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Orientador(es)
Resumo(s)
Ao longo de cerca de 100 anos, grosso modo entre 1820 e 1930, o piano foi uma
presença constante nos entretenimentos da vida quotidiana madeirense. A partir do
primeiro quartel do século XIX, surge um conjunto muito alargado de referências sobre
este instrumento, as quais comprovam a existência de uma cultura musical em redor do
piano, constituída por: saraus privados e concertos públicos, em que a prática musical
com piano era o motivo de entretenimento principal; um ensino musical exigente, com
necessidade de professores para orientar a aprendizagem, e no qual a mulher ganhou
gradualmente protagonismo; um repertório centrado na música para canto e piano, em
danças e em peças de cariz brilhante ou virtuoso; e um comércio de importação de
pianos, primeiramente de Inglaterra e, numa fase posterior, principalmente da
Alemanha, que permitiu o acesso a estes instrumentos e que influenciou o surgimento
da nova profissão de afinador de pianos, para assegurar a sua manutenção.
As personagens principais desta história são pianistas, normalmente amadores ou
professores de piano, que compuseram obras originais, de modo a responder às
exigências do meio. Assim, numa primeira fase, até cerca de 1860 sensivelmente,
destacaram-se compositores como João Fradesso Belo (1792-1861), Duarte Joaquim
dos Santos (1801-1855) e Ricardo Porfírio d’Afonseca (1802-1858), que se dedicaram à
composição de danças, tais como valsas, quadrilhas e cotilhões, mas também a peças
em estilo brilhante como fantasias ou divertimentos. Na segunda metade do século XIX,
destacaram-se pianistas como António José Bernes (?-1880), Amélia Augusta de
Azevedo (1840-?), Maria Paula K. Rego (?-1922), Francisco de Villa y Dalmau (?-
1900) e Nuno Graceliano Lino (1859-1929), que se dedicaram igualmente às valsas,
mas também a danças que começaram a emergir em meados do século XIX, entre as
quais as polcas, mazurcas e polcas-mazurcas. Finalmente, na fase de transição do
século XIX para o XX, evidenciaram-se compositores como Mathilde Sauvayre da
Câmara (1871-1957), Dário Florez (?-1951) e Fernando Clairouin (1897-1962), os quais
compuseram cançonetas e fados inspirados nos espectáculos de variedades, operetas e
revistas, muito em voga então no Funchal. Num estilo mais erudito, destacou-se ainda
Sheila Power (1903-1971), que se dedicou à composição de Lieder e, num estilo mais
ligeiro, Edmundo Conceição Lomelino (1886-1962), que se dedicou a danças de
influência americana, tais como o one step.
Descrição
Dissertação apresentada para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção do
grau de Doutor em Ciências Musicais
Palavras-chave
Piano Quotidiano Ensino Repertório Comércio
Contexto Educativo
Citação
Editora
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa
