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Orientador(es)
Resumo(s)
A sophisticated system of finger-counting was developed in Greco-Roman antiquity and was used until the middle ages. It enabled people to count to high amounts on their fingers. In the early middle ages, this system gave emergence to a pictorial tradition that lasted centuries: throughout the middle ages, large numbers of illuminated manuscripts with depictions of number-gestures circulated across Europe. There is no doubt that finger-counting illuminated manuscripts carried a heavy cultural and intellectual weight in the middle ages. This is evident from the peculiar form of their images, the pervasiveness of the finger system in medieval society, and the diffusion and dynamism of the manuscript tradition. However, this tradition is still widely unexplored. Not only a broad comparative analysis is wanting, but many sources remain unexamined. This dissertation analyses two twelfth-thirteenth centuries little-studied Portuguese grammatical codices. Although these codices include finger-counting images – typically associated with arithmetic and astronomy – they are grammatical compilations. To properly evaluate this seeming misplacement, this dissertation contextualizes the codices in the intellectual and cultural framework of coeval Portuguese and European monasticism. As this dissertation shows, the finger system was a polyvalent medium that crossed discipline barriers and was even useful for the teaching of grammar. Furthermore, the finger-counting images are impregnated with rhetorical devices, including a variety of visual puns – functioning as “visual etymologies.” The Portuguese codices are thus a befitting framing for the finger-counting images. The nature of the problem required a multidisciplinary approach that benefitted from art history, latin, neuroscience, mathematics, computer science, and paleography.
Na antiguidade Greco-Romana, desenvolveu-se um sofisticado sistema de contagem digital, o qual foi usado até à idade média. Este sistema permitia contar até grandes quantidades usando apenas os dedos. Nos inícios da idade média, este sistema deu origem a uma tradição pictórica que se prolongou por séculos: ao longo da idade média, circularam pela Europa, em grandes números, manuscritos iluminados com representações de gestos numéricos. Não existem dúvidas de que os manuscritos iluminados com contagem digital transportavam consigo um grande peso cultural e intelectual, na idade média. Isto é evidente pela forma peculiar das suas imagens, pela ubiquidade do sistema digital na sociedade medieval, e pela difusão e dinamismo da tradição manuscrita. No entanto, esta tradição permanece ainda largamente inexplorada. Não só uma análise comparativa alargada está por fazer, como muitas fontes ainda não foram examinadas. Esta dissertação analisa dois manuscritos gramaticais Portugueses pouco estudados, dos séculos XII-XIII. Apesar destes códices incluírem imagens de contagem digital – tipicamente associada à aritmética e à astronomia – eles são compilações gramaticais. Para adequadamente avaliar o aparente extravio, este estudo contextualiza os códices no panorama cultural e intelectual do monasticismo coevo Português e Europeu. Tal como revela esta dissertação, o sistema digital era um medium polivalente que cruzava fronteiras entre disciplinas, e que era útil mesmo no ensino da gramática. Para além disso, as imagens de contagem digital estão impregnadas de dispositivos retóricos, incluindo uma série de trocadilhos visuais – funcionando como “etimologias visuais.” Os códices portugueses são, pois, um enquadramento adequado para estas imagens. A natureza do problema em estudo requereu uma abordagem multidisciplinar, que beneficiou da história da arte, do latim, da neurociência, da matemática, da informática, e da paleografia.
Na antiguidade Greco-Romana, desenvolveu-se um sofisticado sistema de contagem digital, o qual foi usado até à idade média. Este sistema permitia contar até grandes quantidades usando apenas os dedos. Nos inícios da idade média, este sistema deu origem a uma tradição pictórica que se prolongou por séculos: ao longo da idade média, circularam pela Europa, em grandes números, manuscritos iluminados com representações de gestos numéricos. Não existem dúvidas de que os manuscritos iluminados com contagem digital transportavam consigo um grande peso cultural e intelectual, na idade média. Isto é evidente pela forma peculiar das suas imagens, pela ubiquidade do sistema digital na sociedade medieval, e pela difusão e dinamismo da tradição manuscrita. No entanto, esta tradição permanece ainda largamente inexplorada. Não só uma análise comparativa alargada está por fazer, como muitas fontes ainda não foram examinadas. Esta dissertação analisa dois manuscritos gramaticais Portugueses pouco estudados, dos séculos XII-XIII. Apesar destes códices incluírem imagens de contagem digital – tipicamente associada à aritmética e à astronomia – eles são compilações gramaticais. Para adequadamente avaliar o aparente extravio, este estudo contextualiza os códices no panorama cultural e intelectual do monasticismo coevo Português e Europeu. Tal como revela esta dissertação, o sistema digital era um medium polivalente que cruzava fronteiras entre disciplinas, e que era útil mesmo no ensino da gramática. Para além disso, as imagens de contagem digital estão impregnadas de dispositivos retóricos, incluindo uma série de trocadilhos visuais – funcionando como “etimologias visuais.” Os códices portugueses são, pois, um enquadramento adequado para estas imagens. A natureza do problema em estudo requereu uma abordagem multidisciplinar, que beneficiou da história da arte, do latim, da neurociência, da matemática, da informática, e da paleografia.
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Palavras-chave
Santa Cruz Alcobaça De temporum ratione De computo Middle ages Rabanus Maurus Dactylonomy Monastic education Numeracy Embodied knowledge Visual culture Digital humanities Memory Grammar Computus Lexicography Bede Idade média Rabanus Maurus Dactilonomia Educação monástica Números Conhecimento corporizado Cultura visual Humanidades digitais Gramática Memória Lexicografia Beda Rábano Mauro
