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Orientador(es)
Resumo(s)
A presente dissertação tem por objectivo analisar um aspecto específico das
multi-facetadas relações luso-nipónicas dos séculos XVI e XVII. Foi intenção do
trabalho estudar, à luz da documentação jesuítica, a nobreza cristã de Kyûshû, a par do
relacionamento que estas linhagens mantiveram com o Cristianismo e os seus agentes,
durante o período em que os missionários europeus foram autorizados a permanecer no
Japão.
O nosso ponto de partida consistiu no estudo daquelas que sabemos terem sido,
durante uma parte significativa da segunda metade do século XVI e os primeiros anos
do século seguinte, as principais linhagens cristãs de Kyûshû, a saber, os Koteda, os
Ômura, os Arima, os Ôtomo, os senhores do arquipélago de Amakusa e, numa fase já
tardia, os Konishi. A importância destas estirpes no contexto político-social e militar
japonês não era evidentemente a mesma. Os líderes das casas Koteda, Ômura e os
vários senhores do arquipélago de Amakusa, denominados kokujin, pertenciam a
linhagens de menor protagonismo político-militar. Os primeiros eram vassalos de uma
linhagem de dáimios, os Matsuura de Hirado; os últimos senhoreavam um pequeno
arquipélago que, durante o período em estudo, passou pelas mãos de várias estirpes,
Ôtomo, Shimazu e Konishi. Numa escala diametralmente oposta temos os Ôtomo e os
Konishi, dáimios de Bungo e de Higo, respectivamente, que, em períodos distintos,
foram as linhagens cristãs mais proeminentes da ilha.
Foi nos domínios pertencentes a estas estirpes que o grosso do investimento
jesuíta foi realizado. Na verdade, de uma forma geral, em nenhuma outra zona do
arquipélago houve um investimento análogo, pelo menos com a continuidade e a
dimensão daquele que foi realizado em algumas destas zonas de Kyûshû. No entanto, o
trabalho missionário desenvolvido nos diferentes domínios destes guerreiros foi
desigual e, à data de expulsão dos religiosos do Japão (1614), eram as populações do
Noroeste da ilha aquelas que tinham sofrido uma influência mais duradoura e sólida da
parte dos missionários. Deste modo, o Cristianismo acabou por conhecer uma
implantação maior em áreas como Ômura, a vizinha península de Takaku ou as ilhas
sob jurisdição dos Koteda, locais onde mais tarde, e como resposta às crescentes
pressões do xogunato Tokugawa (1603-1867) para extirpar o Cristianismo do Japão,
surgiram várias comunidades distintas e isoladas de kakure kirishitan.
Deste modo, no que respeita aos limites geográficos cingimos a nossa análise às
casas nobiliárquicas cristãs de Kyûshû acima citadas. Os limites cronológicos do trabalho abarcam o período em que os padres actuaram livremente no Japão, de 1549 a
1614.
Descrição
Dissertação de Mestrado em História dos Descobrimentos e da
Expansão Portuguesa (séculos XV-XVIII)
Palavras-chave
Relações internacionais Portugal Japão Missionação portuguesa Jesuítas (Religiosos) Cristianismo Séc. 16-17
Contexto Educativo
Citação
Editora
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa
