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FCSH: CESEM - Documentos de conferências nacionais

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  • O Jornal de Modinhas (1792-96)
    Publication . Pacheco, Alberto; Centro de Estudos em Música (CESEM - NOVA FCSH)
    Em Lisboa, entre 1792 e 1796, veio à luz o Jornal de modinhas, que publicava quinzenalmente partituras de canções, geralmente para voz(es) e instrumento de teclas. O Jornal ficou sempre lembrando como o primeiro periódico musical português, sendo um dos mais importantes testemunhos da canção portuguesa de seus dias. Nos últimos anos, um grupo de músicos, coordenado por Alberto Pacheco, tem trabalhado para realizar a edição crítica integral desse periódico. Essa edição está em sua fase de conclusão e a Biblioteca Nacional de Portugal já demonstrou interesse em publicá-la. Paralelamente, prepara-se a gravação de uma seleção de modinhas publicadas pelo Jornal que permanecem sem um registro fonográfico formal. A gravação, a ser realizada em meados deste ano, envolve mais de seis músicos e conta com o apoio financeiro da GDA, através do edital “Edição Fonográfica de Intérprete”. Essa comunicação pretende apresentar esse processo de edição e gravação, refletindo sobre seus desafios e métodos, enquanto ressalta a relevância e o significado do Jornal.
  • Cantos de Camões em tempos de revolução – Turbulências operísticas
    Publication . Gomes-Ribeiro, Paula; Departamento de Ciências Musicais (DCM); Centro de Estudos em Música (CESEM - NOVA FCSH)
    A primeira tentativa de representação da ópera Canto da Ocidental Praia, op. 39, de António Victorino de Almeida, no Teatro Nacional de S. Carlos que se encontrava então sob a direção artística de João de Freitas Branco, foi impedida pela PIDE, que apreendeu, segundo o compositor, os programas previamente impressos levando a equipa a suspender a estreia, antevendo-se que o espetáculo estaria, inevitavelmente, condenado à interdição. A ópera fora encomendada ao compositor em 1971 pela RTP com a finalidade de ser não só representada ao vivo, mas também registada em áudio e posteriormente realizada em vídeo, num cenário natural. Segundo o compositor, Canto da Ocidental Praia “é a vida do Camões relatada só com palavras dele, só com textos dele, poemas ou até cartas também, e também com documentos oficiais da época” (Victorino d’Almeida 2011). A estreia mundial da ópera sucede, assim, após o 25 de abril, já sob o período de direção artística de João Paes (1974-1981), que fora proposto por João de Freitas Branco para o substituir nesse cargo em agosto de 1974, quando este último é nomeado diretor-geral dos Assuntos Culturais (cf. Vieira de Carvalho 1992, p. 259). A ópera estreia-se em pleno PREC, a 10 de junho de 1975, por ocasião das celebrações do dia de Camões cujo feriado viria a coincidir com o segundo “dia de trabalho para a nação”, tendo o primeiro sido registado a 6 de outubro de 1974, por proposta de Vasco Gonçalves e Costa Martins. A produção da ópera teve duas das récitas no TNSC, seguindo posteriormente para o Coliseu dos Recreios, em Lisboa, e depois para o Coliseu do Porto. É esta última récita que a RTP transmite em direto, sobrevivendo o registo audiovisual do espetáculo. Esta comunicação, que visa abordar a breve passagem pela cena portuguesa da ópera O Canto da Ocidental Praia, assenta em três linhas principais de investigação cujo cruzamento tem como objetivo uma compreensão mais profunda e sistemática de aspetos operativos, ideológicos e políticos que enraízam a produção da ópera em questão, e do modo como a representação da figura de Camões (e da História de Portugal), se manifesta como um dos grandes eixos da polémica que a envolve. A primeira linha introduz e debate a visão músico-dramatúrgica de Victorino de Almeida sobre a vida de Luís de Camões, num complexo e tumultuoso contexto político e cultural de transição entre o Estado Novo e a Democracia. A segunda, examina e discute as complexas condições de produção que envolvem esta estreia mundial, alicerçando se em narrativas de vários dos intervenientes neste evento, bem como nas do próprio compositor. A terceira, introduz uma análise da prolífica receção na imprensa escrita desta produção. Ao abordar a produção e receção da ópera Canto da Ocidental Praia, esta comunicação analisa o modo como a obra reflete as tensões culturais e políticas de um Portugal em transformação, e questiona até que ponto a figura de Camões foi utilizada, tanto pela censura quanto pelos seus críticos, como um catalisador de disputas ideológicas que marcaram a época.
  • A boa administração manda que o Estado não gaste um vintém para ter teatro lírico
    Publication . Santos, Luís M.; Departamento de Ciências Musicais (DCM); Centro de Estudos em Música (CESEM - NOVA FCSH)
    A presente comunicação vem revisitar as vicissitudes do percurso acidentado do Teatro de São Carlos nos primeiros anos da República, desvendando, a partir da análise da imprensa generalista e daquela mais marcadamente política, bem como de documentação legislativa coeva, alguns dados históricos que permitem conhecer melhor a difícil relação que se estabeleceu entre essa instituição e o novo regime republicano implantado a 5 de Outubro de 1910. Pretende-se, por um lado, identificar os vários factores que ditaram a crise do teatro lírico lisboeta, bem como aqueles que foram sucessivamente inibindo a possibilidade da sua reabertura. Por outro lado, pretende-se igualmente, tendo sempre em atenção as divergências patentes entre diferentes sensibilidades republicanas, explorar a posição alimentada pelo regime em relação ao Teatro de São Carlos, considerando-a no âmbito da política cultural adoptada e da implementação de uma reforma simbólica mais alargada.
  • Salvini
    Publication . Valente, Tânia; Centro de Estudos em Música (CESEM - NOVA FCSH)
    O nome de Gustavo Romanoff Salvini ainda é desconhecido para muitos musicólogos, e sua vida também. No geral, sabe-se que foi cantor, professor de canto, compositor, que é autor de uma obra chamada Cancioneiro musical português e outra chamada As Minhas lições de canto: método Vaccai para uso dos portugueses. Muitos especulam a sua ligação à família imperial russa, por conta do nome “Romanoff” (na verdade, nunca comprovada). Aos poucos, começa-se a reconhecer o seu papel pioneiro ao pôr em música textos de autores portugueses, numa tentativa de criar o “kunstlied” português. Também sua visão do ensino do canto, que fazem dele um professor à frente do seu tempo, continua a ser divulgada. No entanto, o talento artístico de Salvini extravasava para outras artes, que não só a Música. O mesmo acontecia com o seu conhecimento científico. E mesmo não sendo quiçá um Romanoff, a vida de Salvini não deixa de ser fascinante e fantástica, tendo dela feito parte grandes personalidades do século XIX, da música, da literatura, da fotografia e da vida do Porto oitocentista. Mas a faceta mais extraordinária da vida de Salvini terá sido a sua luta pela causa da língua portuguesa no canto lírico. Morreu pobre, foi sepultado numa “gruta” carregada de simbolismo alquímico e deixou descendência em Portugal e no Brasil. Porém, até ao fim dos seus dias, não perdeu a esperança de que no futuro as lutas, martírios, desalentos de um artista visionário em prol de uma reforma do ensino do canto e da música portuguesa seriam finalmente reconhecidos. Esta apresentação (em filme) constituí uma viagem ao mundo de Salvini, tendo como pano de fundo os lugares por onde passou, do Porto à Polónia, embalados pelo som da sua música.
  • As emoções primárias numa abordagem integrada de educação digital e dança criativa com crianças de 4ºano.
    Publication . Marques, Ana Silva; Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical (CESEM - NOVA FCSH)
    Pretende-se, no workshop, destacar uma possibilidade de abordagem integrativa, enfatizando a combinação harmoniosa e a fusão dos diferentes elementos anunciados no título. O objetivo é implicar as dimensões emocionais (sentir), a expressão física (atuar) e o processo criativo (criar) no dançar como várias possibilidades de atividades para crianças do 1º Ciclo do Ensino Básico. A integração destas componentes sugere uma interconexão fluida, onde cada aspeto contribui para uma experiência significativa. Nesse sentido, a dança criativa e o uso de ferramentas digitais convergem para criar uma abordagem holística, encorajando uma compreensão mais profunda das emoções. A partir de vários exemplos concretos será apresentada uma abordagem interativa que implica a troca dinâmica entre o digital e a dança criativa, numa perspetiva individual (intrapessoal) ou coletiva (interpessoal). A ênfase recai na participação ativa em que os participantes interagem com as ferramentas digitais em correspondência com as propostas de dança apresentadas. Esta dinâmica interativa contribui para um ambiente de aprendizagem envolvente, onde as emoções são abordadas e a criatividade e imaginação são impulsionadas por vários estímulos resultantes de alguns recursos digitais. Pretende-se que esses recursos promovam o movimento autêntico, uma maior consciência corporal e expressão corporal, visando a promoção da compreensão emocional e das competências socioemocionais.
  • The Vila Vicosa Ceremonial del Rey, and Contexts for Ritual, Ceremony, and Music at the Royal Chapel of Dom João III (r. 1521-57)
    Publication . Nelson, Bernadette; Centro de Estudos em Música (CESEM - NOVA FCSH)
    One of the most important documents acquired in recent years by the Museu-Biblioteca da Casa de Bragança, Vila Viçosa, is a royal chapel ceremonial compiled during the reign of Dom João III. It in many ways complements a similar court ceremonial copied for Maria de Portugal (niece of João III) on the occasion of her marriage to Alessandro Farnese, Duke of Parma and Piacenza in 1565 (Biblioteca Nacional, Naples: edition by J.M. Pedrosa Cardoso, 2008). This Vila Viçosa Ceremonial da Capella del Rey is fundamental for a history of the royal court and chapel during at least c.1547-1554 (dates which appear in the manuscript), and includes significant information concerning ritual and ceremony, as well as certain musico-liturgical practices in the chapel which, given the relatively poor survival of polyphonic sources and repertories from that period, is invaluable. Although principally written for use by the officiating clergy (presumably by a high royal court chaplain), it also includes a number of unique records of types and styles of musical elaboration or interpolation during the liturgy and processions, both by the choir—canto de orgaõ, contrapunto, and canto chaõ—and by musical instruments. It also incorporates snippets of plainchant copied in black void notation on four-line staves, especially in connection with the liturgy on Palm Sunday, and during the days of Holy Week through to Easter. An appendix written by the 1580s shows that the book had a later history at Porto Cathedral, and significantly incorporates information about the exequies (with music) held there in 1578 for Queen Catherine and Dom Sebastião, and other royal observances. Besides looking at the overall structure and contents of the Vila Viçosa ceremonial, this paper examines the musical references in the contexts of the feasts and liturgical items, contextualising some of this information with other little-studied documentation attesting to the running and musical makeup of the royal chapel during the time of Dom João III, about which still relatively little is known.
  • As emoções primárias numa abordagem integrada de educação digital e dança criativa com crianças do 4.º Ano
    Publication . Marques, Ana Silva; Centro de Estudos em Música (CESEM - NOVA FCSH)
    Pretende-se, nesta comunicação, apresentar um trabalho de investigação centrada na consciência das emoções primárias de 55 crianças do 4.º ano do 1º ciclo do Ensino Básico, durante o ano letivo de 2023/2024, correlacionando-a com a Educação Digital e a Dança Criativa. Na primeira fase, em ambiente tecnológico, adotou-se uma abordagem integrada, utilizando várias ferramentas digitais. Um site preparado na plataforma Readymag serviu como ponto central, conectando recursos interativos e atividades de Educação Digital. Ferramentas como Slido (nuvem de palavras), Google Forms (inquérito por questionário), Wordwall (roleta das emoções) e Mystorybook (construção de histórias) envolveram as crianças de forma interativa e em tempo real, com participação ativa em situações individuais e sociais. Na segunda fase, ocorreu a transição para estúdio de Dança, com atividades focadas em estimular o movimento, criatividade e expressão corporal, em correspondência com as emoções. Os exercícios de dança visaram a consciência corporal, compreensão emocional e desenvolvimento de competências socioemocionais. As crianças entenderam as emoções e mostraram-se motivadas, superando as dificuldades iniciais de se expressarem pelo movimento. sendo os estímulos visuais, auditivos e ideacionais fundamentais. No que respeita às metodologias utilizadas, recorreu-se a uma abordagem qualitativa, combinando a observação participante, a análise dos dados recolhidos na primeira fase e registo videográfico.
  • O Recitativo de salão como um gênero literário luso-brasileiro
    Publication . Pacheco, Alberto; Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical (CESEM - NOVA FCSH)
  • O Álbum Modinhas imperiais (1930) de Mário de Andrade
    Publication . Pacheco, Alberto; Reyes-Lucero, Alejandro; Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical (CESEM - NOVA FCSH); Instituto de Etnomusicologia - Centro de Estudos em Música e Dança (INET-MD - NOVA FCSH)
  • O campo da crítica musical em Lisboa entre o Sidonismo e a queda da Primeira República
    Publication . Santos, Luís M.; Departamento de Ciências Musicais (DCM); Centro de Estudos em Música (CESEM - NOVA FCSH)
    Nos anos da Primeira República, a imprensa generalista acompanhou de perto e teve uma participação activa no fenómeno que desde o dealbar do novo regime se desenrolava em Lisboa: um florescimento sem precedentes do interesse pelos concertos sinfónicos públicos, patente no estabelecimento de duas séries regulares paralelas no Teatro da República e no Teatro Politeama, entre várias outras tentativas efémeras. Estava em causa, com efeito, a intensificação de um processo de mudança na vida musical, com raízes no século XIX, no qual o repertório sinfónico gradualmente conquistava espaço à ópera. Nesse processo de mudança, as instituições e agentes da crítica musical parecem ter efectivamente desempenhado um papel fundamental na emergência e afirmação de todo um quadro discursivo que teria vastas implicações na construção da transcendência do objecto «música sinfónica». Imperante já nos anos anteriores à Primeira República, esse discurso manteria a sua preponderância pelo menos durante as décadas de 1910 e 1920, no período em que prosperaram os empreendimentos sinfónicos referidos, sustentado não só por algumas das figuras que antes haviam lutado pela sua primazia, mas também, já na viragem para os anos 20, por um novo grupo de críticos musicais que gradualmente tomou o seu lugar nos principais órgãos: Luís de Freitas Branco, Rui Coelho, Oliva Guerra, António Joyce, Eduardo Libório, Francine Benoît e Hermínio do Nascimento, entre vários outros. Esta comunicação considera o papel desempenhado por um conjunto alargado de instituições e agentes da crítica musical no referido processo, particularmente nos anos que medeiam entre o episódio sidonista e a queda da Primeira República. Pretende-se identificar os mecanismos sobre os quais assenta a sua prática discursiva e explorar as suas implicações numa perspectiva diacrónica, sem esquecer a influência das transformações por que passava o campo da crítica musical, que não deixou de colher o impacto das importantes lutas políticas em curso.