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FCSH: DHA - Dissertações de Mestrado

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  • Catalogar para o futuro: a Biblioteca do Museu José Malhoa e o papel dos museus na difusão do saber
    Publication . Silva, Catarina Joaquim Ferreira da; Vargas, Carlos Manuel dos Santos
    O presente relatório apresenta o trabalho desenvolvido no âmbito do estágio curricular realizado na BMJM, entre setembro de 2024 e março de 2025, no contexto do segundo ano da componente não letiva do Mestrado em Museologia da NOVA FCSH. A principal atividade consistiu na identificação e catalogação do acervo bibliográfico da BMJM, procurando dar resposta à ausência de um sistema organizacional informatizado, sistemático e atualizado de modo a tornar o acervo em estudo acessível e funcional. O estágio assentou na implementação de uma metodologia de catalogação baseada nas normas da Classificação Decimal Universal (CDU), precedida por um levantamento exaustivo das condições físicas, documentais e funcionais da biblioteca. As tarefas desenvolvidas incluíram a identificação, organização e descrição bibliográfica de cerca de 4 000 volumes, bem como a proposta de medidas para a salvaguarda dos exemplares em mau estado de conservação. As tarefas realizadas visaram valorizar a BMJM enquanto ferramenta de apoio à investigação, educação e mediação cultural. Assente nos princípios da museologia contemporânea, este trabalho procurou contribuir para a preservação do património bibliográfico e para a democratização do acesso ao saber, projetando a biblioteca como espaço de memória, conhecimento e reforço da missão institucional.
  • Os Frescos de Dordio Gomes no Palácio da Justiça do Porto: discurso nacionalista e espaços de poder do Estado Novo
    Publication . Santos, Mariana Escoval dos; Torras, Begoña Farré; Lobo, Paula Cristina Ramos Ribeiro
    Esta dissertação centra-se no estudo dos frescos de Dordio Gomes executados para o Palácio da Justiça do Porto (1957 - 1961), situando-os no contexto das encomendas de arte para edifícios do Estado Novo. A análise debruça-se sobre a pintura mural a fresco na época moderna em Portugal, área ainda pouco desenvolvida, particularmente no que respeita a tribunais. Apesar da importância de Dordio Gomes no panorama artístico português, a sua obra a fresco permanece pouco estudada. Assim, esta investigação analisa a intersecção entre pintura a fresco, a encomenda artística no Estado Novo e a arte para espaços de Justiça, com o objetivo de compreender os discursos e simbolismos explorados nas décadas centrais do século XX. A investigação incluiu a observação das obras in situ, o estudo de imagens das mesmas em alta resolução e do cruzamento de fontes primárias e secundárias consultadas em arquivos e no espólio do artista. Com esta investigação exploramos como o discurso nacionalista foi utilizado pelo Estado Novo para veicular uma certa visão política de identidade pátria e reafirmar o poder do regime em espaços públicos, contribuindo paralelamente para o estudo da pintura mural como instrumento artístico e de propaganda no século XX.
  • Vozes apagadas do Jardim Botânico Tropical: O ‘Zoológico Humano’ da Secção Colonial, da Exposição do Mundo Português (Lisboa, 1940)
    Publication . Plácido, David Adriano Freitas; Campos, Alexandra Curvelo da Silva
    Este relatório de estágio, realizado no Museu Nacional de História Natural e da Ciência (MUHNAC), centra-se nas pessoas que viveram nas aldeias da Secção de Etnografia Colonial, durante a Exposição do Mundo Português, em 1940. No espaço, onde hoje é o Jardim Botânico Tropical, estiveram 159 pessoas oriundas de diversas partes do território ultramarino português, numa encenação preparada para replicar representações da vida quotidiana colonial. O trabalho desenvolvido tem como principal objetivo a identificação e caracterização demográfica das pessoas que foram expostas e objetificadas na Secção Colonial. O relatório pretende convocar vocalidade e confronto com a história do Jardim, permitindo fomentar uma possível ressignificação do espaço e da memória pública.
  • Museu de Lisboa: vantagens de uma abordagem multidisciplinar na organização de uma exposição
    Publication . Jesus, Isabel Ferradeira de; Flor, Susana Maria Munhá Antunes Calado Varela de Almeida
    Decorrente do estágio curricular realizado no Museu de Lisboa, o presente relatório analisa criticamente as práticas museológicas observadas sobretudo na sede do ML, mas também noutros núcleos da instituição. Partindo da importância da multidisciplinaridade para a conceção e organização de exposições, O Palácio da Cidade de Keil do Amaral e Crónicas de uma Lisboa desconhecida são alvo de observação e reflexão, ilustrando distintas estratégias museológicas não só a nível curatorial como de mediação com o público. A reflexão estende-se ao papel do inventário e da história oral na salvaguarda e valorização do património, com destaque para o espólio fotográfico e as memórias associadas ao futuro núcleo da Fábrica de Moagem. Integram-se ainda experiências de acompanhamento em oficinas educativas no núcleo de Santo António e no apoio logístico às visitas às Galerias Romanas, sublinhando a diversidade das práticas museológicas contemporâneas. O relatório evidencia, assim, como a articulação entre diferentes equipas do Museu de Lisboa contribui para a afirmação da instituição enquanto espaço inclusivo, dinâmico e apelativo para o público generalizado que o caracteriza.
  • Mensageiros da arte: Fotografia Contemporânea e História Postal no Contexto Museológico
    Publication . Sousa, Manuel Duarte Pereira de; Fernandes, Ana Janeiro; Barbeiro, Neusa Maria Branco
    O projeto Mensageiros da Arte: Fotografia Contemporânea e História Postal no Contexto Museológico constitui uma proposta crítica e inovadora no campo da museologia contemporânea, ao explorar a intersecção entre práticas vernaculares de documentação, património imaterial e mediação comunitária. O eixo estruturante assenta no desenvolvimento de um modelo museológico híbrido que articula fotografia contemporânea vernacular e história postal enquanto dispositivos de construção de memória coletiva e de curadoria participativa. Esta abordagem propõe uma reconfiguração epistemológica dos processos de patrimonialização, ampliando os modos de mediação cultural e reforçando o papel social dos museus. Assumindo a figura do carteiro como mediador cultural situado, o projeto ativa novas práticas de escuta, representação e inscrição simbólica dos territórios quotidianos, com especial atenção a contextos periféricos e sub-representados. Pretende-se, assim, salvaguardar e valorizar o património imaterial brasileiro, capacitando os carteiros como agentes culturais e documentaristas locais. Ao reconhecer o contributo destes profissionais na criação de vínculos sociais e na escuta das comunidades que percorrem diariamente, o projeto amplifica narrativas culturais enraizadas, convertendo-as em elementos dinâmicos de ligação entre o Brasil e o mundo. O objetivo central consiste em integrar estas narrativas em dispositivos museológicos inovadores, como plataformas digitais interativas, exposições híbridas e conteúdos em realidade aumentada. Estes recursos procuram fomentar o diálogo intercultural, assegurar a representatividade de práticas culturais marginalizadas e reforçar a inclusão social, a diversidade cultural e o acesso equitativo ao património. Desta forma, a proposta reafirma o compromisso com uma museologia crítica, atenta às desigualdades culturais e orientada para a coautoria entre instituições e comunidades. Inspirando-se em experiências como Portugal Connosco – O Olhar dos Carteiros (CTT, 2012), Everyday Africa (2012) e o Museu da Pessoa (Brasil, desde 1991), o projeto combina estratégias documentais e tecnológicas na criação de narrativas visuais colaborativas, ancoradas em metodologias participativas e ferramentas digitais acessíveis. A sua dimensão experimental inclui mapeamentos georreferenciados, realidade aumentada vernacular e 6 arquivos afetivos digitais, transformando o museu num espaço de escuta ativa, coautoria museológica e inovação curatorial. Alinhado com os princípios da Nova Museologia, da ecomuseologia e do pós-museu, Mensageiros da Arte contribui para a redefinição do papel social das instituições museológicas e para a construção de modelos curatoriais mais democráticos, inclusivos e enraizados nos modos de vida e nas memórias dos cidadãos. Mais do que documentar, este projeto procura co-criar património com as comunidades postais, convertendo os trajetos quotidianos dos carteiros em percursos museológicos vivos, amplificados por ferramentas digitais e narrativas afetivas.
  • Imaginar Histórias da Arte Queer em Portugal: o caso de Mário Cesariny
    Publication . Góis, João Miguel Melo de; Ramos, Afonso Dias; Marques, Bruno José de Sousa
    A História da Arte portuguesa tem criado uma omissão em torno do impacto das identidades sexuais na produção plástica e no percurso de artistas de sexualidade dissidente. Como resultado de um longo processo disciplinar de dessexualização, a dimensão queer na produção artística tem sido sistematicamente invisibilizada, sendo frequentemente enquadrada em categorias estilísticas e leituras formalistas que neutralizam o potencial transgressor dessas obras. Esta omissão torna-se particularmente notória quando analisamos o espólio plástico de artistas abertamente homossexuais como é o caso de Mário Cesariny, cuja obra homoerótica - como as pinturas dos Marinheiros ou a série Moby Dick - foi historicamente invisibilizada e remetida para caso isolado. Perante este silêncio, revela-se uma lacuna crítica: a sua condição de homem homossexual e a contextualização do seu trabalho artístico declaradamente homoerótico. Ao colocar a sexualidade no centro do discurso, uma abordagem queer permite compreender o desígnio e a razão de ser destas imagens, inscrevendo-as numa linhagem homoerótica internacional, em que a figura do marinheiro surge como metáfora privilegiada da dissidência. A análise destas obras no âmbito da vida privada do artista e no contexto cultural que consolidaram o imaginário homoerótico do marinheiro nos séculos XIX e XX, permite associá-las a valores de erotismo, virilidade, liberdade e classe. Os marinheiros de Cesariny tornam-se símbolos pictóricos de transgressão e de resistência em ambientes homofóbicos, materializando o desejo erótico gay codificado numa masculinidade heteronormativa. Estas obras operam como práticas críticas de memória e de afirmação cultural, sendo retomadas por parte de artistas contemporâneos como Vasco Araújo e a dupla João Pedro Va e e Nuno Alexandre Ferreira, que resgatam a figura e a obra homoerótica de Cesariny para estabelecer diálogos com a memória histórica das vivências LGBTQI+. O seu trabalho de reinterpretação do passado e de criação de genealogias queer contribui para a construção de uma continuidade histórica da comunidade. Ao sugerir como a ausência de leituras queer perpetuam a marginalização destas produções artísticas, propõe-se uma revisão metodológica da História da Arte portuguesa. Defende-se a integração de abordagens mais plurais que considerem como os contextos sociais, culturais e políticos moldaram o percurso destes artistas, desafiando os silenciamentos impostos pela hegemonia heteronormativa e reivindicando métodos adequados a uma leitura atenta ao desejo dissidente.
  • Introspeção Museográfica: Expor ou Queimar Arte Falsa? Modus Operandi Gulbenkian na Era Pós-Contemporânea
    Publication . Palma, Luiza Cristina Fernandes; Curvelo, Alexandra; Mafra, Margarida
    O relatório de estágio aborda problemáticas museográficas contemporâneas relacionadas com a inventariação, autenticidade, ética e gestão de coleções de arte, com base no estágio curricular de mestrado em Museologia, realizado no Núcleo de Gestão da Coleção do CAM - Centro de Arte Moderna Gulbenkian. As atividades deste estágio procuram dar resposta a recomendações da auditoria interna da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), dirigidas ao referido núcleo, e resultam da aplicação prática dos conhecimentos teóricos adquiridos academicamente, contribuindo para a preservação de todo o acervo da Coleção em contexto de incerteza de autenticidade de obras de arte. A Coleção Moderna remonta a 1957 e foi musealizada em 1983. Em 2020, no contexto da requalificação integral do edifício do CAM, o acervo foi integralmente transferido para as reservas do Museu Calouste Gulbenkian (MCG), regressando ao CAM em 2024, num processo que constituiu um desafio museográfico de grande escala. Durante este movimento museográfico, procedeu-se à classificação das peças sem identificação física, por perda ou ausência de elementos inventariais, como Objetos Não Identificados/Inventariados (ONIs) e Objetos da Coleção Moderna (CMs), que se tornaram objeto de investigação e estudo no âmbito do estágio. Numa investigação sistemática sobre a sua proveniência e autenticidade de 456 objetos, foi possível reconhecer um número significativo de obras passíveis de incorporação na Coleção CAM. Colateralmente, o estudo aborda um caso museográfico singular, ainda atual, afeto à Fundação Calouste Gulbenkian, relativo à guarda de 1.522 peças atribuídas ao estilo do artista modernista António Palolo, apreendidas em 2000 por suspeita de falsificação. Por decisão do Tribunal Criminal de Lisboa, e dado ser o CAM a instituição com maior acervo do artista, as peças foram-lhe confiadas ao invés do Museu da Polícia. Determinou-se judicialmente a incorporação das obras genuínas na Coleção do CAM e a destruição ou alienação das falsas. O relatório propõe um plano museográfico ético e transparente para a gestão integrada destes dois casos.
  • Arte e coletivismo na cidade do Porto (1998 – 2013): o potencial democrático de 15 anos de práticas artísticas colaborativas e os seus antecedentes históricos
    Publication . Gomes, Ana Raquel Ermida; Alves, Margarida Brito; Quéloz, Catherine; Schneiter, Liliane; Sholette, Gregory
    A presente dissertação tem por objetivo analisar o potencial democrático dos processos de coletivização das práticas artísticas, tomando como estudo de caso um movimento inédito de coletivização que ocorreu no Porto entre 1998 e 2013 e que originou a criação de cerca de 45 grupos, envolvendo aproximadamente 160 artistas. Através do mapeamento, categorização e análise da dimensão micropolítica dos coletivos que deram origem a este fenómeno – que permanece até aos dias de hoje por documentar e investigar –, pretende-se avaliar de que forma a coletivização das práticas artísticas contribui para modelos mais participativos e diretos de democracia e de cidadania, alinhando-se com as premissas de cooperação, colaboração e participação política ativa consagradas na Constituição da República Portuguesa, que define as artes e a cultura como campos privilegiados de exercício democrático. Através de entrevistas aos artistas e aos agentes culturais envolvidos, e da análise de material de arquivo, procurou-se reconstituir a atividade destes coletivos, tendo sido possível observar a criação de uma rede de apoio mútuo entre grupos e artistas, assente numa economia de partilha e na construção de um comum artístico. Por forma a melhor compreender o fenómeno, porém, esta dissertação começa por abordar os antecedentes históricos deste movimento, partindo do pressuposto de que a organização coletiva dos artistas se manifesta de forma cíclica, em momentos de crise política e social. Como tal, procurar-se-á identificar as principais linhas de força que terão precipitado a coletivização das práticas artísticas ao longo do século XX, começando pelas primeiras vanguardas e culminando nos ativismos artísticos do século XXI. Depois disso, seguir-se-á uma análise da organização coletiva dos artistas em Portugal no período revolucionário (após a Revolução do 25 de Abril) e à sua colaboração no processo de construção da democracia, argumentando-se que se terão aí desenvolvido os princípios e os valores democráticos que irão dar origem à Constituição da República Portuguesa. Face ao processo de neoliberalização da economia e do sistema democrático que o país irá testemunhar nos anos que se seguem à revolução, a organização coletiva dos artistas irá ressurgir de forma recorrente. Como se procurará mostrar, ela servirá não só para contestar essas transformações, como também para colmatar a falta de apoio institucional à cultura e às artes, provando assim, por um lado, o potencial democrático da organização coletiva a partir de baixo, mas também as fragilidades da governação política e daquilo que é hoje a democracia portuguesa.
  • Ouvir, questionar, dar lugar
    Publication . Espinha, Carlota Fernandes Ramada Caldeira; Campos, Alexandra Curvelo da Silva
    O presente relatório de estágio resultou de uma investigação realizada no âmbito de um estágio curricular no Serviço de Educação, Mediação e Participação do Centro de Arte Moderna (CAM) da Fundação Calouste Gulbenkian, entre outubro de 2023 e junho de 2024, com fim à conclusão do Mestrado em Museologia. Os estudos no campo da educação têm resultado numa mudança no que toca à compreensão sobre processos de aprendizagem. Se anteriormente se pensava na aprendizagem como um processo passivo de consumo de informação, hoje a aprendizagem é tomada como um processo que se desenvolve a longo prazo, no qual o aprendiz toma um papel ativo no seu próprio desenvolvimento. Neste novo paradigma, o conhecimento é construído num espaço de diálogo e negociação de significados entre duas ou mais partes, preconizando também um outro lugar e perspetiva da prática da mediação. Ao mesmo tempo, a experiência museal do visitante não se cinge a um processo de aprendizagem, nem somente a uma aprendizagem conceptual. É uma experiência completa, influenciada por contextos pessoais, socioculturais e físicos, que envolve não só o momento da visita ou atividade, mas também os momentos anteriores e posteriores às mesmas, as memórias, significados e sensações traduzidas pela experiência. As práticas participativas têm sido utilizadas cada vez mais por instituições culturais, numa tentativa de se criar com o público e não apenas para o público, para o conhecer, responder às suas necessidades, interesses e preocupações e criar experiências significativas na sociedade atual e com as comunidades. Assim, neste relatório a experiência museal e o processo de aprendizagem do visitante são analisados a partir de projetos e metodologias participativas, tendo como estudos de caso a segunda edição do projeto Lugar e o Conselho Consultivo Jovem 23- 24.
  • Murais comunitários de Riachos: Documentos orientadores para a sua conservação
    Publication . Leite, Joana da Silva Fradoca Ferreira; Campos, Alexandra Curvelo da Silva; Ferraz, Ângela Sofia Alves
    Riachos é uma vila rural e agrícola com um forte espírito associativo que celebra a Festa da Bênção do Gado a cada quatro anos. Em 2012 e como resultado dessa celebração surgiram os murais, utilizados como uma forma de engalanar as ruas durante a festa. Dada a forte aceitação pela parte da comunidade e visitantes, foram criados outros nas edições seguintes. Assumidos como património cultural comunitário, foi sentida a necessidade de os preservar. Como contributo para esse objetivo foram criados, neste trabalho de projeto, documentos orientadores. O protocolo de monitorização visa acompanhar o estado de conservação dos murais existentes. O guia de criação visa apoiar a execução de novos.