Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10362/13998
Título: Deteção de Neisseria gonorrhoeae em amostras de urina de utentes de uma consulta de venereologia
Autor: MARTINS, Raquel Alexandra
Orientador: CASTRO, Rita
COSTA, João Borges da
Palavras-chave: Parasitologia médica
Doenças venéreas
Gonorreia
Urina
Data de Defesa: 2013
Resumo: Introdução: A vigilância epidemiológica dos agentes infeciosos é fundamental como atividade de controlo das doenças sexualmente transmissíveis. A gonorreia é uma das infeções sexualmente transmissíveis (IST) mais comum e é causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae. Os dados sobre os diferentes microrganismos causadores de IST são escassos em Portugal e a vigilância tradicional não é suficiente. Em muitos casos de infeção por N. gonorrhoeae, os pacientes são tratados empiricamente através de uma abordagem sindromática por vezes sem recurso a análises laboratoriais que confirmem a infeção e, além disso, existem os casos assintomáticos que contribuem para a contínua propagação da infeção por N. gonorrhoeae. A gonorreia é tratável e curável mas não está disponível uma vacina. Consequentemente, o controlo desta doença depende da identificação e tratamento de indivíduos infetados e dos seus contactos na rede de transmissão. Por outro lado, quando é efetuada cultura os resultados apresentam ocasionalmente falsos negativos, devido às características exigentes de crescimento da N. gonorrhoeae in vitro ou à automedicação prévia do doente. Objetivos: Avaliar a ocorrência de infeções por Neisseria gonorrhoeae entre utentes de uma consulta de venereologia, nos primeiros seis meses de 2011. Métodos: Estudo transversal. Amostragem consecutiva, cálculo do número de amostras pela fórmula de Wald para um nível de confiança de 95% e um erro de previsão de 3,3%. Foram analisadas 145 amostras de urina utilizando técnicas de amplificação de ácidos nucleicos com alvos diferentes. A identificação de Neisseria gonorrhoeae foi efetuada pela deteção de uma sequência do pseudogene porA de N. gonorrhoeae por técnica de reação em cadeia da polimerase (PCR) em tempo real e pela deteção de uma sequência do gene ccpB de N. gonorrhoeae por técnica de PCR. Critérios de exclusão: recusa em participar ou apresentar problemas para o entendimento do consentimento livre e informado. Resultados: Foi detetada Neisseria gonorrhoeae em 8 doentes – 5,5 % de prevalência global. A prevalência entre indivíduos com infeção sexualmente transmissível prévia (n = 35) foi significativamente mais elevada (p = 0,032). Neste grupo detetou-se N. gonorrhoeae em 4 doentes (11,43 %). Em doentes com queixas de exsudado uretral (n = 29), foi detetada N. gonorrhoeae em seis (20,69 %), demonstrando que a prevalência entre os indivíduos com este sintoma é, também, significativamente mais elevada (p = 0,001). A coinfecção com Clamydia trachomatis foi observada em 1,4 % dos casos (2/145). A percentagem de casos assintomáticos foi de 12,5 % (1/8). As técnicas de PCR utilizadas neste estudo demonstraram-se igualmente especificas para a deteção de N. gonorrhoeae e ambas mais sensíveis relativamente à cultura. Neste estudo as estirpes isoladas em cultura apresentaram resistência a penicilina em 25 % dos casos, 37,5 % a tetraciclinas e 12,5 % eram produtoras de β-lactamases. Conclusões: A prevalência determinada neste estudo encontra-se superior ao esperado. Os resultados deste estudo indicam a existência de um importante problema de saúde pública e a necessidade de considerar a implementação de rastreios em grupos específicos de população. Este estudo confirma que as técnicas de PCR com os alvos porA e ccpB são satisfatórias para a deteção de Neisseria gonorrhoeae em amostras de urina. Apesar da percentagem de estirpes resistentes a tetraciclinas e penicilina ser elevada não foram demonstradas resistências a fluoroquinolonas ou cefalosporinas nas estirpes estudadas.
Introduction: Epidemiological surveillance of sexually transmitted infections is fundamental aspect to the success of control activities. Gonorrhoea, caused by the bacterium Neisseria gonorrhoeae, remains one of the most common sexually transmitted infections. Data on frequency of different STI microorganisms are scarce in Portugal and traditional epidemiologic surveillance is not sufficient. Empiric treatment is done in most of N. gonorrhoeae cases through a syndromic approach without recourse to laboratory analysis to confirm infection and moreover there are asymptomatic cases contributing to the continued spread of infection by N. gonorrhoeae. Gonorrhea is so far treatable and curable, but no vaccine is available. Consequently, the control of this disease depends on the identification and treatment of infected individuals and their contacts in transmission networks. On the other hand when bacteria culture is done, false negative results are occasionally observed due to prior self-medication from the patient or N. gonorrhoeae demanding growth in vitro characteristics. Objective: Evaluate the occurrence of Neisseria gonorrhoeae infection among patients from one venereology outpatient clinic in the first semester of 2011. Methodology: Descriptive and crossectional study. Consecutive sampling, number of samples calculation done by the Wald formula to a level confidence of 95 % and prediction error of 3,3 %. 145 urine samples were processed using multi-target nucleic acid amplification tests. Neisseria gonorrhoeae porA pseudogene sequence was detected by real-time polymerase chain reaction (PCR) and ccpB gene sequence of N. gonorrhoeae by PCR assay. Excluding criteria: do not agreeing to participate and/or not be able to understand the informed consent. Results: Neisseria gonorrhoeae was detected in 8 patients – 5,5 % overall prevalence. The prevalence among individuals with prior IST (n = 35) were significantly higher (p = 0,032). In this group N. gonorrhoeae was detected in 4 patients (11,43 %). In patients with complaints of discharge (n = 29), N. gonorrhoeae was detected in six (20,69 %), showing that prevalence among individuals with these complaints is also significantly higher (p = 0,001). Was detected coinfection with Chlamydia trachomatis in 1,4% of cases (2/145). The proportion of asymptomatic cases was 12,5% (1/8). The PCR assays were specific for detection of N. gonorrhoeae and more sensitive than culture. The isolated strains in culture from this study showed resistance to penicillin in 25 % of cases, 37,5 % to tetracycline and 12,5% were penicilase producing N. gonorrhoeae. Conclusions: The prevalence determined in this study is higher than expected. The results of this study show the existence of an important public health problem and the need to consider implementing screening in specific groups of population. This study confirms that PCR assay with targeted porA and ccpB are satisfactory nucleic acid amplification tests for the detection of Neisseria gonorrhoeae in urine samples. Despite the percentage of strains resistant to penicillin and tetracycline, increased resistance to cephalosporin or fluoroquinolone was not found.
URI: http://hdl.handle.net/10362/13998
Designação: Dissertação para a obtenção do grau de Mestre em Ciências Biomédicas
Aparece nas colecções:IHMT: MM - Dissertações de Mestrado

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