NMS - Dissertações de Mestrado em Medicina
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- Nível de conhecimento e a demora na procura de cuidados de saúde em doentes com tuberculose pulmonar nas zonas urbanas de PortugalPublication . Pereira, Tânia; Lopes, Sílvia; Soares, PatríciaIntrodução: A demora na procura de cuidados de saúde constitui um obstáculo relevante ao diagnóstico precoce e ao controlo de tuberculose, sobretudo em contextos urbanos. O nível de conhecimento dos doentes tem sido apontado como um potencial determinante na valorização dos sintomas e na decisão de procurar cuidados atempadamente. Objetivo: Analisar a associação entre o nível de conhecimento sobre tuberculose e a demora na procura de cuidados de saúde em doentes com tuberculose pulmonar residentes em zonas urbanas de Lisboa e Porto. Métodos: Estudo transversal com dados secundários de doentes diagnosticados entre 2019 e 2021 no projeto URBANTB. A demora foi definida como o intervalo superior a 21 dias entre o início dos sintomas e a primeira procura de cuidados de saúde. Realizaram se análises descritivas, bivariadas e multivariadas por regressão de Poisson com variância robusta. Foi posteriormente efetuada análise de sensibilidade com ponto de corte de 30 dias. Resultados: Foram incluídos 97 doentes na análise descritiva, dos quais 48 apresentavam informação completa para a análise multivariada. A mediana de demora foi de 22 dias, com 46,4% dos doentes a apresentarem demora superior a 21 dias. A maioria dos participantes apresentou conhecimento adequado sobre tuberculose (94,8%). O nível de conhecimento não apresentou associação significativa com a demora na procura de cuidados. Na análise multivariada, apenas a desvalorização dos sintomas se associou à demora, estando a sua ausência associada a menor prevalência de demora (RP ajustada = 0,51; IC95%: 0,30–0,89; p=0,02). Na análise de sensibilidade (>30 dias), nenhuma variável permaneceu estatisticamente significativa. Conclusão: A demora na procura de cuidados permanece frequente em contexto urbano. Os resultados sugerem que a desvalorização dos sintomas pode desempenhar um papel relevante na ocorrência de atraso, enquanto o conhecimento factual, isoladamente, pode não ser suficiente para promover a procura precoce de cuidados de saúde. Estratégias de intervenção devem focar-se na valorização dos sintomas e na perceção de risco, para além da simples transmissão de informação.
- Avaliação da capacidade evolutiva de Legionella Pneumophila em contextos ambientais de pressão seletiva e impacto na saúde públicaPublication . Caraças, Raquel; Fonseca, AnaRESUMO: A Legionella pneumophila, uma bactéria patogénica ambiental, é a principal causa da Doença dos Legionários, uma pneumonia grave frequentemente associada a surtos em ambientes artificiais. O presente estudo procurou avaliar a diversidade genética de estirpes de Legionella pneumophila serogrupo 1, isoladas ao longo de 9 anos de uma rede de água, utilizando Sequenciação de Genoma Completo (WGS). Os resultados revelaram a identificação de uma nova Sequence Type (ST), geneticamente próxima à ST1, que emergiu como a estirpe dominante na infraestrutura em análise. As análises filogenéticas demonstraram a presença de uma estirpe ancestral comum, com evidências de diversificação espacial e genética. Esta diversificação ocorreu através da acumulação de mutações em genes associados à virulência, nomeadamente em sistemas de secreção como o T4SS, na resistência a antibióticos e persistência em biofilmes. Estes resultados sugerem que ocorreu um processo evolutivo, impulsionado pela adaptação a pressões ambientais específicas. Os dados obtidos apontam que a persistência da estirpe neste local específico tem levado à acumulação de mutações potencialmente adaptativas às condições ambientais a que estão sujeitas. Os resultados obtidos reforçam a necessidade de uma abordagem integrada em Saúde Pública, enquadrada na perspetiva One Health, ao evidenciar a estreita ligação entre o ambiente, os microrganismos que nele persistem e a saúde humana. Os resultados obtidos sublinham ainda a importância da vigilância molecular baseada na genómica para o desenvolvimento de estratégias mais eficazes de monitorização e controlo da bactéria. Este trabalho aprofunda o conhecimento sobre a microevolução de L. pneumophila e propõe futuros estudos que visem aprofundar a compreensão da adaptação genética e do potencial patogénico das estirpes analisadas.
- Estratégias para o planeamento da gestão e mitigação da população canina errante em Portugal: uma abordagem integrada em Uma SaúdePublication . do Campo, Natália; Gomes, Pedro; Ribeiro, JoãoRESUMO: O forte vínculo humano-cão é amplamente discutido na atualidade, emergindo como uma área de interesse expressivo, nos mais diversos campos da investigação. Este estudo aprofunda as complexidades e os desafios globais, resultantes da interação entre cães e outras espécies vivas. Da partilha do mesmo ambiente, irrompe um novo paradigma, que nos direciona para abordagens integradas em Uma Saúde. Ao contemplar processos colaborativos e transdisciplinares, que priorizam de igual modo todos os seres, esta abordagem reposiciona numa perspetiva holística as várias dimensões da atividade humana, reconhecendo que a saúde humana está dependente da saúde do planeta como um todo. Propomo-nos a planear estratégias efetivas, que preconizem a gestão e a mitigação da população canina errante em Portugal, de forma ética, sustentada e custo efetiva, com benefício para os três pilares da Uma Saúde. Objetivamos primeiramente coletar informação sobre as Estratégias e Medidas Legais implementadas em Países da União Europeia, Reino Unido e Estados Unidos da América. Uma Revisão de Escopo conduziu à formulação de um Relatório de acordo com o acrónimo PESTAL e avaliou globalmente fatores externos Políticos, Económicos, Sociais, Tecnológicos, Ambientais e Legais. Adaptando o modelo proposto por Rüegg et al. (2018) desenhamos e descrevemos a Iniciativa Uma Saúde, referente ao abandono de cães e à gestão da população canina errante em Portugal. Delineada com recurso ao pensamento sistémico, introduzimos na medição de resultados e avaliação do seu desempenho, os princípios da Saúde Baseada em Valor (VBHC), aplicados na gestão em saúde Humana. Com base nesses pressupostos sugerimos métricas (KPIs), para medir resultados que geram alto Valor no âmbito da Uma Saúde. Explorando a complementaridade entre os dois conceitos, que apelidamos de Uma Saúde baseada em Valor (VBOH), definimos os passos chave para uma Agenda de Valor em Uma Saúde. Partes interessadas e/ou atores alavancam o sistema de modo distinto, tendo-se constituído importante fazer a sua diferenciação. A análise descritiva dos resultados do questionário KAP, dirigido aos Médicos Veterinários Municipais e Médicos Veterinários afetos aos CROs de Portugal, teve como finalidade gerar conhecimento sobre a realidade Portuguesa e produzir evidência científica referente à construção da Iniciativa Uma Saúde, contribuindo para encontrar soluções para a problemática. Alguns dos resultados destacam a importância de ações participativas com envolvimento comunitário (82%) e de ONGs (84%), campanhas de educação e literacia animal (85%). Sobrelotação dos CROs (83%), falta de recursos técnicos e humanos (92%) foram identificados como importantes “gargalos” que limitam as ações dos Médicos Veterinários, que defendem a esterilização obrigatória (81%) como principal medida de mitigação de cães errantes. A ocisão surge referenciada como medida de último recurso por 63% dos respondentes, 45% contraindicam-na em absoluto. Não obstante, 79% dos respondentes não concordam com a gestão atual da população canina errante em Portugal. Conclui-se que o VBOH ao propor soluções que se pretende que sejam custo efetivas, éticas e sustentadas direciona para resultados em Uma Saúde que verdadeiramente interessam à saúde planetária.
- Experiences in accessing healthcare services and perceived barriers and facilitators among chinese immigrants living in Lisbon and Tagus ValleyPublication . Chen, Joana; Gama, Ana; Marques, PatríciaRESUMO: Enquadramento: Em 2024, a comunidade chinesa em Portugal atingiu 30.734 indivíduos. Esta população apresenta características únicas; no entanto, evidências científicas sobre o seu acesso aos serviços de saúde permanecem limitadas, sobretudo a investigação qualitativa em Portugal. Este estudo tem como objetivo explorar as experiências de acesso aos serviços de saúde em Portugal, bem como as barreiras e os facilitadores enfrentados por imigrantes chineses que vivem na Região de Lisboa e Vale do Tejo. Métodos: Realizou-se um estudo qualitativo com entrevistas semiestruturadas a vinte e sete imigrantes chineses que vivem na Região de Lisboa e Vale do Tejo. Os dados foram recolhidos, transcritos, traduzidos e analisados por análise de conteúdo fenomenológica indutiva. Emergiram quatro temas principais: (1) Experiências no acesso aos serviços de saúde; (2) Barreiras no acesso aos serviços de saúde; (3) Fatores facilitadores no acesso aos serviços de saúde; e (4) Sugestões para a melhoria do acesso aos serviços de saúde. Resultados: Os participantes relataram experiências iniciais e subsequentes positivas com os serviços de saúde portugueses. Os primeiros contactos estiveram relacionados com a obtenção do número de utente do Serviço Nacional de Saúde, gravidez e urgências. As barreiras no acesso aos serviços de saúde incluíram dificuldades a nível individual, tais como barreiras linguísticas, preferência pela Medicina Tradicional Chinesa e perceção reduzida de necessidade de cuidados, bem como interações negativas com profissionais de saúde e barreiras do sistema, incluindo longos tempos de espera, constrangimentos financeiros e falta de profissionais. Por outro lado, os facilitadores incluíram níveis mais elevados de literacia em saúde, posse de seguro de saúde privado voluntário, apoio na integração linguística e cultural, interações positivas com os profissionais e acesso gratuito aos serviços. As sugestões para melhorar o acesso incluíram apoio à comunicação através de intérpretes, profissionais culturalmente competentes, materiais informativos multilíngues e o reforço das competências linguísticas dos profissionais de saúde. Conclusões: As experiências foram, de um modo geral, positivas, mas persistem barreiras que dificultam o acesso. Por outro lado, vários fatores facilitadores também foram identificados. O reforço de estratégias culturais e linguísticas poderá melhorar a experiência e o acesso de imigrantes chineses ao sistema de saúde português
- Establishing an optimized experimental framework to model the multiple myeloma microenvironment for targeted drug screeningPublication . Silva, Madalena; Queirós, Ana C.; João, CristinaResumo: O mieloma múltiplo (MM) é uma neoplasia das células plasmáticas (PC), resultante da expansão clonal destas células na medula óssea (BM). O estabelecimento de sistemas ex vivo que reflitam de forma fidedigna este microambiente é crucial para o desenvolvimento de novas terapias. Este trabalho teve como objetivo criar uma estrutura experimental otimizada, capaz de manter células derivadas da BM de doentes em cultura de curta duração, permitindo o estudo dos efeitos de fármacos no microambiente do MM. A investigação teve início com experiências de co-culturas utilizando a linha celular MM1R e células mononucleares do sangue periférico (PBMCs) de doadores saudáveis, avaliadas em condições 2D e 3D Matrigel® por 72h. As PBMCs demonstraram boa viabilidade geral, enquanto as células MM1R apresentaram declínio consistente na viabilidade após 24h em cultura. BM estabeleceu que 200.000 eventos eram necessários para preservar as proporções populacionais, garantindo, ao mesmo tempo, pelo menos 20 eventos por subconjunto. Com base nesse padrão, três modelos foram comparados: modelo 2D, modelo Matrigel 3D e o modelo 3DTEBM, sob diferentes condições. Entre estes, o 3DTEBM a uma concentração de 1 x 106 células/mL proporcionou a maior viabilidade geral, mantendo também a capacidade proliferativa por até 48h. Por fim, um painel otimizado de citometria de fluxo foi cuidadosamente desenvolvido, incluindo titulações de anticorpos para garantir a identificação fiável de populações imunes importantes. Em conjunto, este projeto estabelece um fluxo de trabalho sólido baseado em 3DTEBM para cultura de curto prazo de amostras de pacientes com MM, criando uma base para futuras aplicações de testes de fármacos num microambiente clinicamente relevante.
- Gene expression analysis of inflammatory markers focusing on APOE in Alzheimer`s disease and multiple sclerosisPublication . Breit, Lina; Teodoro, Rita; König, Theresa; Steinmaurer, AnjaAbstract: Neuroinflammation is a key driver in the pathogenesis of neurological disorders, including autoimmune diseases like multiple sclerosis (MS) and neurodegenerative conditions such as Alzheimer’s disease (AD). While acute inflammation is essential for central nervous system (CNS) repair and homeostasis, chronic or dysregulated inflammation contributes to neuronal dysfunction and degeneration. In both AD and MS, sustained activation of microglia and astrocytes fuels neuroinflammation. These immune cells release pro-inflammatory cytokines such as tumor necrosis factor (TNF) and interleukins (e.g. IL1B and IL6), amplifying the immune response. This prolonged inflammatory state disrupts synaptic function, compromises the blood-brain barrier (BBB) and accelerates neuronal loss. In MS, immune-mediated attacks on the myelin sheath cause severe nerve damage and impair signal transmission. Similarly, in AD, chronic neuroinflammation increases amyloid plaque and tau tangle accumulation, contributing to neuronal damage and cognitive decline. Genetic factors such as the APOE genotype also influence disease progression. The APOE4 allele is strongly associated with increased AD risk, potentially due to its role in lipid metabolism, amyloid clearance and neuroinflammatory. Beyond its important role in AD, the APOE genotype may also influence the clinical course and progression of MS. Some evidence suggests that APOE4 may lead to a more aggressive disease course, with faster progression and increased neurodegeneration in MS patients. While inflammation within the CNS is a key feature of these disorders, peripheral inflammation can directly influence neuroinflammation through mechanisms such as blood-brain barrier (BBB) disruption, immune cell migration, and systemic cytokine signalling. For example, studies have shown that elevated levels of pro-inflammatory markers, as well as elevated levels of soluble triggering receptor expressed on myeloid cells 2 (TREM2) and receptor-interacting serine/threonine-protein kinase 1 (RIPK1) in the blood are associated with microglial activation and neurodegeneration in AD and MS. Therefore, we analysed whole-blood expression levels across healthy controls (HC), mild cognitive impairment (MCI), AD and MS and found disease-specific peripheral signatures: RIPK3 and MMP9 were elevated in MCI/AD, whereas APOE and IL10 were reduced in MS, with TREM2 increased in AD and MS. Across these cohorts, APOE expression correlated positively with IL10 and negatively with RELA which showed disease-context coupling positive with NLRP3 in MCI/AD/MS but negative with RIPK1 and RIPK3 in controls. This is consistent with an APOE anti-inflammatory axis that is rewired throughout pathology. Cell subset analyses in MS (sorted CD8⁺, CD14⁺ and CD19⁺) revealed no statistically significant differences across subsets, suggesting broadly shared or subtle shifts in circulating compartments. Finally, peripheral APOE expressions did not differ by genotype within cohorts, indicating that blood APOE levels are more context-/disease-dependent than genotype-driven. These results provide a foundation for future research that will advance our understanding of APOE in immune signalling across neuroinflammatory and neurodegenerative diseases.
- Diagnostic and therapeutic potential of insulin degrading enzyme in Parkinson's disease: human brain and mouse model studiesPublication . Lopes, Camila; Miranda, HugoResumo: A doença de Parkinson (DP) resulta da perda de neurónios dopaminérgicos e da agregação de alfa-sinucleína (αSyn), traduzindo-se em alterações motoras e não motoras. Como a diabetes mellitus tipo 2 (T2DM) aumenta de forma marcada o risco de DP, a conexão metabolismo-neurodegeneração surge como um eixo crítico. Neste contexto, o enzima degradador da Insulina (EDI), disfuncional na T2DM e capaz de se ligar a oligómeros de αSyn, apresenta-se como um alvo terapêutico plausível. Para testar esta hipótese, combinámos um modelo Thy1-αSyn (Tg - modelo de DP) com dismetabolismo induzido por uma dieta rica em gordura (HFD), injetado com AAV para expressão do EDI na substantia nigra pars compacta. Num desenho integrado, articulámos fenotipagem metabólica, avaliação comportamental (domínios motor e não motor) e análise bioquímica do mesencéfalo, em paralelo com um ensaio pancreático de αSyn (monómeros, classes de oligómeros, e frações de solubilidade) que desenvolvemos para explorar relações αSyn-EDI sob dieta normal vs HFD. Os resultados convergem em três pontos: i) melhoria da sensibilidade à insulina restrita aos ratinhos Tg com AAV-EDI, sugerindo um benefício metabólico dependente do genótipo; ii) défices robustos nos domínios motor e não motor nos Tg, com o AAV-EDI a produzir apenas ajustes subtis a parâmetros-específicos da marcha; iii) no mesencéfalo, um aumento de αSyn nos Tg e uma ausência de deteção clara de alteração dos níveis de EDI por Western blot, compatível com um título viral sub-óptimo e uma diluição em homogenatos de todo o mesencéfalo. No pâncreas de ratinhos Tg sob HFD observou-se um aumento dos níveis pancreáticos de EDI, sugerindo um possível mecanismo de compensação contra a resistência à insulina observada nestes ratinhos. Em síntese, o EDI mantém relevância como alvo na intersecção metabolismo-DP, embora não se tenha evidenciado neuroprotecção generalizada, o ganho metabólico sugere um maior benefício em doentes com comorbidades metabólicas. Estudos futuros devem reforçar o título viral, confirmar a expressão regional do EDI e testar variantes do EDI com seletividade de chaperone. Os resultados periféricos abordam uma lacuna na área, através do desenvolvimento e otimização de um protocolo de extração pancreática para a deteção de espécies de αSyn, permitindo futuros estudos das trajetórias “periferia-cérebro”.
- How blackberry shapes mitochondrial function in obesity?Publication . Duarte, Maria Teixeira; Faria, AnaResumo: Introdução: A obesidade está associada à disfunção mitocondrial no tecido adiposo, conduzindo a alterações metabólicas e a um risco acrescido de doenças crónicas. As amoras (BB) são ricas em antocianinas, nomeadamente cianidina-3-glicosídeo (C3G), que é metabolizada pelo microbiota intestinal em ácido protocatecuico (PCA) e promove o crescimento de bactérias produtoras de ácido indol-3-propiônico (IPA). Considera-se que a C3G, o PCA e o IPA influenciem a função mitocondrial. Objetivo: O objetivo deste estudo era investigar os efeitos da BB, da C3G e dos compostos associados, PCA e IPA, nas características e dinâmica mitocondrial em contexto de obesidade. Metodologia: Foram utilizados dois modelos: um modelo in vivo de ratinhos com obesidade induzida por dieta rica em gordura e por transplante de microbiota fecal, e um modelo in vitro de adipócitos 3T3-L1 resistentes à insulina (IR). Nos ratinhos, o tecido adiposo branco visceral foi analisado quanto ao conteúdo mitocondrial e à expressão de marcadores metabólicos e termogénicos. Nos adipócitos, as células foram tratadas com BB e os seus compostos associados e avaliadas quanto ao conteúdo mitocondrial, níveis de ATP, produção de espécies reativas de oxigénio (ROS) e expressão de genes e proteínas relevantes para a atividade mitocondrial, incluindo os envolvidos em processos de fusão, fissão e biogénese. Resultados: A suplementação com BB em ratinhos aumentou o número de cópias de mtDNA. Nos adipócitos 3T3-L1, a resistência à insulina aumentou os níveis de ATP, enquanto todos os tratamentos os reduziram, concordante com alterações no acoplamento mitocondrial. O IPA restaurou os níveis de mtDNA sob IR, enquanto a C3G os reduziu. O PCA restaurou os marcadores de fusão (MFN2) e de fissão (DRP1), enquanto o PCA e a C3G influenciaram a biogénese. A expressão de UCP1 aumentou em condições de IR, mas foi reduzida pela BB e pelo PCA. A expressão de PGC1α foi diferencialmente modulada pelos diferentes tratamentos. Conclusão: A BB e os seus compostos associados podem estar envolvidos na modulação das adaptações mitocondriais em contexto de obesidade, apresentando efeitos distintos e específicos. Estes resultados sugerem o seu potencial em intervenções no combate à disfunção mitocondrial em doenças metabólicas, destacando a relevância do consumo da fruta inteira e o papel de cada metabolismo em causa.
- Unveiling metabolic vulnerabilities in multiple myeloma: the role of polyaminesPublication . Marinho, Madalena Diniz; Cenci, Simone; Perini, Tommaso; Conde, SílviaAbstract: Multiple myeloma (MM) is an incurable plasma cell malignancy that remains a clinical challenge due to frequent development of therapeutic resistance, underscoring the need for novel vulnerabilities to be explored. Increasing evidence suggests that MM cells rely on specific metabolic programs to sustain their malignant phenotype. Polyamines, positively charged metabolites involved in many cellular processes, have emerged as critical players in cancer cell survival and proliferation. However, despite their established importance in solid tumors, their specific role in MM remains poorly defined. Understanding how polyamines might support MM cell survival and growth could reveal new metabolic dependencies and therapeutic targets. This study aimed to investigate the role of polyamines in MM by examining their impact on hypusination and autophagy, and by leveraging proteomic analyses to uncover additional polyamine-regulated processes relevant to MM biology. Using α-difluoromethylornithine (DFMO) to inhibit polyamine biosynthesis and GC-7 to block hypusination of eIF5A, we assessed proliferation, autophagic flux, and molecular alterations across MM cell lines. Polyamine depletion impaired cell growth in a consistent manner across different cell lines. Mechanistically, DFMO induced a defect in eIF5A hypusination and, subsequently, a decrease of the master autophagy regulator TFEB and of the autophagy markers LC3-II and p62. These changes suggest a potential role of polyamines in sustaining autophagy. Proteomic profiling revealed additional specific sequelae of polyamine depletion, with the MM cell line MM1S showing significant downregulation of cholesterol biosynthesis. Our findings highlight polyamines as essential regulators of autophagy and adaptation in MM cells and reveal eIF5A as a key upstream effector. These results support the therapeutic potential of targeting polyamine metabolism and hypusination as a strategy to disrupt MM cell survival and growth.
- Uncovering the role of CD9 as a new regulator of neuroinflammation after spinal cord injuryPublication . Pires, Madalena Marques; Teodoro, Rita; Neves-Silva, Dalila; Martins, IsauraResumo: Uma lesão vertebro-medular continua a ser uma condição muito prejudicial devido à natureza não regenerativa do sistema nervoso central. O trauma físico direto na medula espinhal perturba a barreira hematoencefálica e facilita a infiltração de células imunes no tecido nervoso, promovendo o estabelecimento de um estado de inflamação crónico. Esta resposta neuroinflamatória robusta pode ter um duplo papel, dado que é necessária para promover a reparação do tecido mas, se persistente, exacerba os danos no tecido. Até à data, nenhuma estratégia terapêutica conseguiu de forma bem sucedida alcançar a integridade da barreira nem manter um estado inflamatório controlado, pelo que estes aspetos ainda precisam de ser estudados em detalhe. O nosso laboratório descobriu recentemente que, após uma lesão vertebro-medular por contusão num modelo de murganho, existe uma forte indução da expressão de CD9, uma tetraspanina conhecida por ser um fator chave no funcionamento de células imunes e na migração trasendotelial de leucócitos. Além disso, a expressão de CD9 aos 7 dias após a lesão foi observada em células endoteliais e em pericitos, ambos componentes da barreira hematoencefálica. O nosso objetivo é desvendar o papel do CD9 como um novo regulador de neuroinflamação depois de uma lesão vertebro-medular. Como tal, nós estudámos a dinâmica de expressão do CD9 desde os 3 dias aos 30 dias após a lesão e investigámos que tipos celulares contribuem para a expressão de CD9, através de citometria de fluxo espectral. Os nossos resultados indicam que a expressão de cd9 aumenta de forma transiente a nível de RNA mensageiro, com um pico de expressão de CD9 aos 7 dias após a lesão. Além disso, CD9 é expresso em todos os componentes da barreira hematoencefálica (astrócitos, células endoteliais e pericitos) e particularmente, em células imunes. Nós descobrimos que o CD9 está presente em células mieloides e linfoides com uma predominância em macrófagos/microglia, com um pico de expressão observado aos 7 dias após a lesão em subtipos de macrófagos/microglia e células B. Para investigar a resposta imune depois de uma lesão vertebro-medular na ausência de CD9, nós realizámos cytokine arrays e descobrimos que ratinhos CD9 knockout (KO) têm um perfil inflamatório distinto aos 7 dias após a lesão. Os nossos resultados indicam uma mudança nas citocinas envolvidas na resposta imune inata e adaptativa, suportando a ideia de que o CD9 desempenha um papel na transição entre imunidade inata e adaptativa depois de uma lesão vertebro-medular. Experiências adicionais são necessárias para fortalecer os nossos resultados, mas estes indicam que o CD9 está presente de forma dinâmica em diferentes tipos celulares durante a resposta imune depois de uma lesão, com uma expressão primária aos 7 dias após a lesão, o que pode indicar um período específico para o direcionamento do CD9, de forma a regular a neuroinflamação, como futura estratégia terapêutica depois de uma lesão vertebro-medular.
