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IHMT: CT - Dissertações de Mestrado

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  • Escabiose nos centros de saúde na Cidade da Praia, Cabo Verde
    Publication . TAVARES, Nadine Nair de Pina; CONCEIÇÃO, Maria Cláudia Gomes dos Santos Rodrigues da; FERNANDES, Raquel Evelize Rocha
    A escabiose é uma infestação cutânea causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei var. hominis, que afeta globalmente mais de 400 milhões de pessoas por ano, especialmente em países em desenvolvimento e em condições de sobrelotação e pobreza. O sistema de saúde caboverdiano é considerado um dos melhores da África Subsaariana e tem avançado na redução de doenças infeciosas e na mortalidade materno-infantil. Apesar dos progressos, a escabiose representa um desafio significativo no sistema de saúde nacional, com surtos recorrentes e existe uma lacuna na investigação científica sobre a doença no país. Objetivos: Caracterizar os utentes diagnosticados com escabiose nas consultas e estimar a proporção de casos atendidos nos centros de saúde na cidade da Praia, num período de 36 dias. Métodos: Este estudo observacional, descritivo e transversal investigou casos de escabiose em utentes atendidos nos centros de saúde na cidade da Praia, Cabo Verde, entre abril e junho de 2024. Os dados foram recolhidos através de um questionário aplicado a pacientes diagnosticados com escabiose nas consultas médicas. Foram analisadas variáveis demográficas, socioeconómicas, habitacionais, comportamentais e clínicas, utilizando o software IBM SPSS. Resultados: Em 36 dias, 2280 utentes foram atendidos em consultas nestes centros de saúde, dos quais 101 (4,4%) foram diagnosticados com escabiose. A maioria dos utentes eram do sexo feminino (55,4%), com uma mediana de dez anos e 38,6% eram estudantes. Mais de metade contava com menos de 32 000 cve mensais para viver (79,8%). Mais de 70% residiam em casas com dois ou menos quartos e em agregados familiares de 4 a 6 pessoas (62,4%). Quase todos partilhavam cama (92,1%) e 71,3% tinham história de contato positivo, principalmente em casa (88,9%). O tratamento mais prescrito foi o benzoato de benzilo (88,1%). O Centro de Saúde de Cidade Velha teve a maior proporção de diagnósticos de escabiose (7,5%). Conclusão: A proporção de escabiose demonstrada neste estudo foi relevante, afetando sobretudo crianças de famílias de baixo rendimento. Destaca-se a importância da padronização dos critérios de diagnóstico e da realização de estudos mais representativos da população com o objetivo de criar estratégias para o controle desta enfermidade.
  • VIH/SIDA: conhecimentos, atitudes e práticas de prevenção dos utentes que procuram serviços de aconselhamento e testagem no município de Benguela, Angola.
    Publication . MORAIS, Beatriz Fernanda; TEODÓSIO, Rosa; IGREJA, Ricardo Pereira
    Resumo Introdução: A República de Angola é um país da costa ocidental de África com uma população estimada de 32,7 milhões de habitantes. Um número crescente de infeções causadas pelo Vírus da Imunodeficiência Humana/Síndrome da Imunodeficiência Adquirida tem sido observado ao longo dos anos. Em Angola há cerca de 320.000 pessoas a viver com Vírus da Imunodeficiência Humana/ Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, anualmente são registadas cerca de 15.000 novas infeções e cerca de 13.000 mortes relacionadas com a doença. O país tem delineado um Programa Nacional de Combate ao Vírus da Imunodeficiência Humana/Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. Esta dissertação teve como objetivo caracterizar conhecimentos, atitudes e práticas de prevenção da infeção por Vírus da Imunodeficiência Humana em adultos que recorrem aos Serviços de Aconselhamento e Testagem do Vírus da Imunodeficiência Humana no município de Benguela, na província de Benguela, Angola. MATERIAS E MÉTODOS Aplicou-se um questionário por entrevista a indivíduos igual ou maiores 18 anos, utentes dos seis serviços de aconselhamento e testagem no município de Benguela, Angola. A colheita de dados decorreu de janeiro a abril de 2024. O investigador deslocou-se três vezes por semana a cada serviço de aconselhamento e testagem; nesses dias foram convidados a participar no estudo todos os utentes que recorreram ao serviço. O consentimento foi obtido de cada participante previamente. RESULTADOS: participaram 239 indivíduos, idade mínima 18 anos e máxima 62 anos, 55,1% com idade entre 18-27 anos, 67,8% do género feminino, 50,2% com o segundo ciclo de escolaridade. Conhecimentos: Transmissão: sexo vaginal 93,7%; sexo anal 60,6%; transfusão de sangue 92,2%; transmissão materno-fetal 82,6%; partilha de seringas 91,6%; picada de mosquito 9,8%; mãos sujas 4,3%; feitiçaria 3,7%. Sinais/sintomas: perda de peso 87,9%; diarreia 78,2%; febre 71,3%; tosse 57,1%. Prevenção: uso de preservativo masculino 88,1%; fidelidade 67,1%; evitar partilhar pratos/talheres 19,2%; lavar as mãos 19%; usar mosquiteiro 10,4%; chás 5,9%; vacinação 40,1%. Praticas de prevenção 48,9% nunca tiveram sexo com parceiro não habitual e 27,6% conhecem o resultado das análises dos parceiros sexuais. Antes da participação no estudo 57,2% tiveram um parceiro sexual e 11,8% tiverampelo menos dois parceiros sexuais diferentes.Tratamento: medicamentos 91,5%; chás 4,4%; higiene 26,6%; alimentação adequada 45,1%. CONCLUSÕES: A maioria dos entrevistados conhece as formas de transmissão do Vírus da Imunodeficiência Humano indica corretamente sinais e sintomas, conhece formas adequadas de prevenção e sabe que o tratamento é medicamentoso. Para prevenção, a maioria utiliza preservativo. Metade teve sexo com parceiro habitual e 1/10 tiveram mais de 2 parceiros nos quatro meses que antecederam o estudo. Ideias erradas relativamente a alguns destes itens devem ser esclarecidas em ações futuras de educação para a saúde.
  • Contributo para a caraterização molecular do vírus da hepatite B (HBV) em circulação em duas províncias de Angola
    Publication . MARQUES, Maria Raquel Monteiro; PIEDADE, João; PEREIRA, Filomena; RODRIGUES, Liliana
    RESUMO Introdução: Angola é um país da África subsaariana onde circula o vírus da hepatite B (HBV), um vírus de DNA hepatotrópico, carcinogénico e endémico na população, tendo esta uma situação vacinal anti-HBV desconhecida. Objetivo: Caraterizar o perfil molecular de um segmento da região de sobreposição dos genes S/P do HBV presente em amostras de plasma provenientes de utentes atendidos em duas Unidades de Saúde das cidades do Lubango e de Benguela. Material e Métodos: Selecionaram-se 512 amostras de plasma com teste rápido (HBsAg+ e HBsAg-), previamente criopreservadas, das quais se tinha informação de natureza sociodemográfica e laboratorial disponível em bases de dados, sendo 456 provenientes de parturientes (Grupo 1) e 56 de doentes hospitalares (Grupo 2), de acordo com os locais de origem mencionados. Procedeu-se à extração de DNA viral com um kit comercial, seguindo-se a amplificação do DNA do HBV por nested-PCR para obtenção de um amplicão com 340 pb, aproximadamente. Após sequenciação direta unidirecional de Sanger validaram-se 103 cromatogramas que foram editados. As respetivas sequências foram alinhadas no programa informático BioEdit V.7.2.5. e a sua identidade confirmada através do programa https://blast.ncbi.nlm.nih.gov/Blast.cgi. A tradução proteica das regiões codificantes da transcriptase reversa e do HBsAg foi realizada com o programa https://hbv.geno2pheno.org/index.php para análise das mutações. Resultados: No Grupo 1 obteve-se 12,3% (56/456) de casos de infeção pelo HBV, sendo 8,3% (38/456) identificados previamente com HBsAg+ e 4,3% (18/418) detetados com infeção oculta (HBsAg-/DNA-HBV+). A taxa global de amplificação de DNA do HBV foi de 11,2% (51/456), com 100% (51/51) das parturientes infetada pelo genótipo E, com subtipo ayw4 (97,0%) e ayw1 (3,0%). Cerca de 92,2% dos vírus (47/51) continha mutações pontuais (32/33 HBsAg+ vs 15/18 HBsAg-/DNA+). No Grupo 2, obtiveram-se 52/56 sequências HBV, 98,1% (51/52) de genótipo E e 1,9% (1/52) de genótipo A, subgenótipo 2, subtipo adw2. Entre os portadores do genótipo E, 100% (23/23) dos doentes com HBsAg+ tinham vírus do subtipo ayw4. Entre os casos de infeção oculta (28/28), 57,1% eram ayw1, 39,3% ayw4 e 3,6% de subtipo indeterminado. Mutações pontuais ocorreram em 100% das sequências do Grupo 2. Mutações de provável resistência ao tratamento com análogos nucleosídeos/nucleotídeos foram detetadas no Grupo 1 em três portadoras HBsAg+ com variantes de resistência putativa à Lamivudina (rtT128N; rtN139D e rtV207L). Nas portadoras HBsAg-/DNA+, detetou-se um caso com dupla resistência (primária_rtA194T/Tenofovir + putativa_rtV207L/Lamivudina). No Grupo 2 ocorreram quatro casos, um no genótipo A, resistente a Lamivudina + Adefovir (putativa_W153R), e três casos entre os doentes com HBsAg-/DNA+, um resistente ao Entecavir ou Adefovir (primária_rtI169L) e dois resistentes a Lamivudina (putativa_rtT128N). Variantes de escape (imunitário, diagnóstico e vacinal) surgiram no Grupo 1 (sP120T; sQ129H, sD144E) e no Grupo 2 (sP120T, sT126I; sQ129R; sG130R; sD144A; sD144E e sG145K). Conclusão: Esta pesquisa, realizada em zona de elevada endemicidade, reforça que o genótipo E predomina em Angola com dois subtipos virais (ayw4 e ayw1). Variantes de resistência ao tratamento com antivirais e mutantes de escape também foram identificados nesta população que é virgem de tratamento, com situação vacinal anti-HBV pouco esclarecida.
  • Sexualidade e infeções sexualmente transmissíveis: conhecimento e práticas de estudantes em universidades de Benguela
    Publication . VALDEZ, Bruna Raquel Cristóvão; PEREIRA, Filomena; CONCEIÇÃO, Cláudia
    Os comportamentos de risco face à sexualidade têm sido motivo de preocupação em todo o mundo, principalmente na faixa etária de jovens adultos. Este grupo tem sido alvo de ações preventivas de educação para a saúde e de investigação sobre o seu comportamento sexual e outros. As infeções sexualmente transmissíveis (IST) são uma das maiores ameaças de saúde pública, causando 2,3 milhões de mortes e 1,2 milhões de casos de cancro anualmente. Desta forma, importa melhorar o conhecimento sobre estas infeções neste grupo etário, assim como os seus determinantes. Este estudo teve como principal objetivo descrever as práticas sexuais e o conhecimento de jovens universitários de duas universidades de Benguela face à sua sexualidade e infeções sexualmente transmissíveis, assim como identificar fatores socioeconómicos e ambientais percecionados como influenciando as suas práticas sexuais e o seu acesso aos serviços de saúde. Para esta tese foi efetuado um estudo observacional do tipo descritivo transversal, tendo como instrumento um questionário individual e voluntário a 227 alunos, com uma faixa etária predominante dos 19 aos 24 anos de idade (70,8%), maioritariamente do sexo feminino (65,5%). Os participantes foram escolhidos de forma intencional, especificamente alunos dos cursos da área da saúde das duas instituições em Benguela - Angola, no ano letivo 2022-2023. Os resultados mostraram que 74,7% destes estudantes já iniciou a sua atividade sexual e que 29,1% afirmou não fazer uso de preservativo. O não uso de preservativo para parceiro regular teve como principal justificação a confiança no parceiro (37,0%), enquanto que para parceiro ocasional foi o não gostar de usar (13,2%). Quanto à frequência de consultas para IST, 62,8% dos participantes declarou nunca ter frequentado, sendo que dos que frequentaram, 19% foram diagnosticados com uma IST e a maioria teve monitorização pós tratamento. Algumas IST e meios de transmissão são de conhecimento dos estudantes, com maior conhecimento adquirido na escola (77,0%). Os resultados mostraram, que de entre os fatores socioeconómicos e ambientais, a sociedade é considerada um dos principais influenciadores das suas práticas sexuais, e quanto a acessibilidade aos serviços de saúde para IST, os estudantes consideraram a acessibilidade mediana, numa escala de 0 a 10. Concluiu-se que, este grupo de participantes tem algum conhecimento sobre algumas das IST que existem e sobre a sua forma de transmissão, o que não invalidou o facto de muitos apresentarem comportamentos de risco. Desta forma, são necessários mais estudos para perceber se a realidade encontrada neste grupo de inquiridos é a realidade universitária atual na província e eventualmente no país.
  • Desnutrição e parasitismo intestinal em crianças dos seis aos 59 meses de idade, internadas no Hospital Nacional Simão Mendes, em Bissau, Guiné-Bissau
    Publication . GOMES, Aquilino Samper; BELO, Silvana Maria Duarte; MAURÍCIO, Isabel Larguinho
    A desnutrição em crianças continua a ser um grande problema de saúde na Guiné-Bissau, apesar das estratégias implementadas para a sua redução, como reforço de comunicação para a nutrição, campanhas de distribuição e utilização de sal iodado, tratamento de água, promoção de segurança alimentar às famílias e programas “Cantina escolar”. O presente estudo teve como objetivo avaliar a relação entre a Desnutrição Aguda Moderada (DAM) e a Desnutrição Aguda Grave (DAG) em crianças entre 6 e 59 meses internadas no Hospital Nacional Simão Mendes (HNSM) e a sua eventual relação com a infeção por parasitas intestinais. O estudo realizou-se durante três meses, de março a maio de 2023 no HNSM, onde se avaliou o estado nutricional de crianças desnutridas, com diagnóstico clínico de desnutrição aguda moderada e aguda grave. A pesquisa de parasitas intestinais em amostras fecais foi efetuada por métodos parasitológicos, complementados com deteção molecular de DNA de helmintas intestinais por Nested-PCR, para Ancilostomídeos, e por PCR multiplex para geohelmintas (A. lumbricoides, T. trichiura e S. stercoralis), no Instituto de Higiene e Medicina Tropical, Lisboa. Das 62 crianças, 53,2% (33/62) eram do sexo masculino e 46,8% (29/62) do sexo feminino. As crianças apresentavam idades compreendidas entre 6 e 59 meses (média de 21,06 meses), tendo-se verificado que 77,4% (48/62) tinham entre 6 e 24 meses, e 22,6% (14/62) entre 25 e 59 meses de idade. Foram identificadas 25,8% (16/62) de crianças com desnutrição aguda moderada (DAM) e 74,2% (46/62) com desnutrição aguda grave (DAG). No exame parasitológico das fezes identificaram-se duas crianças parasitadas, com infeção simples, com quistos de G. duodenalis e ovos de Ancilostomídeos. Os casos de parasitismo verificaram-se em crianças com desnutrição aguda moderada. O perfil sociodemográfico dos agregados familiares destas crianças, era muito semelhante nos dois grupos, nomeadamente: a maioria das famílias tinha um rendimento mensal inferior a 100.000 FCFA (≈152.00€), residia em área rural e com condições precárias de saneamento básico, em que apenas 12 (27,4%) dispunham de água canalizada e a maioria recorria a água de fontenário ou poço; apenas 12 (19,4%) dispunham de casa de banho na habitação e a maioria utilizava latrinas (familiar ou partilhadas) situadas no exterior das habitações. Em relação à escolaridade das mães, havia um número relativamente elevado sem escolaridade (25,8%) ou que tinha apenas o ensino básico (43,5%). Salienta-se, também, o desconhecimento da maioria das mães questionadas (49/62) sobre a desnutrição, semelhante nos dois grupos (DAG e DAM), mas, em relação a parasitas, havia um maior número de mães (34/62) que tinha conhecimento sobre a sua ocorrência. Durante o período de estudo, 36 crianças com DAG e 15 com DAM tiveram alta hospitalar e verificou-se o óbito de três crianças com DAG. Apesar da amostra reduzida no presente estudo, os indicadores obtidos, e face à ausência de mais dados sobre esta problemática, reforçam a necessidade de uma investigação mais ampla sobre a amplitude da desnutrição no país, de modo a serem implementadas medidas mais específicas para a sua redução.
  • Caracterização de internamentos por cancro do colo do útero no Hospital Universitário Agostinho Neto, em Cabo Verde, de 2016 a 2020
    Publication . FURTADO, Deise Maria Martins; CONCEIÇÃO, Cláudia; BORGES, Hirondina
    O cancro do colo do útero é uma doença de evolução lenta, previsível e curável quando é diagnosticada precocemente, porém, continua sendo um problema de saúde pública nos países de baixo e médio rendimento. Em Cabo Verde, o cancro do colo do útero é o segundo tipo de cancro mais prevalente e é a principal causa de morte por cancro em mulheres. Este país tem adotado estratégias de combate ao cancro do colo do útero, que integra a prevenção, o diagnóstico e tratamento, e recentemente deu um passo importante neste combate ao introduzir a vacina contra o HPV no calendário nacional de vacinação. Este estudo objetivou-se caraterizar os casos de cancro do colo do útero internados no Hospital Universitário Agostinho Neto (HUAN), de 2016 a 2020. Para isto recorremos ao arquivo do HUAN e recolhemos informações (sociodemográficos, fatores de risco, variáveis clínicas e do sistema de saúde) nos processos clínicos de todas as mulheres internadas com esta doença no período compreendido entre 1 de janeiro de 2016 a 31 de dezembro de 2020. Foram analisados 104 internamentos. As mulheres internadas apresentaram idades compreendida entre os 26 e 89 anos de idade, são solteiras (53,3%), residiam no concelho da Praia (40,8), na ilha de Santiago (75,5%), possuíam a escolaridade mínima (47,3%) e não se encontravam a trabalhar no momento do internamento (75%). A maioria das mulheres encontram-se em menopausa, a média de gestação por mulheres foi de 5,7, e 61 % usaram a contraceção hormonal. A hemorragia vaginal foi o principal sintoma apresentado (72,7%). Na maioria dos casos a doença foi diagnosticada em estadio avançado, o tipo histológico mais frequente foi o carcinoma de células escamosas (67,7%) e a quimioterapia foi o principal tratamento prescrito (73,9%). A média do tempo entre os primeiros sintomas e a procura do serviço de saúde foi de 3,9 meses e o internamento no HUAN deu-se num tempo médio de 4,4 meses após os primeiros sintomas. A duração do internamento foi em média de 37 dias, e a evacuação para unidades de saúde fora do país foi o principal desfecho de alta (36,7 %). O estudo evidenciou ser importante um programa nacional de luta contra o cancro, bem como políticas, estratégias e ações integradas. São necessários mais estudos para melhor se conhecer a realidade e acompanhar a efetividade das medidas que estão a ser implementadas contribuindo para a eliminação da morte por esta causa.
  • Deteção de Trichomonas vaginalis numa população de homens que têm sexo com homens da região de Lisboa
    Publication . ANTÓNIO, Cátia Maria Ramos; PEREIRA, Filomena; CASTRO, Rita
    A tricomoníase é uma Infeção Sexualmente Transmissível (IST) de distribuição mundial, com cerca de 180 milhões de casos anuais, sendo que a OMS estima que aproximadamente metade das IST curáveis são causadas por este microrganismo. Segundo o CDC, a tricomoníase é considerada uma infeção negligenciada, a qual pode resultar, em determinados indivíduos, numa patologia grave. O objetivo deste estudo é abordar a infeção por Trichomonas vaginalis, numa população de homens que têm sexo com homens (HSH), entre 2016 e 2019, na região de Lisboa. O presente estudo inclui um total de 979 indivíduos, com idade entre os 20 e 77 anos, do sexo masculino, com ou sem história clínica de IST’s, que se dirigiram ao centro CheckPoint, localizado no Bairro Alto de Lisboa. No centro foram colhidas a cada indivíduo observado, três tipos de amostras biológicas: urina, exsudado retal e exsudado orofaríngeo. Os produtos biológicos recebidos no laboratório foram submetidos a um processo de extração de ADN, o qual foi utilizado para a pesquisa de T. vaginalis, pela técnica de PCR multiplex em tempo real (PCR-MTR). A técnica de PCR multiplex em tempo real realizada neste estudo focou-se na amplificação de dois alvos diferentes: um fragmento de ADN de repetição específico de T. vaginalis (TvK) e o gene da β-tubulina (TUB). Das amostras biológicas estudadas, apenas foram consideradas positivas para pesquisa de T. vaginalis as que amplificaram os dois alvos pretendidos (TvK e TUB). Dos resultados obtidos para a pesquisa de ADN de T. vaginalis pela técnica de PCR-MTR e nas 2075 amostras estudadas, detetou-se ADN de T. vaginalis em 15: sete urinas, sete exsudados retais e um exsudado orofaríngeo, que correspondem a 12 indivíduos. Deste grupo de 12 indivíduos, dez testaram positivo para uma única amostra: cinco urinas e cinco exsudados retais, respetivamente; um indivíduo testou positivo para duas amostras (urina e exsudado retal) e por último, um único indivíduo testou positivo para os três produtos biológicos recolhidos. A prevalência da infeção por T. vaginalis na população estudada foi de 1,7% (12|708) e a idade dos indivíduos com infeção variou entre os 20 e os 49 anos. Num futuro próximo estudos semelhantes a este são necessários, visto serem poucos os estudos científicos que se encontram sobre T. vaginalis em HSH. Para se redefinir estratégias de prevenção, diagnóstico e terapêutica para o doente e parceiros sexuais.
  • Conhecimentos e atitudes sobre vacinação e sobre vacinas contra a Febre Amarela e contra a Hepatite A de viajantes e migrantes portugueses que recorrem a consulta de aconselhamento
    Publication . CESA, Ilda Natércia dos Santos; TEODÓSIO, Rosa; IGREJA, Ricardo
    Introdução: Com a crescente facilidade das viagens internacionais que potencializa a disseminação de doenças infeciosas, a vacinação de viajantes internacionais é um elemento fundamental na prevenção destas infeções. É necessário que estes viajantes sejam devidamente imunizados, isto é, deve-lhes ser elaborado e apresentado um esquema de imunização complementar específico em função do seu destino, duração e tipo de viagem. Assim, pensamos ser urgente a instrução dos mesmos sobre a vacinação, de modo que cumpram os esquemas de vacinação prescritos, bem como para que seja impedido o crescimento do movimento anti-vacinação, que em muitos países tem reduzido a adesão à vacinação. Esta dissertação tem como objetivo caraterizar conhecimentos e atitudes relativamente à vacinação no geral e às vacinas contra a Febre Amarela e contra a Hepatite A em viajantes e migrantes portugueses que recorreram a consulta de aconselhamento a viajantes. Métodos: No Instituto de Higiene e Medicina Tropical, em Lisboa, de Julho a Agosto de 2019, foi aplicado um questionário anónimo e autopreenchido a viajantes e migrantes portugueses com idade mínima de 18 anos. Os viajantes preenchiam o questionário antes ou depois da consulta, alternando os dias de preenchimento antes da consulta com os dias de preenchimento depois. Resultados: Dos 876 indivíduos participantes, 453 (51,7%) preencheram os questionários antes (A) da consulta do viajante, idade média 37 anos, 51,7% do género feminino, com 45,9% licenciados. Outros 423 (48,3%) preencheram-no depois (D), idade média 35 anos, 51,3% do género feminino, com 50,7% licenciados. Destino de viagem maioritário: África 45,4% (A) e 38,6% (D). Principal motivo de viagem: Turismo com 63,9% (A) e 63,3% (D). Principal fonte de informação: (A) - internet 54,6% e (D) – médico 58,5%. Conhecimentos gerais sobre vacinação: 6,7% (A) e 11,2% (D) responderam corretamente a todas as questões. Atitude em relação à vacinação: 63,9% (A) e 63,8% (D) tinham uma atitude indefinida e apenas 14% (A) e 14,2% (D) tinham atitude favorável. Conhecimentos sobre vacinação e risco de doença no destino: hepatite A – 91,9% (A) e 98,6% (D) sabiam da existência da vacina, 40,6% (A) e 12,2% (D) não sabiam qual a eficácia da vacina, 39,9% (A) e 79,9% (D) tinham o conhecimento correto do risco da doença no destino, sendo que 69,3% (A) e 76,8% (D) sabiam que o risco no destino era maior do que em Portugal; enquanto para a febre amarela 96,6% (A) e 96,4% (D) sabia da existência da vacina, 51,5% (A) e 41,5% (D) não sabia qual a eficácia da vacina, 38,8% (A) e 57,8% (D) respondeu corretamente sobre o risco ou não de febre amarela no destino. Conclusão: A consulta de medicina do viajante teve grande relevância nos conhecimentos dos indivíduos, uma vez que houve maior nível de conhecimento nos indivíduos que responderam depois da consulta. Aspetos importantes sobre a vacinação foram insuficientemente abordados, colocando em risco o entendimento da importância da adesão à vacinação por parte dos viajantes internacionais. Futuramente os profissionais de saúde deverão fornecer informações completas sobre a vacinação.
  • Avaliação da emergência de marcadores moleculares de resistência ao artemeter-lumefantrina em Plasmodium falciparum de doentes com malária não complicada na Guiné-Bissau
    Publication . SAM, Lourenço Mendes; SILVEIRA, Henrique; NOGUEIRA, Fátima
    A Guiné-Bissau aderiu em 2008 à política de combinação terapêutica baseado em artemisinina (ACT) como a primeira linha de tratamento da malária não complicada por Plasmodium falciparum. O presente estudo teve por objetivo avaliar a eficácia terapêutica e a emergência de marcadores moleculares de resistência ao artemeter-lumefantrina em doentes com malária não complicado por P. falciparum, avaliar os critérios clínicos, parasitológicos e moleculares na Guiné-Bissau. O estudo de um só braço, decorreu nos 4 postos sentinela do estudo da epidemiologia da malária no país, nomeadamente: Bairro Militar em Bissau, Gabú no leste, Buba no sul e Canchungo no norte. Os participantes com suspeita de malária foram rastreados. Os casos positivos que cumpriram todos os critérios de inclusão foram tratados e seguidos durante 28 dias para avaliação dos critérios clínicos e parasitológicos. As recomendações da OMS foram usadas para a avaliação do tratamento antimalárico alocado aos doentes. Os genes pfmsp1 e pfmsp2 dos parasitas coletados dos doentes que reportaram falha clínica e ou parasitológica, foram genotipados para diferenciar episódios de recrudescência ou nova infeção. As sequências dos genes pfmdr1 e pfkelsh13 foram também obtidas para as amostras incluídas no estudo. Os dados foram analisados com recurso a World Health Organization (WHO) excel-based application. Um total de 184 doentes foram incluídos. Como base nos parâmetros clínicos e parasitológicos observados entre os dias 7 e 28 de seguimento, foram observadas 5 falhas parasitológicas tardias, 4 em Gabú e 1 em Buba. A sequenciação de pfmdr1 de P. falciparum destes 5 doentes resultou na deteção de mutações na posição 184 (Y/F) em 4 doentes e uma mutação na posição 86 (Y/F). Não foram detetadas mutações na posição 1246 (D/Y). Para o gene pfkelsh13 não foram identificadas mutações conhecidas associados à resistência aos derivados da artemisinina. O presente estudo revela a manutenção da eficácia terapêutica de artemeter-lumefantrina no tratamento da malária não complicada por P. falciparum na Guiné-Bissau, não obstante as mutações identificadas associados à tolerância à lumefantrina. Os resultados alcançados devem ser interpretados com cuidados devido ao número de amostras analisados. A monitorização continua da eficácia terapêutica, a emergência dos marcadores de resistência em futuros estudos com maior raio de ação serão importantes para o mapeamento geográfico nacional, facilitando assim as decisões de políticas terapêuticas do programa nacional de luta contra a malária baseado em evidências.
  • Knowledges, attitudes, and practices about Female Genital Mutilation/ Cutting among pregnant women assisting to Kwinalla Minor Health Centre (The Gambia)
    Publication . MORO, Eva Fernández; CRAVEIRO, Isabel; TEODÓSIO, Rosa
    Resumo: A Mutilação Genital Feminina (MGF) é uma prática sociocultural que continua a ocorrer, silenciosa e enraizada com graves consequências para a saúde e bem-estar das mulheres e raparigas. Na Gâmbia, as percentagens continuam a ser elevadas, apesar da ilegalização em 2015. As zonas rurais estão geralmente mais enraizadas na tradição. Compreender o contexto das mulheres nas comunidades rurais é, portanto, crucial na formulação de estratégias de prevenção, e sensibilização para a erradicação da MGF, baseados na não estigmatização e no respeito pela sua cultura e identidade. As mulheres grávidas são o futuro para a continuação ou abandono, no entanto, a sua perspectiva tem sido escassamente explorada nos países africanos. Compreender os seus conhecimentos, atitudes e práticas, bem como as complicações percebidas e as suas opiniões sobre o efeito da MGF durante o parto, pode contribuir para a evidência mais recente sobre este campo. Os Profissionais de Saúde desempenham um papel importante nas suas comunidades como agentes de saúde, prevenção, e cuidados. As Clínicas de Cuidados Pré-Natais (CPN) são espaços onde todos os meses uma equipa de saúde vai verificar a saúde das mulheres e das crianças. Método: Questionário de Conhecimentos, Atitudes e Práticas aplicado no contexto dos cuidados pré-natais a 77 mulheres grávidas nas áreas de Kiang West e Kiang Central em Lower River Region. Resultados: Os resultados foram analisados de acordo com os grupos étnicos maioritários (Mandinka/ Fula) e em função de se as mulheres foram mutiladas ou não. Quanto aos conhecimentos, 50,0% das mulheres independentemente da etnia justificam a prática com a base na tradição, e no que respeita à opinião sobre a prática ( 45,2% das fulas, 53,1% das Mandinkas) consideram a prática prejudicial. Em relação à questão sobre se a MGF afeta o parto, cerca de 56% das Mandinkas e as Fulas acreditam que sim. 61,2% das mulheres com MGF também reconhecem que tem relação ( p>0.00328). Os resultados sobre atitudes mostram percentagens elevadas de mulheres (75,3%) que relatam não falar de complicações da MGF com ninguém. Mas a atitude é positiva em relação à advocacia e sensibilização (70,0%). O medo entre as mandinkas (59,4%), é a memória comum quando se recorda a MGF. A última secção revela elevadas percentagens de discordância com a continuidade da prática entre Fulas (64,3%) e Mandinkas (75%). Sendo a tradição a resposta comum entre aqueles que ainda querem a continuação da prática (33,3% Fulas; 21,0% Mandinkas). Conclusões: Compreender o contexto sociocultural da região é crucial para interpretar resultados, como o facto de as mulheres não falarem de complicações da MGF, mas, quando questionadas na privacidade dos cuidados pré-natais, acreditam que a sensibilização e a educação para a erradicação devem continuar. É por isso que os Profissionais de Saúde desempenham um papel importante na erradicação da MGF. A tradição é difícil de quebrar, mas o efeito que a MGF tem no parto pode ser um ponto de partida para sensibilizar as futuras mães.