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Emergência e declínio do piano na vida quotidiana madeirense (1821‐1930)

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Resumo(s)

Ao longo de cerca de 100 anos, grosso modo entre 1820 e 1930, o piano foi uma presença constante nos entretenimentos da vida quotidiana madeirense. A partir do primeiro quartel do século XIX, surge um conjunto muito alargado de referências sobre este instrumento, as quais comprovam a existência de uma cultura musical em redor do piano, constituída por: saraus privados e concertos públicos, em que a prática musical com piano era o motivo de entretenimento principal; um ensino musical exigente, com necessidade de professores para orientar a aprendizagem, e no qual a mulher ganhou gradualmente protagonismo; um repertório centrado na música para canto e piano, em danças e em peças de cariz brilhante ou virtuoso; e um comércio de importação de pianos, primeiramente de Inglaterra e, numa fase posterior, principalmente da Alemanha, que permitiu o acesso a estes instrumentos e que influenciou o surgimento da nova profissão de afinador de pianos, para assegurar a sua manutenção. As personagens principais desta história são pianistas, normalmente amadores ou professores de piano, que compuseram obras originais, de modo a responder às exigências do meio. Assim, numa primeira fase, até cerca de 1860 sensivelmente, destacaram-se compositores como João Fradesso Belo (1792-1861), Duarte Joaquim dos Santos (1801-1855) e Ricardo Porfírio d’Afonseca (1802-1858), que se dedicaram à composição de danças, tais como valsas, quadrilhas e cotilhões, mas também a peças em estilo brilhante como fantasias ou divertimentos. Na segunda metade do século XIX, destacaram-se pianistas como António José Bernes (?-1880), Amélia Augusta de Azevedo (1840-?), Maria Paula K. Rego (?-1922), Francisco de Villa y Dalmau (?- 1900) e Nuno Graceliano Lino (1859-1929), que se dedicaram igualmente às valsas, mas também a danças que começaram a emergir em meados do século XIX, entre as quais as polcas, mazurcas e polcas-mazurcas. Finalmente, na fase de transição do século XIX para o XX, evidenciaram-se compositores como Mathilde Sauvayre da Câmara (1871-1957), Dário Florez (?-1951) e Fernando Clairouin (1897-1962), os quais compuseram cançonetas e fados inspirados nos espectáculos de variedades, operetas e revistas, muito em voga então no Funchal. Num estilo mais erudito, destacou-se ainda Sheila Power (1903-1971), que se dedicou à composição de Lieder e, num estilo mais ligeiro, Edmundo Conceição Lomelino (1886-1962), que se dedicou a danças de influência americana, tais como o one step.

Descrição

Dissertação apresentada para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção do grau de Doutor em Ciências Musicais

Palavras-chave

Piano Quotidiano Ensino Repertório Comércio

Contexto Educativo

Citação

Projetos de investigação

Unidades organizacionais

Fascículo

Editora

Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa

Licença CC