Revista da FCSH -1992-93
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- Armando Leça e o primeiro levantamento músico-popular relaizado em PortugalPublication . Sardinha, José AlbertoFoi Armando Leça quem, em 1939 e 1940, realizou o primeiro levantamento músico-popular feito em Portugal através do registo mecânico de som, Muito embora Kurt Schindler tenha efectuado, entre 1932 e 1933, algumas gravações no nosso País, não podemos considerálas como um verdadeiro levantamento etnomusical, dada a limitada área territorial abrangida (apenas a região de Miranda do Douro) e a escassez de exemplares musicais gravados, que se encontiam aliás bem longe do alcance dos estudiosos nacionais, depositados na Casa Hispânica da Universidade de Columbia, E, U, A,. Armando Leça foi convidado em 1939 para efectuar uma recolha nacional de cantares e danças populares, pela Comissão Executiva dos Centenários, que o Estado Novo nomeara para celebrar o oitavo centenário da Nacionalidade e o terceiro da Restauração. O objectivo era organizar uma compilação das mais características e genuínas músicas e canções populares existentes em todas as províncias do continente português, empresa a que Armando Leça meteu ombros com entusiasmo e veio a realizar em tempo bastante curto.
- Notas à margem da vida de S. FrutuosoPublication . Ruas, Henrique BarrilaroAs análises devidas a Díaz y Díaz são no essencial, praticamente, definitivas. Não julgo, porém, pô-las em causa (o que seria estultícia da minha parte) tentando acentuar ou aprofundar o acto de Valério do Berço ao incluir na sua Colectânea a Vida de Frutuoso. Isto é: Valério teria contribuído para a fixação do texto da Vita. De resto, algumas das grandes semelhanças entre passos da hagiografia e textos valerianos poderiam ser explicados por movimento inverso. Além de que uma ou outra são semelhanças com modelos. Cf. a referência de Agostinho a Orósio.
- A utilização do computador na arqueologia práticaPublication . Rodrigues, Maria da Conceição MonteiroA Arqueologia prática pressupõe um contacto regular e directo com os primeiros achados, sendo o arqueólogo que a pratica responsável pela transformação desse material numa informação tratada e transmitida nos arquivos e reportagens. Consequentemente, o processo através do qual essa informação é captada e filtrada numa informação útil é uma das etapas cruciais da criação do novo conhecimento arqueológico. Este é o momento fulcral onde os instrumentos e métodos usados terão profundas repercussões no desenvolvimento subsequente de teorias baseadas nessa informação (Ibid). Contudo, o que se observa é que o produto final denominado "conhecimento arqueológico" fica muito aquém dos dados originais sobre o qual ele é fundamentado. Isto deve-se ao facto da informação gerada pela arqueologia prática ser, em geral, descritiva. O arqueólogo regista num caderno de campo uma amostra extraída de uma população que existiu e selecciona os atributos que pensa serem significativos. A ausência de algumas referências a tais atributos não significa que eles não sejam observáveis mas simplesmente essa informação encontra-se omissa.
- A evolução da população ao longo do séculoXIX. Uma perspectiva globalPublication . Pinto, Maria Luis Rocha; Rodrigues, TeresaA produção historiográfica portuguesa tem nos últimos anos alargado a temática e as perspectivas de abordagem a determinados aspectos tiadicionalmente votados para segundo plano. Referimo-nos, entre outros, aos ligados à história da população e seus comportamentos demográficos, capítulo introdutório necessário (e quantas vezes tomado fastidioso) a estudos com objectivos diversos. Neste vazio alguns tiabalhos se destacam, nomeadamente a tentativa de síntese sobre a evolução dos efectivos populacionais levada a cabo por João Evangefista, em 1971, ou o livro de Joel Serrão sobre as fontes da demografia portuguesa, vindo a lume em 1973. Apesar destes contributos, são incompletas e confusas as sínteses disponíveis, sobretudo para períodos anteriores à realização do primeiro recenseamento geral em 1864.
- Leite de Vasconcelos e os AçoresPublication . Pavão, J. AlmeidaA affrmação referida em epígrafe faz-nos recordar oufra similar, a encimar a notícia publicada num jornal da Capital, quando do falecimento do notável investigador, ocorrido no ano de 1941: "Morreu um sábio". Entre a affrmação que o indicava como sábio e a asserção que o colocava como "o último sábio português", somos naturalmente levados a formular estas perguntas: Que se entende por sábio? Que razões determinaram que fosse o último sábio em Portugal?. Sabedoria entre os gregos da Antigüidade não era apenas o apetiechamento adquirido, como também o equilíbrio da reflexão sobre os factos e as coisas. O ideal da harmonia total do homem, procurado por Aristóteles, não residiria apenas na ooípia (com o adjectivo correlato aocpóo, que significava saber, mas na sua correlação com a ocoçpoaiXvri (com a adjectivo correspondente acó(ppa)v), indicativa de prudência e moderação. É a tal sabedoria popular contida nos provérbios. O propósito de organizar e metodizar o pensamento, na sua relação com a reaHdade, determinou, no Organon aristotéfico, a doufrina das categorias, comentadas e reformuladas muito mais tarde por Kant. Aristóteles proclamava, no conhecimento, o primado da observação e da experiência, muito embora na prática priorizasse a especulação e o raciocínio.
- O gesto do Zé Povinho : da figa ao manguitoPublication . Medina, JoãoO Zé Povinho, não o esqueçamos, tem sido sobretudo — ou unicamente — considerado sob o ângulo da história da Arte, da história da caricatura. São recentes, e, sem falsa modéstia se diga, todos de nossa autoria, os primefros estudos nos quais se pretendeu observar o Zé como aquilo que ele substancial e ônticamente era, pretendera ser e ainda é, ou seja, como um estereótipo nacional, o homólogo de oufras figuras icônicas como fohn Buli, Miguel Alemão, Tio Sam, etc. Um ícone, portanto, um símbolo sobretudo visual, forma plástica que dá came a um aspecto pecuHar do nosso imaginário nacional e da nossa própria personalidade base, encarregado de veicular um Ethos, uma idiossincrasia — já o temos dito e rédito.
- As pedras visigóticas de eira. Pedrinha - ConímbrigaPublication . Maciel, Manuel Justino; Pessoa, MiguelAs pedras visigóticas de Conímbriga — Eira Pedrinha são na generalidade em calcário liássico da região, de tipo Ançã e oolítico do jurássico inferior. Consideradas a nível estrutural, são sobretudo restos de frisos, cancelas, peças de encaixe e püastrinhas. A nível decorativo, apresentam genericamente círculos secantes, em variantes que passam sobretudo pelos bifôlios, tefrafôlios e sexifôlios, paralelamente aos motivos das hastes de videfra com racimos e das palmetas talhadas em bisel. É evidente o predomínio dos motivos geométricos sobre os vegetalistas e a total ausência da decoração figurativa animal e humana.
- Museu etnológico português (1893-1914). Um projecto nacional e uma tentativa de conjugação disciplinar.Publication . Gouveia, Henrique CoutinhoAs décadas finais do século passado são caracterizáveis, no plano museolôgico, pela criação de um significativo conjunto de novos estabelecimentos de âmbito e importância nacionais. A esse movimento corresponde ainda a autonomização e aparecimento, no contexto museolôgico português, do domínio das ciências antropológicas e da arqueologia. Assim, a partir de 1859 é organizado um Museu de antiopologia e pré-história na Comissão dos Trabalhos Geológicos do Reino, em 1864 o Museu da Associação dos Arqueólogos e Arquitectos Civis, seguindo-se-lhe, em 1875, a do Museu Etnográfico da Sociedade de Geografia de Lisboa e, em 1884, a do Museu Nacional de Bellas Artes e Arqueologia. No âmbito imiversitário opera-se, em 1885, o desdobramento do Museu de História Natural, passando as suas secções, entre as quais a de antropologia, a constituir unidades autônomas. Pode-se assim constatar que os domínios científicos mencionados tinham então representação na maioria dos principais museus portugueses, assumindo desse modo particular importância para a anáfise do panorama museolôgico da época.
- A históra. Que "mestra de vida"?Publication . Gonçalves, Joaquim CerqueiraA pragmática sentença que, ao menos desde Cícero, em explícita teoria, olha a história como mestra da vida, continua a vigorar pertinazmente, não obstante os muitos protestos emergentes de diversas áreas do saber, já por declinarem a função instiumental deste, já por considerarem constitufr perverso anacronismo a subordinação do passado, de que se ocuparia a história, aos desígnios do presente. Para todos esses, a canalização do passado para o presente significaria um artificioso processo, dado não haver arficulação constitutiva entre o passado e o presente, ao menos no horizonte da consideração do saber. O máximo que se poderia conceder seria a apresentação, pela descrição histórica, de situações paradigmáticas ou exemplares, a seguir ou a rejeitar pelos protagonistas do presente, mas sem o imperativo de qualquer constiangimento causai intrínseco.
- A colheita regia medieval,padrão alimentar de qualidade (um contributo beirão)Publication . Gobnçalves, IriaUm dos aspectos mais salientes das cortes medievais era o seu caracter itinerante. Com efeito, os monarcas, como os demais senhores, eram viajantes infatigáveis que constantemente percorriam os respectivos territórios, em certas ocasiões apenas por prazer, mas, as mais das vezes, no desempenho das suas funções, administiativas ou outias. Aonde quer que o rei aportasse, cidade ou vila, igreja ou mosteiro, a sua chegada, acompanhado sempre por numeroso séquito de pessoas habituadas ao melhor que os recursos da época podiam proporcionar*^', era susceptível de causar problemas de abastecimento, tanto em quantidade como em qualidade*^'. Mormente nos mais recuados tempos da Idade Média, em que os alimentos não abundavam, em que a falta de maleabilidade dos transportes dificultava o preenchimento das lacunas de uma região por eventuais excessos de oufras, em que a deficiência ou mesmo inexistência de infra-esfruturas necessárias à circulação dos produtos, maximizava aqueles inconvenientes.
