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Consumo, rendimento disponível e restrições de liquidez na economia portuguesa

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Desde a adesão de Portugal à Comunidade Europeia em 1986 até à terceira fase da União Económica e Monetária, com a concretização da Moeda Única, profundas mudanças condicionaram a evolução da economia portuguesa e o comportamento dos agentes económicos. Assistiu-se ao início de um novo regime económico em Portugal e, em particular, a um reforço na estabilidade macroeconómica. A participação de Portugal na União Europeia implicou também a implementação de reformas profundas em alguns sectores da economia, nomeadamente no sector financeiro. O presente estudo analisa a sensibilidade do consumo do rendimento disponível em Portugal, considerada como uma medida de restrições de liquidez, e a sua evolução ao longo dos últimos anos, relacionando esta evolução com as condições vigentes na economia, nomeadamente o grau de liberalização e de desregulamentação do mercado financeiro. Utilizando o modelo de gerações sobrepostas por Blanchard (1985) e introduzindo a possibilidade de existirem consumidores com restrições de liquidez, estima-se uma função consumo para Portugal utilizando o Método Generalizado dos Momentos. São implementados vários procedimentos para estudar as restrições de liquidez na economia portuguesa e a sua evolução ao longo dos últimos anos: a estimação da função consumo considerando coeficientes fixos, para o período amostral completo, dividindo a amostra em dois períodos e utilizando uma amostra deslizante, a estimação pelo método de coeficientes variáveis utilizando o filtro de Kalman; a introdução de variáveis que possam ajudar a explicar a evolução das restrições de liquidez. A evidência empírica da estimação consumo para Portugal permite concluir que a percentagem do rendimento disponível recebido por consumidores com restrições de liquidez foi de 59% no período de 1980 a 2003. Quando se considera isoladamente a década de 80 e o período de 1991 a 2003, conclui-se que este valor passa de 63 %para 37%. Estimando a função consumo utilizando o filtro de Kalman conclui-se também que as restrições de liquidez diminuíram ao longo dos anos 90, mas que existe uma inversão desta tendência nos anos mais recentes. Os resultados obtidos no presente estudo apontam também para uma correlação negativa entre a evolução das restrições de liquidez em Portugal e o grau de liberalização do mercado financeiro, medido pelo diferencial entre as taxas activas e passivas e pelos activos financeiros em rácio do PIB, e permitem ainda concluir que as restrições de liquidez aumentam na presença das taxas de juro e das taxas de desemprego mais elevadas.

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