Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
A relação do homem com a água tem vindo a modificar-se ao longo dos últimos
séculos. A humanidade perdeu o contacto espiritual com o arquétipo da água e, num
futuro muito próximo, arrisca-se a perder o elemento físico que é a água. A ontologia
da água tem a ver com a evolução temporal, a contaminação, a mistura, a fusão de
materiais e a recodificação permanente de memórias. A água é transformação,
metamorfose, regeneração formal, articulação da vida e da morte. Esta dissertação
tem como ponto de partida o acréscimo da presença da água como matéria na arte
contemporânea do Século XXI, os problemas ecológicos e de sustentabilidade
ambiental, bem como um trabalho pessoal, com mais de três anos, em torno de uma
sensibilização para o universo da água. O pensamento estético e a teoria da arte têm
passado a ser nas últimas décadas, um pensamento interdisciplinar em que filosofia e
história podem encontrar cada vez mais apoios nas ciências sociais, nas ciências
naturais, nas tecnologias e nos estudos culturais. O aumento da presença da água na
arte contemporânea deve-se principalmente às mudanças tecnológicas e científicas,
aos novos meios de codificação da informação, aos problemas ecológicos, à
privatização e a uma nova consciência do individuo e da humanidade. Pretende-se
encontrar sinergias em torno das relações e das interligações que cada vez mais, a
água tem com todos os campos da história, filosofia, arte, ciência e tecnologia. Para
tal serão estudados autores, projectos artísticos, investigações e estudos científicos em
torno de conceitos de forma, informação e memória da água. Ainda um inquérito
sobre a água será realizado a um universo de pessoas para obter uma noção do seu
conhecimento sobre a ontologia da água e algumas das suas características ímpares. A
água constitui para um grande número de artistas contemporâneos um elemento
material que tem a capacidade de ligar a experiência do mundo actual com um sentido
profundo e primogénito da mudança, do devir, de uma relação do ser humano com o
tempo e com a natureza. Redes de informação, fluxos de criação de conhecimento,
processos abertos, compartidos e complexos, referentes a realidades vinculadas com modelos de desenvolvimento das teorias do caos, da cibernética e da dinâmica dos
fluidos, panth rhei ! tudo flui. Uma investigação metodológica que defina e analise a
semântica de materiais contemporâneos numa perspectiva arqueológica dos meios
artísticos e científicos. Uma arqueologia de meios artísticos supõe uma atenção às
mudanças ontológicas experimentadas e uma análise critica da construção da
realidade. Este trabalho responde à consciência de uma necessidade de localizar
espaços de encontro entre perspectivas desunidas, de explorar pontos cegos e zonas
escuras, guardadas fora dos limites estabelecidos disciplinarmente.
Descrição
Dissertação apresentada para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção do
grau de Mestre em Ciências da Comunicação, Especialização em Comunicação e
Arte
Palavras-chave
Chave Água Arte Ciência Consciência
Contexto Educativo
Citação
Editora
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa
