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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Os poemas de Vergílio Ferreira organizam-se em torno de uma Ausência que remete para um Paraíso Perdido, além do Tempo e do Espaço, e de uma Queda, decorrente dessa Ausência. É, com efeito, a Ausência de uma Pessoa Fundamental, Verdade ou Caminho onde o Encontro fosse possível, que provocou a Queda actual no poço de águas mortas e lodosas, onde o Presente é vivido.
Porque, cortada por essa Ausência a possibilidade do Encontro, a solidão generaliza-se a qualquer contacto e matiza-
-se mesmo de protesto, como veremos. Além disso, o Encontro é ainda impossível porque a Greometria não acontece e a vida
é um deserto ou uma estrada única e inútil, resultante da indistinção de todos os caminhos, os da vida e os da morte:
«Na jornada agoirenta/com uivos de vento e chicotes de chuva/sinto o corpo a mirrar-se/e a alma a secar-se./E o mundo
redemoinha tão perto de mim/com os riscos do princípio e as
angústias do fim.../Não se separam as ruas./Larga como o
deserto,/negra como a gargalhada no silêncio do terror,/a rua
ê uma só: — a mais pequena, a maior» (Caminhos Cruzados)
Descrição
Revista da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, n.1(1980)
Palavras-chave
Vergílio Ferreira
Contexto Educativo
Citação
pp. 59-68
Editora
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa
