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Revista da FCSH -1996

URI permanente para esta coleção:

N.9(1996) O presente número da Revista da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas é integralmente constituído pelo conjunto das comunicações apresentadas no 1."Encontro Interdisciplinar que decorreu entre os dias 23 a 27 de Outubro de 1995. Este Encontro, aberto a todos os docentes e investigadores da FCSH, foi um momento importante de permuta de idéias e conhecimento recíproco, muitas vezes ausente nas instituÍ9Ões que têm como objectivo o desenvolvimento e divulga9ão do saber. A temática debatida. Identidade, Tradição e Memória, foi escolhida em fun9ão da sua natureza eminentemente transdisciplinar e aglutinadora de interesses e metodologias diversas. A mobiliza9ão conseguida através deste colóquio foi apreciável e o conjunto dos textos que agora se apresenta é bem revelador do potencial humano e científico da FCSH. Trata-se, assim, de uma realiza9ão, que assumiu já a forma de um programa para os próximos anos, como autêntico ponto de encontro de diferentes temáticas e intervenientes. A organiza9ão por sec9Ões, assim como respectiva designa- 9ão, foi da responsabilidade da Comissão Editorial da Revista da FCSH, a partir de um reconhecimento dos principais sub-temas que mais claramente emergiram dos textos e afinal funcionam como princípios organizadores da publicação.

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Entradas recentes

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  • Um caso de mortalidade diferencial urbana: a Lisboa dos séculos XVI a XIX
    Publication . Rodrigues, Teresa Maria F.
    A forma como a morte foi sendo encarada ao longo dos séculos e das diferentes sociedades apresenta variações muito significativas, que se reflectem também de modo diferenciado, consoante os níveis culturais dos gmpos em que as mesmas se extratificam. No entanto, para além das várias percepções que dela possui o homem do passado, as formas da morte apresentam em si mesmas características de base, que se mantêm praticamente inalteráveis até à plena dissolução do mecanismo típico das sociedades de Antigo Regime demográfico, o que em Portugal ocorre já neste século. Com efeito, os níveis da mortalidade ao longo dos séculos XVI e XIX, objecto da presente refiexão, variavam em termos de intensidade, sazonalidade, causas, efeitos e gmpos de maior ou menor risco, de acordo com um modelo há muito estabelecido e que nem alguns escassos progressos verificados na ciência médica e nas condições de saúde colectiva conseguiram alterar em definito. Porém, os níveis globais que caracterizam esta variável microdemográfica pouco nos esclarecem quanto às suas diferentes formas e real impacto, até porque as mudanças foram quase imperceptíveis.
  • Tradição e inovação do sistema produtivo local da Marinha Grande
    Publication . Lema, Paula Bordalo
    A industrialização da Marinha Grande remonta ao século XVIII quando aí se fundou pelo Marquês de Pombal a primeira grande fábrica de vidro do país dotada de privilégios especiais - a Real Fábrica de Vidros da Marinha Grande. A matéria prima era o silício proveniente da areia e a soda utilizada como fundente; o cristal, vidro à base de chumbo, requeria a junção do silicato de chumbo a um silicato alcalino. A areia provinha de localidades próximas e a soda era importada de Inglaterra. A fonte de energia era a lenha para os fomos obtida no pinhal de Leiria. A indústria do vidro só podia desenvolver-se em grandes oficinas como a Fábrica Escola Irmãos Stephens porque exigia equipamentos importantes como os fomos para derreter a matéria prima.
  • Guadiana, fragmento de um rio...
    Publication . Roxo, Maria José; Casimiro, Pedro; Mourão, José
    F R A G M E N T O PRIMEIRO Geografia e Quadro Natural Grande rio em terras lusitanas, fronteira natural, percorre incansável o seu curso, criando paisagens de intenso contraste. Vales profundos e escarpados sucedem-se à ampliUide e calma do seu traçado em terras planas. Oposição entre o inóspito e a aridez agreste, traduzida pela probeza cmel das serranias, e a tranqüilidade e riqueza dos campos quase permanentemente verdes. Imperturbável modela a rocha, cumprindo a missão de a esculpir de maneira original, porque o tempo geológico tem outra dimensão e as obras são sublimes. Ninguém pode ficar indiferente perante o Pulo do Lobo, as cascatas, os vales suspensos e os planos de água plenos de vida.
  • Identidade e tradição na dieta alimentar portuguesa
    Publication . Firmino, Ana
    A riqueza gastronômica portuguesa tem constituído um ex-libris de algumas regiões e contribuído para o seu desenvolvimento económico-social e cultural. No entanto, a rápida penetração, no mercado português, de cadeias de restauração ligadas ao "fast-food", têm levado a uma alteração nos nossos hábitos alimentares, sobretudo entre a população mais jovem que, no futuro, poderá vir a ter repercussões negativas na saúde pública. A atribuição de Denominações de Origem ou Indicações Geográficas a vários produtos, permite zelar pela identidade e genuidade dos mesmos, respeitando a tradição secular e seleccionando o que de melhor se produz. No âmbito do programa LEADER prevê-se o incentivo a PME's ligadas à indústria agro-alimentar e à comercialização de produtos tradicionais, que poderão ajudar a combater a desertificação do interior do País e a criar fontes de riqueza.
  • A mulher da roda
    Publication . Guimarães, Ana Paula
    Não há começos nesta história. A primeira vez que é vista, a mulher vai a subir para o seu posto, uma roda. Chamamos-lhe assim: a mulher da roda. Apresentemo-la, nestes Encontros Interdisciplinares "Identidade, Tradição, Memória", através da actividade que realiza e do objecto em que a leva a cabo: uma roda de tirar água, um engenho de rega composto por um disco guamecido de alcatmzes (em barro ou folha, presos ao disco, a camba, por meio de vimes, ou ligados às penas, que se retiram quando a água do rio deixa de ter caudal suficiente para accionar a roda e esta passa a ser movida a pé) montado sobre raios, girando todo o conjunto num eixo forte, em madeira como tudo o resto. À medida da água que é preciso pôr em circulação, a mulher, agarrada às travessas, marcha sobre o rasto (estreita tábua de forro que reveste o disco) e acciona toda a estmtura.
  • Tradição e mudança nas literaturas africanas de língua portuguesa
    Publication . Martinho, Ana Maria
    Pelo facto de o continente africano se encontrar numa fase de mudança e de revisão política, ao mesmo tempo que a Europa repensa as suas culturas e fronteiras econômicas, vivemos um momento privilegiado para discutirmos a criação literária, a sua relação com a crítica, o ensino da literatura e o lugar da história literária neste contexto. Aparentemente, a actividade literária mais recente na África lusófona não revela ansiedade em relação a processos de mudança. Tem, de facto, pautado a sua progressão por meio de uma revisão de paradigmas que incorporam moderadamente as tradições literárias (africana e ocidental) para que remetem. Tal evolução vem-se apresentando de diversos modos: ou pela recuperação de gêneros literários menos usados (sob formas híbridas, nomeadamente), como a crônica, a prosa memorial, a narrativa de inspiração histórica; ou pela ampliação das virtualidades lingüísticas do Portiiguês, na sua associação às línguas africanas ou a sistemas marcados lexical e semanticamente pelos mundos africanos.
  • A descontrução da tese messianica de guerra Junqueiro em Pátria
    Publication . Ceia, Carlos
    Qual o valor do poema Pátrial Resistirá a poesia a uma questão de valor? Que espécie de preço estou a atribuir a um texto literário? Poderá um poema ter um preço figurativo? Em que consiste o valor de um poema? O latim valore exprime a qualidade de quem tem força; se um poema tiver força, tem valor. Se valor é mérito ou merecimento intrínseco, um poema de valor é um texto de mérito ou merecimento intrínseco. O valor de um poema nunca se confunde com a estimativa em dinheiro de um artigo, pois o seu preço é sempre figurativo. Falar de poder de compra eqüivale, para um poema, a falar do poder de ler esse poema. O dinheiro é a capacidade de gênio do leitor. Ainda no plano figurativo, o valor de um poema mede-se pela estima e pelo a-preço. Estimo e prezo, que é familiar de a-preço - da impossibilidade de um poema ter um custo unitário para além da sua importância logomáquica, isto é, da sua relevância enquanto for um questionar de significados -, o efeito que um poema produz na minha disponibilidade para a recepção simbólica de significantes.
  • A ideia nacional no período modernista português
    Publication . Júdice, Nuno
    O tema da Nação, em Portugal, está viciado por um século de leituras a preto e branco, em que nação funcionou como o pólo catártico de exaltações altemadamente positivas e negativas, conotadas ora com a direita ora com a esquerda. Foi em 1890, com a crise provocada pelo ultimato inglês a Portugal acerca da definição do mapa cor-de-rosa, que atribuía a Portugal territórios reivindicados pelo império inglês, que a nação surge, personificada na Pátria, como a bandeira dos republicanos, tomando-se o motor de um movimento revolucionário que terminará com o regicídio de 1908 e o dermbe da monarquia em 1910. Dois homens contribuem para formar essa imagem dupla, a nação-pátria, o conceito abstracto e a entidade física: Oliveira Martins e Guerra Junqueiro. Martins opõe a nação e o interesse nacional à dinastia dos Braganças, reinante desde a Restauração da independência, em 1640; Junqueiro, nos seus poemas «Finis Patriae» e «Pátria» dá forma épica a essa visão do historiador, deformada pelas lentes do positivismo, ao apresentar a Pátria como uma figura agonizante que só a «Mocidade das escolas» poderá redimir, lutando contra a inércia do povo e a indiferença do Rei.
  • A cultura enquanto suporte de identidade, de tradição e de memória
    Publication . Reimão, Cassiano
    A cultura constitui uma referência básica para o entendimento do social e do político, definindo a matriz e o suporte da identidade, da tradição e da memória de qualquer povo e de qualquer sociedade. Na verdade, a realidade social está estmturada em dispositivos que constituem o campo em cujo seio se manifestam as interacções e os fenômenos, quer individuais, quer colectivos; esta estmturação manifesta-se em diversos níveis: no nível gmpal, no nível institucional e no nível ambiental. Estes diversos níveis interpenetram-se e coexistem. Na sua base, situa-se a cultura que, não sendo uma realidade em si mesma, configura a realidade, tomando-a social, através de um conjunto complexo de factores, tais como as diversas aprendizagens respeitantes à maneira de ser social dos indivíduos e dos gmpos, numa sociedade determinada. Em sentido sociológico, podemos dizer que a cultura é tudo aquilo que os homens criaram ao longo do tempo e em todos os domínios, numa dada sociedade.
  • Tradição e modernidade
    Publication . Rodrigues, Adriano Duarte
    Considerar a oposição entre tradição e modemidade é já uma herança modema, uma vez que é em relação ao processo de mptura inaugurado pela modemidade que os ideais em relação aos quais ela se demarca são definidos como tradicionais, tal como é em relação aos ideais da tradição que os projectos de mptura em relação a esses ideais são definidos como modemos. O facto de a modemidade se definir a si própria como um ideal de mptura é sintomático da natureza ambivalente da sua lógica, uma vez que só podemos conceber um ideal de mptura, na medida em que permanece o modelo em relação ao qual pretendemos romper. Se os ideais tradicionais deixassem de existir, se fossem completamente substituídos pelos da modemidade, deixaria também de ter sentido a afirmação da modemidade, na medida em que esta se define como mptura para com eles.