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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
A presença de microrganismos patogénicos na água residual tratada aquando da descarga desta no meio recetor pode causar problemas de poluição no ambiente e potenciar a transmissão de doenças, tornando-se assim num risco para a saúde pública. A desinfeção de águas residuais tem como objetivo eliminar esses microrganismos. A utilização de águas residuais como alternativa à água de abastecimento em diversos usos, como por exemplo a rega, tem sido uma opção cada vez mais frequente, principalmente em situações de escassez de água. Os processos de desinfeção de águas residuais mais utilizados em Portugal são a cloragem e a radiação ultravioleta, mas estas soluções apresentam desvantagens no âmbito da saúde pública e da biota aquática e de custos. Deste modo, é importante encontrar novas alternativas de desinfeção de águas residuais que consigam suprir os inconvenientes apresentados por essas soluções. O ácido peracético (PAA) tem vindo a ser estudado a nível internacional como agente desinfetante de águas residuais, pelo que é de relevância o estudo do PAA em Portugal como uma alternativa de desinfeção de águas residuais urbanas tratadas.
Neste trabalho avaliou-se a eficácia, eficiência e ecotoxicidade do PAA como agente desinfetante de águas residuais urbanas tratadas. Para tal, recolheram-se amostras de água residual tratada, provenientes de jusante do tratamento secundário (biofiltros) de uma estação de tratamento de águas residuais (ETAR), e fizeram-se algumas análises laboratoriais, onde se testaram diferentes condições (doses de PAA e tempos de contacto).
Do estudo efetuado concluiu-se que o processo de desinfeção foi eficaz segundo os parâmetros avaliados, podendo ser descarregado no meio recetor ou até mesmo reutilizado. Relativamente à descarga do efluente final (tratado e desinfetado) no meio recetor, 4 das 9 condições testadas respeitaram em simultâneo os limites considerados para a carência química de oxigénio (CQO), o pH, os coliformes totais e os coliformes fecais. Em relação à reutilização da água residual urbana tratada para rega, tendo em consideração apenas os coliformes fecais, verificou-se que a reutilização de águas residuais tratadas e desinfetadas com PAA é uma possibilidade. Segundo a norma portuguesa NP 4434:2005, uma das amostras enquadrou-se com a categoria B, 9 com a C e 4 com a D. Das 15 amostras desinfetadas, 14 verificaram reduções superiores a 90% para os coliformes totais e fecais. Além disso, verificou-se ainda que o PAA deixa residual no efluente final. Por outro lado, a utilização de PAA conduziu a um aumento da CQO no efluente tratado na maioria das amostras testadas e também levou à diminuição de pH, contudo estes decréscimos de pH não foram significativos. Quanto à toxicidade no meio de cultura, o PAA mostrou-se prejudicial para a Lemna minor em concentrações de 10 e 15 mg.L-1. Por outro lado, a dose de 5 mg.L-1 não indiciou ser tóxica. Relativamente à toxicidade do PAA no efluente, em concentrações de 5 e 10 mg.L-1 a macrófita sobreviveu e ainda foi possível observar algum crescimento. A dose de 5 mg.L-1, aquando de um caudal superior (tempo húmido), não apresentou risco para os peixes.
Descrição
Palavras-chave
águas residuais urbanas tratadas desinfeção ácido peracético (PAA) determinação do PAA residual ecotoxicidade bioensaio com a Lemna minor
