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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Um porto de pesca natural e a ruína de um “castelo”. Uma pequena comunidade
de pescadores, na costa norte da ilha de São Miguel, que se quer integrar nos circuitos globais
e discute como. Em Porto Formoso ninguém parece duvidar de que o “progresso” não pode
ser travado, mas nem todos concordam sobre o modo como esse progresso deve ser
concretizado. Se muitos acreditam ser necessário fazer obras em cimento para melhorar o
porto e viabilizar assim o futuro da pesca, uma profissão identitária da freguesia, outros
preferem desactivar o porto e reconverter o lugar num destino turístico, apostando pelo seu
valor natural e histórico e aderindo assim aos discursos do poder que alimentam a ideia de
que tornar-se um destino turístico é sinónimo de crescimento, progresso, enriquecimento e
emprego. Os habitantes de Porto Formoso movimentam-se assim entre múltiplas opiniões e
perspectivas, às vezes contraditórias, que evidenciam diferentes formas de pensamento, de se
perceber a modernidade e o progresso, de se sentir no presente e de se projectar no futuro.
Questões sociais, culturais, laborais e de identidade complexificam os avanços num ou noutro
sentido, e põem em relevo a profundidade dos factores que intervêm na construção identitária
de um local e na sua mercadorização. Estão em causa dois modelos de desenvolvimento, dois
caminhos possíveis para integrar esta localidade nos circuitos globais através da sua
modernização. Mas é a “modernidade” a valorização do passado ou o afastamento do mesmo?
Museus ou cais? Turistas ou pescadores? E ainda mais: qual é esse passado de que se fala em
Porto Formoso? Pesca ou história? O Homem ou a Natureza? As discussões que se vivem no
Porto Formoso reflectem uma discussão que se propaga pelo mundo, e num momento em que
as estruturas tradicionais e os sistemas de valores estabelecidos cambaleiam, a ausência de
referências firmes, característica da “modernidade”, faz com que os conceitos de futuro, em
relação ao presente e ao passado nadem na ambiguidade e na incerteza. Neste sentido, este
trabalho pretende reflectir sobre os valores que se põem em causa e os que prevalecem
aquando desta discussão.
Descrição
Dissertação apresentada para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção do grau de
Mestre em Antropologia e Culturas Visuais
Palavras-chave
Modernidade Progresso Pesca Turismo Natureza Património
Contexto Educativo
Citação
Editora
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa
