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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Da neo-clássica Tate Britain para a pós-moderna Tate Modern, poderia fazer-se uma
analogia com o desenvolvimento do museu de arte contemporânea no Ocidente, cujo
presente é caracterizado pela coexistência de vários modelos arquitectónicos e linhas
programáticas. O Assistente de Galeria num museu ou galeria de arte é uma peça
fundamental da sua mise en scène espectacular. Um sentido de autoridade é projectado sobre ele
e o seu principal papel é o de ver e ser visto. Durante três meses conheci e filmei uma série de
pessoas que exercem funções de Visitor Assistant em ambas as Tates de Londres. Uma
inversão de papéis ocorre quando olho atentamente para eles. Mas assim que me posiciono
com a minha câmara, também eu me torno alvo de escrutínio, o meu corpo torna-se tão
presente quanto o deles; as minhas ideias, ansiedades, desejos e impulsos emergem.
O processo de tentar libertar-me da minha consciência começa, como diz David
MacDougall em The Corporeal Image, para então aprender a ser o que vejo. (2006:7)
Ao recusar-me a dar um contra-campo ao espectador, o espaço é percebido como se
olhasse para si mesmo, num círculo fechado. A galeria torna-se simultaneamente observador
e observado, um corpo simultaneamente mecânico e orgânico, “palco” de numerosas
encenações e relações de poder.
Esta cadeia de olhares existe dentro de um fluxo contínuo de produção de corpos dóceis
que, segundo Foucault, servem a sociedade disciplinar na construção de uma massa de
corpos controlados e funcionais. Mas as pessoas têm e são simultaneamente, corpos. São objecto
e sujeito - seres híbridos que executam várias funções e papéis nas suas vidas quotidianas.
Os grandes planos permitem-me captar o corpo em repouso, tentando adaptar-se a
um determinado espaço e intervalo de tempo, os seus movimentos mais pequenos,
espasmódicos, e os seus pensamentos evasivos ganham relevância. A respiração é ampliada e
prolongada ao seu limite, como a sustentação de uma nota. O tempo fica suspenso até que
tudo começa de novo, os movimentos repetitivos, as patrulhas mecanizadas, as posições
rotativas, as suas rotinas e as dos visitantes, até que tudo pare e recomece novamente.
Esta é uma peça transdisciplinar que cruza os campos da arte, do cinema e da
antropologia visual. Durante este processo tive que assumir os papéis de artista,
investigadora, realizadora e produtora - funções conflituosas entre si - tendo que negociar
constantemente os níveis artístico, antropológico, sociológico e filosófico do projecto,
enquanto trabalhava com afinco dentro e fora do "campo" para a sua concretização.
As entrevistas semi-dirigidas e as conversas informais com os Visitor Assistants foram
essenciais para conhecer a sua história pessoal e a forma como se relacionam com a
actividade antes de iniciar a fase de filmagem.
O resultado final é um filme de 90 minutos, que aqui apresento juntamente com o
presente relatório onde exponho a metodologia, observações e dados recolhidos,
fundamentação teórica, problematização, contextualização e justificação das opções tomadas.
Descrição
Trabalho de Projecto apresentado para cumprimento dos requisitos necessários
à obtenção do grau de Mestre em Antropologia, Especialização em Culturas
Visuais
Palavras-chave
Corpos dóceis Crítica institucional Complexo exibicionário Incorporação Antropologia visual Vigilantes Tate Britain Tate Modern
Contexto Educativo
Citação
Editora
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa
