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Entre “arte nacional”, “arte pela arte” e “arte social”

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Resumo(s)

Nas décadas de 1910 e 1920, Lisboa testemunhou um florescimento sem precedentes do interesse pelos concertos sinfónicos públicos. Trata-se de um episódio central na história da música em Portugal, pelo impulso que se verificou no sentido da actualização da vida musical da capital, com a divulgação de um repertório orquestral bastante alargado e em grande parte ainda desconhecido do público lisboeta. As contendas políticas em curso durante este período conturbado envolveram igualmente o campo cultural, tendo as suas instituições desempenhado, de facto, parte activa na luta em curso pela dominação simbólica. E o discurso que então circulava em torno da música sinfónica, visando antes de mais a legitimação da sua conjecturada transcendência entre as práticas socioculturais existentes, não pôde também deixar de assumir colorações políticas. Na fase inicial da Primeira República (1910-1917), designadamente, a posição assumida por um conjunto de críticos alinhados com uma orientação republicana liberal progressista ambicionava a valorização da função civilizacional da música sinfónica, enquanto um movimento oposto esposado por um campo conservador alargado abraçava a noção de “arte como refúgio do real”. A presente comunicação focaliza em particular as transformações que se observam nessa situação entre a viragem para os anos vinte e o fim da República. Pretende-se, por um lado, examinar os elementos e as implicações de um discurso de reacção contra ambas as linhas, surgido ainda no final da década de 1910, perfilhado essencialmente por um núcleo de doutrinadores envolvidos com o Integralismo Lusitano (entre os quais se destacava a figura de Luís de Freitas Branco). Por outro lado, pretende-se também analisar o percurso ulterior das referidas linhas discursivas pré-existentes, que manterão a sua relevância ao longo da década de 1920, alimentadas por antigos e novos protagonistas. Observa-se, deste modo, a complexa e tensa interacção entre as noções de “autonomia estética” e “arte social” nos discursos que operavam o uso político e social da música sinfónica produzida e recebida em Lisboa nesta era.

Descrição

UID/00693/2025 https://doi.org/10.54499/UID/00693/2025

Palavras-chave

Musicologia Musicology Musicologia Histórica Historical musicology História da Música em Portuga History of Music in Portugal Primeira República Portuguese First Republic Música e política Music and politics Música e discurso Music and discourse Música sinfónica Symphonic music Filosofia da Música Phillosophy of Music Estética musical Aesthetics of music Arts and Humanities (miscellaneous) Music Social Sciences (miscellaneous)

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