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Voz ainda humana? Do corpo ao corpo sem sombra: o telefone como produtor de novas subjectividades

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Quando Jean Cocteau escreve, em 1927, a peça A" Voz" Humana, o telefone começava a afirmardse nos hábitos dos parisienses. No entanto, a sua presença provoca no quotidiano dos seus utilizadores efeitosparadoxais. Simultaneamente pervasivo e discreto, o telefone transforma radicalmente a comunicação humana ao erradicar a distância criando uma ilusão de proximidade. No monodrama de Cocteau, uma mulher fala ao telefone com o seu amante que acaba de a abandonar. Sem a presença física do outro, estão dependentes das possibilidades técnicas do aparelho e do sistema de comunicações encontrandodse – em termos reais e metafóricos d ligados por um fio. A voz é, nesta peça, um elemento essencial, tal como o é o telefone que possibilita a comunicação entre os amantes mas, também, a pode suspender ou tornar menos efectiva, pela ocultação dos corpos, eliminando, desta forma, outro tipo de comunicação que não a verbal. Mais de oitenta anos passados sobre a escrita da peça, o espectáculo A" Voz" Humana propõe, na cena, um telefone sem fios. Que realidades espaciais determina esta nova abordagem? Em que medida, no confronto com o telefone original de Cocteau, se estabelecem ainda outras subjectividades?

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Voz Corpo Mediação Telefone Tempo Espaço Proximidade Distância Trabalho de projeto

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