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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
A maioria daqueles que escrevem aforismos são tipos pouco simpáticos.
As pessoas que se acautelem. Eles iludem-se acerca da verdade,
pensando que ela se compõe de pequenas verdades isoladas, que
podem ser apanhadas como as moscas. Basta ter um mata-moscas à
mão e zás! Uma verdade, prás! Um aforismo. Depois enchem-se grossos
volumes ou brochuras bibliófilas e, na verdade, não passam de
uma colecção de moscas mortas.
O verdadeiro escritor de aforismos é um tipo raro. Para ele, o aforismo
não é o resultado final de um acto do pensamento, mas sim o testemunhar
dramático do processo mesmo de pensar. O pensamento cristaliza-
se inesperadamente, em pleno processo de realização. A reflexão
líquida adensa-se num momento fortuito e toma corpo, não como
sabedoria disponível, não como sentença ou dizer de almanaque, mas
como desafio a entrar naquele percurso do pensar, que ali se condensou
num pedaço de linguagem; desafio a dissolver de novo o que se
cristalizou, e a entregar-se ao seu imprevisível rumo, à sua torrente
provavelmente caudalosa."
Descrição
pp. 23-33
