual e o impacto da leishmaniose em Portugal, por meio de: (i) avaliação da prevalência de infeção assintomática em dadores de sangue em Portugal Continental; (ii) caracterização dos conhecimentos, perceções e práticas (CPP) de estudantes de saúde, profissionais e dadores de sangue em relação à leishmaniose; e (iii) análise dos aspetos sociodemográficos e clínicos dos casos de LV, LC e LM diagnosticados em hospitais do Serviço Nacional de Saúde em Portugal Continental, entre 2010 e 2020. Para tal, foram realizados três estudos, baseados em: deteção de anticorpos contra Leishmania no sangue e aplicação de um questionário sociodemográfico e de CPP em dadores de sangue; aplicação de um questionário de CPP a estudantes e profissionais de saúde; revisão de dados clínicos de episódios de leishmaniose em processos hospitalares. A seroprevalência verdadeira nacional estimada em dadores de sangue foi de 4,8% (intervalo de confiança a 95%: 4.1-5.5%). Sexo masculino, idade superior a 25 anos e residência na região Centro foram fatores significativamente associados a seropositividade mais elevada, na análise multivariada. No geral, 72,3% dos dadores de sangue já tinham ouvido falar da leishmaniose. Entre estudantes e profissionais de saúde, a leishmaniose animal foi considerada diagnosticada em Portugal por 87% dos participantes, e a humana por apenas 69%. As pontuações médias de conhecimento e perceção foram maiores entre os profissionais de saúde animal. Em hospitais públicos, foram identificados 221 casos de LV, 43 de LC e 7 de LM entre 2010 e 2020. Foi observado um aumento na incidência nacional estimada nos anos após 2016. A LV foi predominantemente diagnosticada em pessoas que vivem com VIH e em crianças, mas o desfecho clínico geralmente foi pior em pessoas com imunossupressão não associada a VIH. Apresentações atípicas foram observadas em 8,5% dos casos de LV. Apenas 49,7% dos novos casos de LV foram notificados. Na LC, indivíduos imunossuprimidos constituíram uma proporção significativa dos casos (48%) e, neste grupo, LC disseminada (22%) e LV simultânea (54%) foram comuns. A abordagem ao tratamento foi muito heterogénea. Os casos de LM foram todos autóctones, diagnosticados principalmente em indivíduos mais idosos, imunossuprimidos, e geralmente foram tratados com anfotericina B lipossomal. Pela interceção de dados de infeção assintomática, casos sintomáticos e CPP obtidos durante este projeto de doutoramento, pode concluir-se que a infeção por Leishmania representa uma ameaça persistente em Portugal. Mesmo assim, o reconhecimento da doença como autóctone em humanos é insuficiente entre a comunidade de estudantes e profissionais de saúde. Os aumentos regionais recentes na incidência e as seroprevalências, inesperadamente altas, devem ser monitorizados de perto para permitir intervenções rápidas. Os programas para controlar a doença devem concentrar-se em fornecer ferramentas para um diagnóstico mais precoce, em reduzir a subnotificação e promover uma vigilância integrada de doença humana e animal, seguindo uma abordagem de Saúde Única.
  • When, Where and Why do newborns not only get sick but also die in Sao Tome & Principe? Analysis of causes and risk factors contributing to perinatal and neonatal morbidity and mortality in a developing country – a case‒control study
    Publication . VASCONCELOS, Alexandra Maria Pinto de Castro; MACHADO, Maria do Céu; PEREIRA, Filomena
    Introdução: A redução da mortalidade neonatal é um objetivo global, mas os seus fatores variam com o contexto de cada país. Em São Tomé e Príncipe (STP), a mortalidade neonatal representa 48% das mortes de menores de cinco anos, mas existe uma importante lacuna de conhecimento. Este é o primeiro estudo em saúde neonatal de STP e tem como objetivo responder a “quando, onde e porquê” os recém-nascidos morrem (incluindo nados-mortos), quais os desfechos adversos ao nascimento (ABOs) e respetivos fatores associados. Métodos: Estudo hospitalar realizado com grávidas internadas para o parto, recrutadas aleatoriamente. A análise das mortes perinatais/neonatais foi realizada numa coorte prospetiva, com as díades-mãe-bebé avaliadas após o 28º dia de vida (n=194). Os ABOs foram estudados por caso-controlo (n=519): recém-nascidos com ABOs (n=176) comparados com saudáveis (n=343). Um estudo retrospetivo dos boletins pré-natais da grávida (n=511) e os seguintes estudos transversais foram realizados: comparação entre mulheres com cuidados pré-natais adequados (n=213) e parcialmente adequados (n=232); grávidas adolescentes ≤19 anos (n=104) e adultas (n=414); grávidas com infeção parasitária intestinal (IPI) (n=210) e sem infeção-IPI (n=151). Foram utilizados modelos de regressão logística, p<0.05 foi estatisticamente significativo. Resultados: Mães (518) e 535 nascimentos (34 gémeos) foram incluídos. No estudo coorte, as mortes (n=22) foram: 72.7% (16) nados-mortos (69% intraparto), 18.2% (4) neonatais precoces e 9.1% (2) tardias (probabilidade de 30 nados-mortos por 1000 nados-vivos e intervalo de taxa da mortalidade neonatal entre 11-31). Fatores significativamente associados à mortalidade foram gravidez de alto-risco [cOR 2.91, IC 95%:1,18-7,22], mecónio [cOR 4.38, IC 95%:1.74-10.98], rotura prolongada de membranas [cOR 4.84, 95% CI:1.47–15.93], transferência de outra unidade [cOR 6.08, IC 95%:1.95–18,90] e parto instrumental [cOR 8.90, IC 95%:1.68–47.21]. No estudo caso-controlo, 66% (n=343) dos recém-nascidos eram saudáveis e 34% (n=176) com ABOs: 17.7% (92) prematuros, 16% (83) baixo peso, 8.1% (42) asfixia, 4% (21) suspeita de sépsis e 1.5% (8) anomalias congénitas. Gravidez gemelar [aOR 4,92, IC 95%:2.25–10.74], rotura prolongada de membranas [aOR 3.43, IC 95%:1.69–6.95], mecónio [aOR 1.59, IC95%:0.97-2.62] e <8 consultas [aOR 0.33, IC 95%:0.18–0.60] foram significativamente associados a ABOs. Nos cuidados pré-natais, 81% tiveram ≥4 consultas, 38.7% ≥8, 51.7% início primeiro trimestre. Exames pré-natais não realizados entre 24%-41% das grávidas, 36% por motivos económicos. Principais diagnósticos pré-natais: IPI (59.2%), bacteriúria (43.2%) e anemia (37%). Gravidez precoce (≤15 anos) em 7.7%, prevalência de gravidez na adolescência de 20.1%. ABOs imputáveis a partos na adolescência: sofrimento fetal [cOR 1.94, IC 95%:1.18–3.18] e realização de manobras de reanimação neonatal [cOR 2.4, IC 95%:1.07–5.38]. A prevalência geral de IPI (IC95%:52.9-63.3), foi principalmente devido a helmintíases (55.9%). Schistosoma intercalatum e Entamoeba histolytica foram encontrados em 3.0% e 1.9%, respetivamente. Mães-IPI comparadas com as não-IPI não apresentaram diferenças estatisticamente significativas em relação aos ABOs. Conclusão: As mortes perinatais e neonatais foram até duas vezes superiores, inesperadamente a maioria foram nados-mortos. As respostas do triplo-Wh: quando morrem (nados-vivos e nados-mortos)? durante o parto, onde? na maternidade e porquê? devido a complicações intraparto. Foram identificados fatores modificáveis, principalmente sinais de alarme intraparto, que devem ser priorizados em intervenções custo-efetivas.
  • The role of α-Gal (Galα1-3Galβ1-4GlcNAc-R) on Plasmodium spp. sporozoites in Anopheles spp. mosquito salivary glands invasion
    Publication . ROCHA, Hélio Daniel Ribeiro; SILVEIRA, Henrique; RODRIGUES, João
    Introdução: Compreender a interação entre Plasmodium e o mosquito Anopheles é crucial para o desenvolvimento de estratégias de controlo e eliminação da malária em áreas endêmicas. A invasão das glândulas salivares do mosquito vetor é uma das etapas mais importantes para a transmissão da malária. Compreender como Plasmodium interage com esse órgão é fundamental para o controle e eliminação da malária. Muitos glicanos estão implicados na interação célula-célula e podem desempenhar um papel central na interação do parasita com o hospedeiro. O glicano Galα1-3Galβ1-4GlcNAc-R ou simplesmente α-Gal é um antígeno importante para o sistema imunológico humano e está presente no Plasmodium. Objetivos: Neste trabalho pretendemos compreender o papel da α-Gal durante a invasão das glândulas salivares de Anopheles spp. e estabelecer a origem da α-Gal presente no Plasmodium. Métodos: Para deteção da α-Gal usou-se a técnica de microscopia de imunofluorescência em esporozoítos de Plasmodium bergei ANKA-GFP (SPZs), oocineto e oócitos, fixados com paraformaldeído a 4% e incubados com o mAbs anti-α-Gal_IgG2b e o secundários IgG anti-rato conjugado com Alexa fluor- 647, com mAbs anti-CSP conjugado com Alexa fluor-647 ou com a Isolectina BSI-IB4 conjugado com o fluoróforo Alexa fluor-647. O antígeno α-Gal foi detectado no intestino médio (MGs) e nas glândulas salivares (SGs) dos mosquitos por microscopia de imunofluorescência e Western Blots. Esporozoítos (SPZs) expressando α-Gal, coletados do MGs (8º aos 23º dias pós-infeção), hemolinfa (14º ao 23º dpi) e SGs (14º ao 23º dpi) de An. Stephensi, foram detetados e quantificados por citometria de fluxo. A expressão do gene UDP-GalT em SPZs obtidos a partir de MGs e SGs, de diferentes dias pós-infeção, foi quantificada por RT-qPCR e comparado usando o método 2-ΔΔct. O papel de α-Gal na interação Plasmodium e as glândulas salivares foi investigado. Os genes do UDP-GalT e das lecitinas do tipo C (CTL) do mosquito foram silenciados usando o método RNA de interferência. RNA(s) de fita dupla específico foi injetado em mosquitos com 8º dia após-infeção. O silenciamento dos genes foi confirmado por RT-qPCR e no 18º dpi as SGs e as MGs foram dissecados e os SPZs quantificados usando o hemocitómetro. O número de SPZs foi comparado com os grupos controle injetados com dsRNA não relacionado. A presença de α-Gal no ensaio de gliding dos SPZs foi investigado usando mAbs anti-α-Gal conjugados com Alexa fluor-647. Além disso, o efeito de mAbs anti-α-Gal e Leciona BSI-IB4 no movimento de glinding dos SPZs foi testado usando microscópica. Resultados: A presença de α-Gal foi detetada por microscopia de imunofluorescência no intestino médio e nas glândulas salivares do mosquito e em esporozoítos e oocinetes de Plasmodium. A percentagem de SPZs que expressaram α-Gal em citometria de fluxo em diferentes dias pós-infeção, não apresentaram diferença significativa entre esses, mas quando SPZs de diferentes origens (SGs, HL e MGs) foram comparados, os SPZs das SGs apresentaram expressão significativamente mais elevada de α-Gal. O número de SPZs de SGs foi reduzido quando o gene UDP-GalT dos mosquitos foi silenciado, enquanto nenhuma diferença foi observada no número de SPZs das MGs, mas uma percentagem reduzida de SPZs expressando α-Gal e menor intensidade de α-Gal foi observada nas provenientes das MGs, mas não nas SG. Dos três genes alvo da lectina do tipo C (CTL)-galactose silenciados com dsRNA, apenas um foi silenciado com sucesso. O silenciamento do gene de ligação à lectina do tipo C (CTL) -galactose resultou em uma redução significativa da invasão de SGs pelos Plasmódios quando comparado ao controlo. No entanto, um incremento na expressão de α-Gal foi observado nesses SPZs. α-Gal não pôde ser detetado no ensaio de glinding dos SPZs e nenhum efeito no movimento dos SPZs foi observado quando encubados com mAbs anti-α-Gal ou lectina BSI-IB4. Conclusão: O antígeno α-Gal está presente em todo o ciclo esporogónio do Plasmodium, apresentando uma origem não exclusiva dos mosquitos. Os dados sugerem que α-Gal está envolvida na invasão da glândula salivar dos mosquitos, possível por meio da interação do recetor, mas não por processo de glinding.
  • Abordagens e desafios para o controlo da malária em Moçambique
    Publication . CASSY, Dalila Annette Rodrigues; CUNHA, Saraiva da; PEREIRA, Filomena Martins
    Introdução: A malária é um dos principais problemas de saúde pública em Moçambique e, apesar de todos os esforços que têm sido efetuados para o seu controlo, a sua prevalência e mortalidade permanecem elevadas. Este trabalho teve como objetivo avaliar fatores relacionados com a elevada prevalência e mortalidade por malária em diferentes zonas de transmissão, em Moçambique. Para tal foram realizados três estudos: 1- Comportamento de procura de cuidados de saúde e práticas de tratamento de malária em crianças menores de cinco anos em Moçambique; 2- Fatores de risco associados a letalidade intra-hospitalar por malária em três unidades sanitárias de uma região de alta incidência de malária, no centro de Moçambique; 3- Padrões de idade de crianças com malária complicada, numa área de baixa transmissão em Moçambique. Métodos: 1- Estudo quantitativo e observacional. Análise secundária de dados do Inquérito Demográfico e de Saúde 2011 e do Inquérito de Indicadores de Imunização, HIV/SIDA e Malária 2015; 2- Estudo descritivo e retrospetivo, com base na análise dos processos clínicos de doentes hospitalizados com o diagnóstico de malária em três unidades sanitárias da província da Zambézia; 3- Estudo observacional e transversal, com base na avaliação de doentes dos dois aos 14 anos, internados por malária complicada no Hospital Central de Maputo. Resultados: 1– A procura de cuidados de saúde foi de 62.6% (835/1432) em 2011 e 63.7% (974/1529) em 2015 e maioritariamente em unidades sanitárias públicas (86.2%; 773/897 em 2011 e 86.7%; 844/974 em 2015). Foi também maior em mães com nível de escolaridade secundário (AOR=2.27 [95% CI 1.15–4.49]) e no quintil de riqueza baixo, em relação ao mais baixo (AOR=1.46 [95% CI 0.83–1.90]). 2- Houve 75 mortes em 893 casos (taxa de letalidade: 8,4%). A letalidade foi associada à presença de complicações (p=0.000), gravidade da doença (p=0.001), idade igual ou superior a 30 anos (p=0.000), preenchimento inadequado da ficha clínica do doente (p=0.013) e atendimento em unidade sanitária de nível primário (p=0.000). 3- Foram incluídas no estudo 50 crianças, das quais 27 (54.0%) eram menores de cinco anos. O sintoma mais comum foi a febre (49/50; 98%), seguida de vómitos (28/50; 56%) e cefaleias (23/50; 46%). Embora os vómitos e as cefaleias tenham sido mais frequentes entre crianças dos cinco aos 14 anos, não se verificou nenhuma relação entre a idade e a apresentação destes sintomas (p=0.577 e p=0.570, respetivamente). A frequência de parasitémia elevada foi igual entre os grupos (11/27; 40.7% dos dois aos quatro anos e 9/23; 39.1% dos cinco aos 14 anos). Conclusões: Há necessidade de se reforçar as estratégias de comunicação para mudança social e de comportamento para aumentar a procura de cuidados de saúde para febre, para reduzir o risco de doença grave e morte. Para reduzir tais mortes é necessário também que haja uma melhoria nos serviços prestados, especialmente em unidades sanitárias de nível primário. É necessário desenvolver estratégias de vigilância para deteção das mudanças epidemiológicas para que se possa intervir de forma adequada nos diferentes contextos de transmissão.
  • Avaliação do tratamento massivo no controlo da filaríase linfática, schistosomíase e das geohelmintíases no distrito de Murrupula e cidade de Nampula, Moçambique
    Publication . NELSON, Olga Maria da Conceição; TEODÓSIO, Rosa Maria Figueiredo; BELO, Silvana Maria Duarte
    A Filaríase Linfática (FL), a Schistosomíase (SCH) e as geohelmintíases (ou helmintíases transmitidas pelo solo - HTS) são doenças negligenciadas que afetam principalmente as comunidades de baixo rendimento e representam um problema sério de saúde pública em Moçambique. Este estudo teve como objetivo principal, avaliar a situação epidemiológica dessas doenças numa área urbana (Nampula) e numa área rural (Murrupula) e o impacto das intervenções terapêuticas na redução da prevalência dessas doenças assim como o efeito destas medidas na redução da anemia e subnutrição em crianças dos cinco aos 14 anos de idade. O estudo decorreu de 2012 a 2014. Nos três anos participaram no total 4870 indivíduos. No primeiro ano realizou-se um inquérito sociodemográfico por entrevista onde participaram 786 indivíduos de ambos os géneros e idade de cinco a 89 anos. No total, foi feita a avaliação da prevalência da FL em 2800 indivíduos a partir dos cinco anos de idade, utilizando o teste imunocromatográfico rápido, pesquisa de microfilárias no sangue periférico por análise microscópica e avaliação da morbilidade. No estudo epidemiológico da SCH e HTS participaram no total 2558 crianças de ambos os géneros dos cinco aos 14 anos de idade. Foram colhidas amostras de urina para a pesquisa de ovos de Schistosoma haematobium pelo método de filtração e utilizada a fita reativa para a deteção de hematúria microscópica. Foram colhidas, também, amostras de fezes para a pesquisa de ovos de S. mansoni e de espécies de geohelmintas (Ascaris lumbricoides, Trichuris trichiura e ancilostomídeos) utilizando a técnica de Kato-Katz. Foi igualmente obtida uma amostra de sangue para a quantificação da hemoglobina pelo aparelho “Hemocue” e feita avaliação do peso e estatura das crianças. Os resultados revelaram prevalências elevadas de FL, SCH e HTS em ambos os locais de estudo no primeiro ano, tendo-se verificado uma redução significativa com as intervenções terapêuticas. A prevalência de FL foi de 56.4%, 42.6% e 23.3% do primeiro ao terceiro ano do estudo, respetivamente. Quanto à SCH, a prevalência nos três anos foi de 69,8%, 60,8% e 34,2% respetivamente e, no caso das HTS, as prevalências foi de 58,6%, 42,2% e 24,4% nos três anos, respetivamente. Verificou-se uma associação significativa entre o grau de anemia e a intensidade de infeção por S. haematobium e geohelmintas, bem como entre o grau de subnutrição e a ocorrência de poliparasitismo das espécies estudadas. A prevalência e morbilidade causada por estas parasitoses foram predominantes na população de Murrupula, o que reflete as condições sociais mais desfavorecidas das comunidades rurais. Este estudo evidencia o efeito positivo dos tratamentos massivos na redução destas parasitoses bem como dos indicadores de morbilidade (anemia e subnutrição). A integração de intervenções adicionais a nível social e a monitorização regular dessas doenças são aspetos a considerar para o seu controlo e potencial eliminação.
  • Perfil de doentes infetados com Acinetobacter baumannii em um hospital privado de Vitória da Conquista - Bahia - Brasil
    Publication . MACHADO, Marcelo Coelho; PEREIRA, Filomena Martins; COSTA, Davi Tanajura
    As infeções pela bactéria Acinetobacter baumannii são consideradas um problema significativo em todo o mundo, com a agravante de rapidamente poderem adquirir resistência a várias classes de antibióticos. Acinetobacter baumannii é um cocobacilo de coloração Gram negativa responsável por 2-10% de todas as infeções nosocomiais por este tipo de microrganismos, classificado pela Sociedade Americana de Doenças Infeciosas (Infectious Diseases Society of America) como um dos seis microrganismos multirresistentes mais importantes em todo o mundo. No Brasil, dados publicados indicam que esta bactéria é o quinto microrganismo de coloração Gram-negativa mais prevalente, responsável por 6,7% de todas infeções ocorridas em ambiente hospitalar. As infeções por Acinetobacter baumannii tendem a ocorrer em indivíduos debilitados com co-morbilidades e, na maioria dos casos num ambiente de terapia intensiva. O sítio de infecção é variado, mas o aparelho respiratório é o mais comum. Infeções em outros locais, como aparelho urinário, corrente sanguínea, feridas, sistema nervoso central podem também ocorrer. Para o diagnóstico apropriado destas infeções é fundamental a devida análise microbiológica com cultura e teste de sensibilidade antimicrobiana. O tratamento das infeções por Acinetobacter baumannii é complexo devido ao fato da maioria dos casos ser em indivíduos e infetados por microrganismos multi-resistentes. Os principais antibióticos utilizados são os carbapenémicos e as polimixinas. Os dados deste estudo foram colhidos de fichas clínicas de 45 doentes infetados com Acinetobacter baumannii, aplicando-se um questionário clínico-epidemiológico estruturado, a fim de se descreverem algumas características demográficas, clínicas, procedimentos invasivos, uso de antibióticos, fatores de gravidade, dados laboratoriais, microbiológicos e taxa de mortalidade. Além da análise destes fatores, comparou-se analiticamente o grupo de doentes infetados com microrganismos sensiveis e resistentes aos carbapenémicos.. A avaliação das diversas variáveis estudadas revelou uma alta mortalidade entre os doentes em que se detetou a presença de Acinetobacter baumannii, apesar de não ter havido diferença estatisticamente significativa entre aqueles cujos microrganismos apresentaram sensibilidade vs resistência aos carbapenémicos. O uso prévio de antibióticos, a permanência hospitalar prolongada e a utilização de diversos procedimentos invasivos foram frequentes nos doentes incluídos neste estudo.