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As eleições e o poder municipal em Lisboa entre 1851 e 1867

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Resumo(s)

As principais obras que impulsionaram o interesse pelo estudo das elites locais e do poder municipal foram «As Vésperas de Leviathan, Instituicões e Poder Político Portugal. Século XVI 1», de Antônio Hespanha e «Para o estudo do Algarve económico (1660-1773)», de Romero de Magalhães. No mesmo âmbito historiográfico destacam-se se também autores como José Viriato Capela e Nuno Monteiro, entre outros", e facto, a última década viu nascer o gosto e interesse pelo estudo da História Local, com inúmeras teses de mestrado, de doutoramento e obras publicadas sobre diversas localidades do país. Até Antônio Hespanha perdurou a ideia de que o Estado fora centralizador até ao final do Antigo Regime, tendo asfixiado o poder municipal através dos juízes de fora (estando Alexandre Herculano entre os defensores desta teoria). A historiografia romântica defendia igualmente as «câmaras populares» com os homens-bons, nos quais vislumbrava a origem da futura classe média, vencedora da revolucão liberal. A partir de Antônio Hespanha, Romero de Magalhães e Maria Helena Coelho, estas imagens de centralismo e democracia nos municípios diluem-se na direcção oposta, afirmando-se a autonomia municipal e, em vez de um município democrático, a noção de um município oligárquico nas grandes cidades. Com a redescoberta do peso dos municípios, numa historiografia que defendia a sua subalternidade em relacão ao poder central da Coroa, novas portas se abriram, numa área da História que se tinha cristalizado, assistindo-se ao rejuvenescimento das linhas de orientação e estudo. É nesta linha de pensamento que o estudo das elites, aliado ao governo municipal, ganha novo fôlego. Ao analisarmos as elites sociais no Antigo Regime, verificamos o contraste entre as elites de corte e de província. Ao efectuarmos uma comparação entre estas, cocluímos que na província existiriam seguramente entre uma a duas dezenas de casas com um rendimento equivalente ao das menos afortunadas casas da primeira corte. No entanto, aquelas nunca alcançavam o rendimento médio das grandes famílias, nem de outras elites de Lisboa, como negociantes ou financeiros. A corte situava-se noutro patamar, quer material, quer de distincão social, o que em termos eleitorais se vai reilectir nos arrolados e elegíveis para os cargos municipais. De facto, os indivíduos com certas distinções, e como os donatários e fidalgos da Casa Real, desde que residissem nas terras, eram arrolados, mesmo que fossem naturais de outros concelhos Normalmente, os arrolamentos fornecem-nos a identificação dos nobres residentes em cada concelho e, na maior parte dos casos, o respectivo rendimento e fortuna. No entanto, não se deve confundir elites locais com elites políticas. Os arrolamentos serviam, dependendo das diversas específidades, para delimitar as elites sociais locais. Mas a disponibilidade e vontade para de facto exercer o governo municipal eram bastante diferentes. Algumas das principais casas de província tentavam não exercer essas funções, tendo em vista o serviço à monarquia, donde tirariam então um estatuto nobiliárquico superior. A formação de oligarquias camarárias coincidia, geralmente, com famílias e casas sem grandes perspectivas de mobilidade, enquanto a procura intensa de cargos municipais correspondia, em geral, a grupos em ascensão que, muito frequentemente. tentavam aceder aos ofícios de ordenações.

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Palavras-chave

Câmara Municipal Lisboa Poder local Municipalismo Eleicões autárquicas Recenseamento Campanhas eleitorais Elites locais Liberalismo Regeneração, 1851-1868 História local

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