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Título: Nos bastidores da liturgia tridentina : o mobiliário monumental e as sacristias em Portugal do século XVI ao XVIII
Autor: Marques, Cátia Teles e
Palavras-chave: Sacristias
Mobiliário litúrgico
Arcazes (Mobiliário)
Igrejas
Património móvel
Empreitadas artísticas
Rituais litúrgicos
Data de Defesa: 2007
Editora: Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa
Resumo: A presente Dissertação de Mestrado centra-se no estudo do mobiliário monumental de sacristia em Portugal dos séculos XVI ao XVIII, organizando-se em três núcleos fundamentais. Em primeiro lugar, a sacristia como contexto espacial das peças de mobiliário a ele destinadas. Em seguida, o mobiliário propriamente dito, com as suas diferentes funções e tipologias. E, por fim, a encomenda e produção do mesmo. Articulam-se, assim, diferentes vertentes – da liturgia aos valores artísticos, do acto da encomenda à economia da produção – numa complementaridade metodológica que procura garantir uma leitura globalizante do tema. O primeiro capítulo incide, por isso, na consideração do espaço da sacristia, nas suas origens e definição tipológica. Estabelece-se o momento da sua individualização na reforma tridentina, a partir do qual a sacristia se torna espaço de encenação, decorrente das exigências de aparato litúrgico, que converte as sacristias em estruturas de apoio, autênticos bastidores do ritual, o lugar que antecedia e finalizava tal encenação. Estabelece-se um percurso pelas sacristias portuguesas do século XVI até ao século XVIII e categorizam-se as mesmas em tipologias diferenciadas. A sacristia monumental ou arquitectónica, fundamentada na linguagem clássica e com uma valência intrínseca à arquitectura. E a sacristia ornamental ou cénica, que encontrou nas sucessivas campanhas de decoração barroca um efeito de aparato, a partir das artes integradas, como a talha e escultura, o azulejo ou a pintura. Considera-se, no segundo capítulo, o papel de relevo do mobiliário monumental em qualquer uma destas tipologias espaciais. O arcaz e o armário embutido foram, na verdade, autênticos agentes da definição da identidade das sacristias, dialogando por isso com a arquitectura dos espaços e/ou com os programas decorativos posteriores. Peças indispensáveis e obrigatórias em cada igreja, participaram de uma evolução tipológica particular no âmbito da história do mobiliário português, que é, neste trabalho, caracterizada desde as suas origens, no século XVI, até aos finais do século XVIII. Tratam-se aspectos tão significativos como o da influência da arquitectura na ideação do mobiliário, ou os diferentes recursos decorativos, tais como os embutidos e as guarnições metálicas, que tornam estas peças, por vezes, em obras-primas. A dimensão do aparato verificado nestas peças de mobiliário é, paralelamente, vista à luz da encomenda, tratando-se as questões relacionadas com o patrocínio régio ou de individualidades da aristocracia portuguesa; o processo efectivo da encomenda; a organização social dos oficiais que executavam as peças e os custos envolvidos. Na deriva de Trento, este capítulo da arte e da encomenda religiosa, ainda insuficientemente conhecido mas tão surpreendentemente rico, é caracterizado, essencialmente, numa dupla dimensão: a materialidade das questões da feitura e a materialização do fim catequético a que se propõem. Nos limites destas duas vertentes originaram-se tipologias artísticas, específicas de uma realidade institucional e do contexto histórico que a condicionou. Foi nesta integração que se geraram e desenvolveram o espaço da sacristia e o seu mobiliário monumental, ambos entendidos com as suas características autónomas.
Descrição: Dissertação de Mestrado em História da Arte
URI: http://hdl.handle.net/10362/12198
Aparece nas colecções:FCSH: DHA - Dissertações de Mestrado

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