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Título: Uma leitura dos poemas inéditos de Vergílio Ferreira
Autor: Godinho, Helder
Palavras-chave: Vergílio Ferreira
Data: 1980
Editora: Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa
Citação: pp. 59-68
Relatório da Série N.º: ;N.1
Resumo: Os poemas de Vergílio Ferreira organizam-se em torno de uma Ausência que remete para um Paraíso Perdido, além do Tempo e do Espaço, e de uma Queda, decorrente dessa Ausência. É, com efeito, a Ausência de uma Pessoa Fundamental, Verdade ou Caminho onde o Encontro fosse possível, que provocou a Queda actual no poço de águas mortas e lodosas, onde o Presente é vivido. Porque, cortada por essa Ausência a possibilidade do Encontro, a solidão generaliza-se a qualquer contacto e matiza- -se mesmo de protesto, como veremos. Além disso, o Encontro é ainda impossível porque a Greometria não acontece e a vida é um deserto ou uma estrada única e inútil, resultante da indistinção de todos os caminhos, os da vida e os da morte: «Na jornada agoirenta/com uivos de vento e chicotes de chuva/sinto o corpo a mirrar-se/e a alma a secar-se./E o mundo redemoinha tão perto de mim/com os riscos do princípio e as angústias do fim.../Não se separam as ruas./Larga como o deserto,/negra como a gargalhada no silêncio do terror,/a rua ê uma só: — a mais pequena, a maior» (Caminhos Cruzados)
Descrição: Revista da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, n.1(1980)
URI: http://hdl.handle.net/10362/4215
ISSN: 0871-2778
Aparece nas colecções:Revista da FCSH - 1980

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