Revista da FCSH -1988
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- Estética e ética em Kierkegaard e PessoaPublication . Silva, Luís de Oliveira eO predomínio racíonalísta do criticismo e a prioridade concedida à epistemología provocaram, a partir dos primeiros românticos, uma reacção de cunho vitalista que afirmava e defendia os elementos espirituais (vontade e sentimento) que a filosofia do Iluminismo destacara insuficientemente. O sentimento, porção subjectiva do espírito incapaz de desempenhar funções estritamente cognitivas, penetra a razão. A partir de então, numa linha que nos leva até Níetzsche, Scheler, Heidegger, Jaspers, e Sartre, o sentimento (Gefühl) animará a teoria. Sõren Aabye Kierkegaard (1813 - 55) é o representante máximo da cultura do sentimento. Não persegue a verdade abstracta, objectiva, dos filósofos sistemáticos. Vive, pelo contrário, num estado permanente de problematização subjectiva. O único critério de verdade que aceita é a convicção íntima. A subjectividade, com todas as suas contradições dilacerantes, é a verdade. Kierkegaard encara a vida como conjunção disjuntiva, como opção entre dois termos (Enten ... Eller) que a lógica, inclusive a dialéctica hegelíana, não poderá unir numa síntese.
- O fundamento hegeliano do direito penal e a lógica da penaPublication . Renaud, MichelA questão que está na base deste estudo diz respeito ao fundamento da retribuição penal. Há uma diferença entre o princípio da vingança e o princípio da punição legal? Cabe à filosofia do direito a tarefa de apresentar a racionalidade do princípio da pena e de mostrar em que medida a atribuição do castigo legal se afasta da aplicação da violência colectiva. Enquanto «organização duma comunidade histórica» que se torna «capaz de tomar decisões» (^), o estado detém o monopólio da violência legal.
- Um problema controverso nas relações anglo-portuguesas no século XVIPublication . Pires, Maria Laura BettencourtA Inglaterra é o nosso mais antigo aliado na Europa. São múltiplas as referências aos aspectos comerciais, políticos e culturais dessa aliança e às vantagens das relações anglo- -portuguesas. Embora seja menos freqüentemente referido, houve também períodos em que a nossa aliada pareceu ter esquecido os acordos firmados. Isto deveu-se sobretudo à circunstância de o Império Britânico ter sido construído praticamente à custa do português, facto que provocou a rivalidade anglo-portuguesa pela posse das terras conquistadas.
- Uma perspectiva geográfica sobre as políticas do territórioPublication . Pereira, Margarida; Poeira, Maria de LourdesNo contexto das actuais preocupações relativas aos fenômenos que interferem com o território, nele se desenvolvem ou dele estão dependentes, surgiram não só diferentes ópticas de abordagem como diferentes conceitos e novas metodologias. Consequentemente, os campos de investigação diversi-i ficaram-se e novos especialistas procuram incessantemente recriar o conhecimento da realidade, revelando-a através de todo um conjunto imagético que as novas tecnologias, con-' ceitos e terminologias ajudam a explicitar. Acrescentaram-se, assim, as possibilidades de conhecimento e compreensão do mundo em que vivemos, cada vez mais dinâmico e complexo, em que o grau de interferência entre fenômenos é, normalmente, bastante elevado. É precisamente esta interferência que cria a necessidade duma visão integradora, ainda que circunscrevendo as ques^ toes no espaço e no tempo que lhe são próprios, através das múltiplas vias de análise, inovadoras ou recriadas.
- Modelos de representação literária e realidade social nos relatos alemães sobre Portugal em meados do século XIXPublication . Optiz, AlfredQue a «vaidade» seja um dos traços mais salientes do caracter nacional português é o que pretende uma grande parte dos viajantes estrangeiros quando, nos séculos XVIII e XIX, escrevem sobre Portugal. Um escritor silesiano, que conhece pelo menos alguns destes autores, afirma, porém, não chegarem ainda tais defeitos como «justificação para vários juízos injustos e desculpa para muitas representações ofensivas que se deram, umas quantas vezes, a partir unicamente duma visão superficial e duma apreciação insuficiente sobre o povo português.
- O sistema de linhagens dos kyaka de AngolaPublication . Lima, MesquitelaO parentesco kyaka repousa sobre a noção de epata. Há necessidade, porém, de explicitar melhor esta noção e dizer como funciona na prática social. Todo o Kyaka está consciente de pertencer a uma epata, que divide em dois grandes conjuntos (ramos): os ko-luse, parentes do lado do pai e ko-lwina, parentes do lado da mãe. Distinguem, ainda, no interior de cada um daqueles dois ramos, os parentes paternos e maternos da mãe e do pai (ver esquema n.° 1). A vida social gravita à volta da epata paterna, junto da qual todas as pessoas, ligadas a esse mesmo pai, residem: os filhos, os filhos casados (quando não habitam numa outra unidade de residência), as filhas solteiras, as viúvas, as irmãs do pai, velhos (por vezes, avós), que não podem manter-se a si próprios, escravos, clientes e amigos ukamba.
- O arquivo e a construção social do passadoPublication . Mattoso, JoséNunca ninguém jamais saberá explicar a que se deve o sucesso medieval da Peregrinação de Compostela: foi um fenômeno religioso espontâneo, ou uma operação de propaganda bem montada? Resultou apenas da convicção que os fiéis tinham de aí prestar culto às relíquias do Apóstolo mais venerável depois de S. Pedro, ou à capacidade de organização demonstrada pelo arcebispo Diego Gelmírez, que soube acolher os peregrinos, obter a protecção dos reis de Leão e de Castela, garantir a confiança de instituições religiosas tão influentes como o mosteiro de Cluny, e merecer a protecção, os privilégios, ou pelo menos a tolerância do Papa e dos seus legados? A verdade é que o próprio sucesso da organização perdurou na memória dos homens até aos dias de hoje, como uma realidade impossível de apagar totalmente, em boa parte porque Diego Gelmírez utilizou como um dos mais importantes instrumentos da sua acção, a compilação de um arsenal de provas que ainda hoje nos impressiona pelo seu incomparável vigor: a História Compostellana
- Da arte romana à arte paleocristã: o sacófago romano de ÉvoraPublication . Maciel, Manuel JustinoO significado profundo de uma mudança nos comportamentos artísticos de uma sociedade é sempre de difícil exame e só a posteriori se pode compreender satisfatoriamente. A mudança de estilos, de conteúdos e de formas, resultando, é certo, de uma dialéctica inerente à normal evolução das motivações e comportamentos do homem e da sociedade, não surge ex improviso e simplesmente pela iniciativa ou gênio de alguns, mas resulta em grande parte de um processo lento e evolutivo que vai numa altura oportuna eclodir, nem sempre segundo um modelo desejado a priori ou num contexto pré-determinado, mas num enquadramento resultante de jogos de forças que leva a determinada síntese ideológica. Isto verificamos nas grandes épocas artísticas, que nos são referenciadas pela História, isto constatamos na busca perene da harmonia e do equilíbrio. Isto vemos também no desabrochar da arte cristã e na evolução futura das suas manifestações.
- O iberismo e a França como cultura intermediária em Oliveira MartinsPublication . Machado, Álvaro ManuelCerca de trinta anos depois, alguns textos dispersos mas significativos em termos teóricos dum outro historiador português, representante da chamada geração de 70, Oliveira Martins, transformam esta rígida, demasiado solene e um tanto abstracta heroicidade lusitana oposta à hegemonia espanhola em ampla visão cultural ibérica. E essa transformação processa- se através sobretudo duma cultura latina intermediária, a cultura francesa, veiculando uma cultura não latina que, no interior do próprio iberismo. Oliveira Martins adapta a Portugal: a cultura romântica alemã, com predominância da filosofia da história aplicada à literatura
- Desindustrialização. Reindustrialização. TerciarizaçãoPublication . Lema, Paula Bordalo; Teixeira, José AfonsoA crise que desde o início dos anos 70 atingiu a economia mundial, em particular as economias desenvolvidas de mercado, activou a discussão teórica sobre os modelos a seguir por essas economias. Na perspectiva de alguns autores a crise traduziu-se na perda de importância dos ramos que constituíram a base do crescimento econômico do pós-guerra mas também no desaparecimento de uma classe produtiva nos termos tradicionais (nomeadamente a mão-de-obra especializada). A indústria deixou de ser vista como o sector dinâmico da economia. Estamos em presença das chamadas teses da Desindustrialização.
