Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10362/20255
Título: Estruturas de complementação verbal finita no português em Angola. Um contributo para a análise da variação linguística em variedades com normas não padronizadas
Autor: Campos, Doriela Marisa Dias
Orientador: Gonçalves, Maria Fernandes Homem de Sousa Lobo
Palavras-chave: Português
Angola
Linguística
Orações completivas
Variedade angolana do português
Variação
Norma padrão
Revisão linguística
Complement clauses
Angolan Portuguese
Variation
Standard norm
Linguistic revision
Data de Defesa: 20-Dez-2016
Resumo: A variedade angolana demarca-se da variedade europeia do português em diferentes áreas da gramática. A análise da variação existente é relevante do ponto de vista da revisão linguística, pois, atendendo ao contexto sociocultural em que a variedade angolana do português emerge, entende-se que, à partida, nem tudo o que ‘diverge’ do padrão europeu em vigor deve ser menosprezado. No entanto, para se compreender melhor qual a competência linguística destes falantes e, com base nessa competência, o que pode constituir padrão na variedade angolana, são necessários estudos que explorem melhor o que está subjacente à variação verificada, nomeadamente os contextos linguísticos e os juízos dos falantes perante essas estruturas. Este estudo incidiu sobre a variação nas estruturas de complementação verbal finita, no que respeita à seleção do modo, à supressão e adição de preposições e à omissão do complementador. Para a análise da variação nesses domínios, recorreu-se a uma base empírica assente em produções espontâneas (corpora) e num inquérito linguístico constituído por tarefas de produção induzida e de juízos de gramaticalidade; essas tarefas foram realizadas por falantes nativos do português, provenientes da região de Luanda, e o seu desempenho foi comparado ao de um grupo de falantes nativos do português europeu residentes em Lisboa. Com base nos dados recolhidos, verificou-se que a variação nas estruturas de complementação verbal finita é mais expressiva nos seguintes casos: i) seleção do modo indicativo com verbos que requerem o modo conjuntivo, segundo a norma do português europeu, designadamente com verbos avaliativos; tal oscilação pode estar relacionada com a associação do modo ao traço de epistemicidade; ii) substituição e adição de preposições com complementos oracionais; as substituições não estavam previstas, contudo, revelaram-se bastante recorrentes nas tarefas de produção induzida, sendo que, nesses casos, entendeu-se que pode estar em causa uma substituição em direção ao uso de preposições com mais conteúdo semântico; já no caso das adições, não foi possível a aplicação de uma generalização muito conclusiva; e iii) a respeito da omissão do complementador, em geral, verifica-se que a aceitação da omissão é mais evidente ou quando esta ocorre com determinados verbos que selecionam o indicativo ou quando a completiva está associada a um encaixe complexo, nomeadamente quando está encaixada numa estrutura relativa. Apesar de evidenciadas estas áreas de variação, as oscilações não são de uso generalizado. É possível que a imposição da norma do português europeu afete o juízo que os falantes emitem sobre estas construções. Assim, em termos de padronização, com base neste estudo, parece que ainda não estão reunidas as condições para determinar esta variação como sendo um uso padrão na variedade angolana. A falta dessa referência pode ter implicações nas tarefas de revisão linguística; contudo, a flexibilidade da revisão perante uma variedade com uma norma não padronizada impõe a equação de outros critérios, para além do uso generalizado.
The Angolan variety of Portuguese differs from the European variety of Portuguese in several areas of the grammar. The analysis of the existing variation is extremely important for the linguistic revision task, because, taking into account the kind of sociocultural context in which the Angolan variety of Portuguese originates from, we believe that not all the differences should be neglected. Still, in order to fully understand the linguistic competence of the Angolan variety speakers and, on this basis, to understand what constitutes a standard in this variety, we need studies that explore what underlies the existing variation, namely the contexts in which this variation occurs and, also, the speakers’ judgments about these structures. This study analyses the variation in verbal complement clauses, regarding mood selection, deletion and addition of prepositions and complementizer omission. In order to pursue this analysis, we gathered empirical data from spontaneous speech (corpora) and also from a linguistic inquiry that included elicited production and grammaticality judgment tasks. These tasks were performed by Portuguese native speakers living in Luanda and their performance was compared to a group of native speakers of the European variety of Portuguese living in Lisbon. The data allowed us to conclude that the variation was more expressive in the following cases: i) selection of the indicative mood with verbs that require the subjunctive mood, according to the European Portuguese norm, namely with evaluative verbs; this variation is probably related to the association of this mood with an epistemic feature of these verbs; ii) replacement and addition of prepositions; although replacements were not predicted, they were very frequent in the elicited production task and they seem to be related to the use of prepositions with greater semantic significance; concerning the addition of prepositions, a general correlation was hardly found; and iii) in the case of the complementizer omission, it seems that speakers accept it better either when the complement clause is selected by certain verbs that select the indicative mood or when the complement clause is embedded in a relative clause. Despite this evidence, we noticed that the use of the non-standard variants is not widespread. It is possible that the imposition of the Portuguese norm in Angola influences the speakers’ judgments. Thus, in terms of standardization, according to this study, it seems that this variation cannot be taken as a standard use in the Angolan variety. This fact has important implications in the linguistic revision task; however, the flexibility in the linguistic revision of varieties with non-standard norms implies that other criteria, beside the general use, should be taken into account.
URI: http://hdl.handle.net/10362/20255
Designação: Consultoria e Revisão Linguística
Aparece nas colecções:FCSH: DLCLM - Dissertações de Mestrado

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