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IHMT: SPIB - Dissertações de Mestrado

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  • Estudo sobre perceções de grupos de profissionais de uma Unidade de Cuidados Intensivos Polivalente, Aspetos facilitadores e inibidores da adesão à higiene das mãos
    Publication . MORGADO, Marta Isabel Ferreira; LAPÃO, Luís; FERRINHO, Paulo
    Durante o processo de prestação dos cuidados de saúde pode ocorrer a transmissão de infeções denominadas por infeções associadas aos cuidados de Saúde (IACS’s). Estas podem estar na base da diminuição da capacidade funcional do doente, afetando a sua qualidade de vida e a dos seus familiares/pessoas significativas, para além de estarem associadas a um aumento dos dias de internamento hospitalar e a custos económicos acrescidos. Em Portugal, em 2012, a prevalência de IACS’s era de 10,6%. Nas Unidades de Cuidados Intensivos (UCI’s), este tipo de infeções pode aumentar de forma considerável a morbimortalidade dos doentes críticos. Estima-se que, por ano, na Europa, a mortalidade atribuível por IACS’s, seja de 37 000 pessoas/ano. A higiene das mãos é considerada a medida mais custo-efetiva na redução das IACS’s. A WHO (World Health Organization) foi responsável pela estratégia dos “Cinco Momentos” que inclui cinco situações, as quais correspondem às indicações ou tempos em que é mandatória a higiene das mãos na prática clínica: “Antes do contacto com o doente”; “Antes de procedimentos assépticos”; “Após risco de exposição a fluidos orgânicos”; “Após contacto com o doente” e “Após contacto com o ambiente envolvente do doente”. A observação de práticas dos vários profissionais, processos de reflexão crítica e pesquisa bibliográfica sobre estudos realizados em populações idênticas, serviram de motivação à escolha do objeto de estudo definido. Recorrendo a uma abordagem do tipo quantitativo, procurou-se conhecer os aspetos facilitadores e inibidores da adesão à higiene das mãos percecionados por três grupos de profissionais de saúde de uma UCI Polivalente. O método seguido foi o estudo de caso utilizando-se, como instrumento de colheita de dados, o questionário aplicado à população em estudo - 35 profissionais de saúde (entre os quais, médicos, enfermeiros e assistentes operacionais). A análise dos dados foi realizada através da Estatística Descritiva. Constatou-se que, apesar de os profissionais terem conhecimentos sobre as IACS’s, sentem dificuldades em incorporar as medidas preventivas das mesmas, na prestação de cuidados, devido a crenças pessoais e à necessidade de proteção pessoal. Verificou-se também que médicos, enfermeiros e assistentes operacionais variam no que toca às perceções da importância e impacto das IACS's. Existe uma correta perceção por parte dos profissionais acerca dos “momentos” de higiene das mãos que previnem a transmissão de microrganismos para o doente, mas por outro lado existe, em alguns profissionais, um conhecimento incorreto sobre os que previnem a transmissão de microrganismos para o profissional. Os “momentos” de higiene das mãos considerados como mais e menos fáceis para a adesão à higiene das mãos variaram entre grupos profissionais. Os obstáculos a este procedimento mais apontados pelos três grupos foram: “esquecimento, turno com mais trabalho, situações de emergência”. Ficaram a conhecer-se as atividades que os profissionais consideram mais eficazes no aumento da adesão à higiene das mãos, que irão permitir a renovação de estratégias de melhoria a implementar no local do estudo, no sentido de uma maior segurança dos doentes internados em estado crítico.
  • Fatores associados a baixa cobertura vacinal de tétano nas grávidas na região sanitária de Cacheu (Guiné-Bissau), 2017 a 2019
    Publication . BIAI, Infamara
    Introdução: A administração da vacina contra o tétano em mulheres grávidas é a forma mais eficaz de prevenir o tétano materno e neonatal. Vários fatores estão relacionados com a baixa cobertura vacinal. O objetivo deste estudo foi identificar os fatores associados à baixa cobertura vacinal nas grávidas da região sanitária de Cacheu. Método: Trata-se de um estudo epidemiológico observacional analítico e transversal. A amostra incluiu 752 mulheres grávidas, 30 assistentes comunitários e 20 profissionais de saúde incluídos em 10 estruturas de saúde da região sanitária de Cacheu. Para a identificação dos fatores associados, efetuou-se uma análise estatística por meio do software SPSS, (Statistical Package for the Social Sciences) versão 28.0. A análise estatística envolveu medidas de estatística descritiva (frequências absolutas e relativas para variáveis qualitativas e mediana e intervalo interquartil para a variável quantitativa idade) e estatística inferencial. Para testar a associação entre cobertura vacinal e variáveis qualitativas foram utilizados o teste Qui-quadrado de independência e regressão logística. O nível de significância (α) foi fixado em 0,05. Resultados: foram aplicados questionários desenhados especificamente para cada um dos grupos estudados em 10 estruturas, que incluíram questões, cujas variáveis foram introduzidas e analisadas no SPSS. A taxa de vacinação observada nas grávidas em relação à vacinação anti-tetânica foi de 29,9%. De acordo com a análise bivariada, verificou-se que a cobertura vacinal está significativamente associada à idade (p = 0,007), observando-se que a faixa etária acima de 41 anos apresentou maior cobertura vacinal (45,2%) relativamente ao grupo das grávidas entre os 15 e 20 anos. Conclusões: A identificação dos fatores associados à vacinação contra o tétano em gestantes é essencial para fortalecer o programa de imunização e aumentar a taxa de vacinação em gestantes. Neste estudo contribuímos para esse conhecimento e propomos medidas para aumentar a taxa de vacinação.
  • Determinantes associados aos clusters de transmissão de VIH-1 em imigrantes diagnosticados em Portugal entre 2014 e 2019
    Publication . VIDEIRA, Adriana Paradinha; PINGARILHO, Marta; PIMENTEL, Victor
    Introdução: O VIH continua a ser uma preocupação importante de saúde pública a nível global. Em Portugal, a infeção pelo VIH tem um impacto relevante, com um total de 804 novos casos diagnosticados em 2022. Os imigrantes representam uma parcela significativa das infeções, correspondendo a 45% dos novos casos notificados. Objetivo: Descrever os determinantes associados aos clusters de transmissão molecular (CTMs) do VIH-1 entre imigrantes diagnosticados em Portugal entre 2014 e 2019. Métodos: Entre 2014 e 2019, foram recolhidas 206 sequências parciais do gene pol do VIH-1 dos subtipos A, B, C, F1, G e Formas Recombinantes Circulantes CRF02_AG e CRF14_BG. A construção de árvores filogenéticas de máxima verossimilhança (ML) foi realizada utilizando o software FastTree. A identificação de clusters foi efetuada com base na distância genética <0.45 e suporte de ramos SH-aLRT >90 no ClusterPicker. Análises de regressão logística foram aplicadas para investigar a associação entre dados sociodemográficos, clínicos e comportamentais com a formação de clusters em indivíduos imigrantes VIH-1 positivos incluídos no estudo. Resultados: 66.8% dos imigrantes incluídos no estudo eram do sexo masculino, com uma mediana de idade ao diagnóstico de 36.0 anos (IQR:29-45). A maioria dos imigrantes era proveniente de países africanos (50.6%), incluindo a Guiné (18.5%), Angola (15.5%) e Cabo Verde (10.2%), seguidos do Brasil (39.6%). Sessenta e oito (33%) dos imigrantes encontravam-se nos CTMs. Através da análise univariada, destacaram-se alguns fatores associados à presença em clusters com significância estatística. Destacam-se a região de origem, com indivíduos da América do Sul com maior probabilidade de estarem em clusters (OR=5.24, IC95%: 2.67-10.29, p<0.001), em comparação com indivíduos de origem africana; a via de transmissão, com homens que fazem sexo com homens (MSM) com maior probabilidade de estarem em clusters (OR=4.37, IC95%: 2.34-8.17, p<0.001), em comparação com a via de transmissão heterossexual e o subtipo, sendo que os indivíduos infetados com o subtipo B tiveram também maior probabilidade de estar em cluster (OR=1.85, IC95%: 1.02-3.37, p=0.044) do que os indivíduos infetados com subtipos não-B. Conclusão: Os CTMs de VIH-1 de imigrantes em Portugal mostraram estar associados a determinantes específicos, como a região de origem, a via de transmissão e o subtipo, entre outros. Deste modo, são necessárias estratégias de saúde de prevenção direcionadas para mitigar a transmissão do VIH nesta população.
  • Saúde sexual e reprodutiva das populações imigrantes em Portugal: a perspetiva de profissionais de medicina e enfermagem
    Publication . DUARTE, Bruno Miguel Santos; CORREIA, Tiago
    Os movimentos migratórios são processos contínuos e constantes, à nível mundial, tendo sido registado um aumento considerável no número de populações imigrantes residentes em Portugal nos últimos anos. Vários fatores influenciam a vida das pessoas imigrantes, independentemente de como o processo migratório ocorre, seja legal ou não. A saúde das pessoas e o acesso a cuidados também são impactados diretamente, nos quais as suas vivências são atravessadas por diversas vulnerabilidades. A Saúde Sexual e Reprodutiva dessas populações demonstra ser um labirinto, no qual as políticas de saúde nem sempre conferem o foco de atuação necessário, o que contribui para os piores indicadores de saúde quando comparadas à população nacional. O objetivo do estudo visa compreender em que medida profissionais de enfermagem e medicina lidam com a saúde sexual e reprodutiva das populações imigrantes em Portugal e consideram que a sua formação de base e contínua os habilita a adequar a prática profissional tendo em vista o aumento da adesão destas populações aos serviços de saúde. Foi realizado um estudo qualitativo por meio do método de bola de neve, no qual foram entrevistadas dezessete pessoas profissionais de saúde em diferentes pontos do país, com diferentes faixas etárias e anos de atuação. Observa-se que profissionais de saúde reconhecem que os aspectos socioculturais não são contemplados, oportunamente, na discussão de estratégias de saúde de populações imigrantes. Ademais, há uma lacuna significativa de fontes que possam contribuir para a conscientização do tema, como também a superficialidade da discussão no âmbito académico, tanto em instituições de ensino-saúde quanto em órgãos fomentadores de estratégias de saúde. É necessário incluir este tema no currículo académico, o aperfeiçoamento profissional por meio das entidades empregadoras e incentivo ao desenvolvimento de políticas de saúde inclusivas. A combinação das táticas do cuidado centrado na pessoa-paciente, competência cultural, educação antirracista e Educação Permanente em Saúde são sugestões a serem incorporadas na discussão de Saúde Sexual e Reprodutiva das pessoas imigrantes, estratégias fundamentais nesta construção de práticas e cuidados no processo saúde-doença da pessoa imigrante em Portugal.
  • Padrões adequados de lactação e alimentação infantil, e fatores associados, em crianças dos 0-59 meses filhas de mulheres VIH+, em São Tomé e Príncipe
    Publication . CATARINO, Elisabete; MARTINS, Maria do Rosário Oliveira
    RESUMO Contextualização: A OMS e UNICEF recomendam que as crianças expostas ao VIH em países de baixo rendimento, devem receber aleitamento materno exclusivo nos primeiros 6 meses de vida e a partir dessa idade devem receber alimentos complementares apropriados e continuar a amamentação até aos 24 meses ou mais, a par do TARV materno. Em circunstâncias onde a família queira optar por leite artificial, essa opção só deverá ser aconselhada se for segura, viável, acessível, sustentável e aceitável (AVASS). Em São Tomé e Príncipe, a prevalência de VIH (em 2014) na população era de 0,5% e a cobertura do TARV em 2017 era de 78,2%. Dados sobre a alimentação infantil para a população geral no país indicam práticas inadequadas, com apenas 22,5% das crianças a atingir uma dieta mínima aceitável e 73,8% em aleitamento materno exclusivo (também em 2014). O aconselhamento por profissionais de saúde a mães VIH+ sobre lactação e alimentação infantil é essencial no contexto do país, para eliminar a transmissão vertical e garantir os melhores resultados de saúde e crescimento neste grupo vulnerável. Objetivo: Determinar as frequências de práticas de lactação e alimentação infantil adequados, e analisar fatores associados, em crianças dos 0-59 meses filhas de mulheres VIH+, em São Tomé e Príncipe. Metodologia: Estudo observacional, quantitativo, de corte transversal e censitário. Foram utilizados dados secundários referentes a variáveis sociodemográficas, de saúde pré-natal da mãe, de saúde e antropometria da criança e das práticas alimentares da criança, incluindo os alimentos consumidos nas 24h anteriores. A população estudada consiste em 79 crianças com 0-59 meses de idade filhas de mulheres VIH+ identificadas pelo Programa Nacional de Luta contra o SIDA. Para caracterizar as variáveis foi feita uma análise de estatística descritiva; para analisar a associação entre a variável dependente (ter ou não uma dieta mínima aceitável) e as variáveis independentes foi usado o teste de Qui-Quadrado ou de Fisher. Usou-se um nível de significância entre 5% e 10%. Resultados: Das 79 crianças, a maioria é do sexo feminino (58,2%), reside em áreas urbanas (75,9%) e 87,7% das mães têm algum nível de escolarização. No entanto, apenas 5,3% dos agregados familiares conseguiriam fornecer uma alimentação de substituição AVASS à criança exposta ao VIH, caso optassem por não amamentar. Apesar da boa adesão aos serviços de saúde, com uma mediana de 8 consultas pré-natal das mães, apenas 51,3% recebeu aconselhamento por um profissional de saúde sobre lactação e VIH. Ainda assim, 73,7% das mães têm um conhecimento mínimo sobre ALCP e PTMF. Entre as crianças menores de 6 meses, 68,8% beneficiava do aleitamento materno exclusivo, enquanto apenas 25,4% das maiores de 6 meses tinha uma dieta mínima aceitável, indicador este que estava associado com o meio de residência (p=0,088) e o nível de escolaridade da mãe (p=0,094). Os grupos de alimentos que estavam associados com o alcance da dieta mínima aceitável foram o leite materno (p=0,012), as frutas e vegetais ricos em vitamina A (p=0,000) e outras frutas e vegetais (p=0,093). Conclusão: Os resultados do estudo reforçam a importância de um ambiente que promova as recomendações da OMS e UNICEF sobre ALCP em contexto de VIH. O investimento em políticas de saúde, formação dos profissionais de saúde para um aconselhamento adequado e constante, e geração de evidências onde existem lacunas de conhecimento, são essenciais para alcançar melhores resultados de saúde e nutrição em crianças filhas de mulheres VIH+, no país.
  • Estigma, violência física e violência sexual: tripla vulnerabilidade das mulheres trabalhadoras de sexo em Moçambique
    Publication . LUIZ, Naira Jacira Mamudo; BALTAZAR, Cynthia Semá; ABECASIS, Ana
    Resumo Introdução: As Mulheres Trabalhadoras de Sexo (MTS) são desproporcionalmente mais expostas a situações de violência devido ao estigma e a discriminação associado ao trabalho sexual, o que trás consequencias para tanto para a saúde, como para o bem estar e segurança destas mulheres. Existem poucos estudos em Moçambique que versam sobre a questão da violência física e sexual em MTS e a respectiva relacção com o Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH), e considerando essa lacuna, o presente trabalho teve como objectivo analisar os factores relacionados ao estigma, violência física e violência sexual em MTS em cinco zonas urbanas de Moçambique. Metodologia: Foi feita uma análise secundária de um inquérito observacional transversal em MTS implementado entre 2019-20, em que foi usada a técnica de amostragem por cadeia de referência (RDS – Respondent-Driven Sampling). Estimativas ponderadas agregadas foram calculadas para analisar o auto-reporte do estigma, da violência física e sexual. Recorreu-se ao teste Qui-quadrado para avaliar a associação entre as variáveis, e foi através da análise de regressão logística multivariada que o efeito das associações entre estas variáveis foi medido. Resultados: Das 2.567 MTS que participaram do inquérito, 24,7% reportaram já ter sofrido estigma, 52,3% reportaram ter sofrido violência física e 37,9% violência sexual nos 6 meses anteriores ao inquérito. Ao analisar as características comportamentais constatou-se que, dentre as variáveis que apresentaram significância estatística, destacaram-se por ter maior impacto: ter tido mais de 7 clientes no mês anterior ao inquérito, aumentando em mais de 6 vezes as chances da MTS ser vítima de estigma (ORa=6,1; p <0,001), e o consumo drogas não prescritas, que demonstrou aumentar as chances da MTS sofrer tanto violência física como sexual em mais de 2 vezes (ORa=2,3; p <0,001; ORa=2,7; p <0,001). A prevalência do VIH demonstrou ter um papel importante, a medida que as MTS seropositivas tiveram maior chance de ser vítimas de violência física e sexual (ORa=1,2; p=0,006 e ORa=1,2; p=0,031, respetivamente). Conclusão: O estigma e a violência são prevalentes entre as MTS em Moçambique. Os resultados demonstram que é necessário realizar intervenções estruturais, assim como reformas políticas para reduzir o estigma, garantir a segurança das MTS e melhorar o acesso das MTS à estas intervenções.
  • Determinantes da satisfação dos utentes face o acesso e acessibilidade aos serviços de cuidados de saúde em Cabo Verde
    Publication . MENDES, Jéssica Christine Tavares Cardoso; GONÇALVES, Luzia; MENDONÇA, Maria da Luz Lima
    Resumo Introdução: Cabo Verde, um país de natureza arquipelágica, enfrenta desafios significativos no que concerne à conectividade, que são espelhados nas limitações em termos de acesso e acessibilidade aos serviços e cuidados de saúde. Referenciando ações concretas e políticas de saúde, muito tem sido feito em prol da equidade, sendo essencial explorar os possíveis determinantes que poderão ser óbices ao acesso e acessibilidade aos serviços de cuidados de saúde no país. Objetivo: Identificar os potenciais determinantes envolvidos na satisfação dos utentes face ao acesso e acessibilidade aos serviços de cuidados de saúde nas estruturas privadas e públicas de saúde de Cabo Verde. Metodologia: Este estudo utilizou uma abordagem descritiva e analítica, com o intuito de descrever as características da população e identificar o score de satisfação dos utentes face ao acesso e acessibilidade aos serviços de saúde, através da utilização de dados recolhidos pelo Instituto Nacional de Saúde Pública de Cabo Verde no ano de 2022. Trata-se de um estudo transversal. Com recurso ao SPSS, versão 26.0, foram calculadas estatísticas descritivas, bem como estatísticas inferenciais, como a análise da variância one way ANOVA, tendo sido aplicado o teste de Levene para verificação da homogeneidade das variâncias, e o teste Post-Hoc de Tukey para verificar diferenças significativas entre os scores de satisfação dos utentes de diferentes ilhas, idades, escolaridade, situação profissional, e estado civil, ou o teste t de Student na comparação de dois grupo (p-ex., sexo, Público vs Privado). Resultados: A pesquisa contou com uma amostra constituída por 3445 indivíduos, que mostraram-se estar com um score de satisfação de 38,6±20,94 (numa escala de 0 a 100) com o acesso e acessibilidade aos serviços de cuidados de saúde de Cabo Verde, sendo o score de satisfação face os serviços Privados (42,9±21,92) maior do que nos serviços Públicos (36,7±20,13) (t-Student, p=0,006). Em termos de análises comparativas de escore de satisfação entre ilhas, com maiores scores de satisfação temos São Vicente (42,9±22,52) e Santo Antão (41,8± 23,61), e como menores scores de satisfação temos Fogo (27,8±17,18) e Sal (33,1±20,79). Com scores mais aproximados do score nacional, temos Brava (37,8±18,04), Boa Vista (38,3±21,60), Santiago (38,8±19,77), São Nicolau (38,9±22,69), e Maio (39,1±15,09).Como determinantes relacionados aos menores scores de satisfação temos: Grupo etário, onde indivíduos mais jovens têm os menores scores; Estado civil, tendo população os participantes solteiros o menor score; Nível de escolaridade, em que utentes com baixo nível de escolaridade apresentaram menores scores; e Situação de emprego, onde o desemprego apresenta menor score de satisfação. Conclusão: Os resultados sugerem que não obstante os notáveis esforços do Estado de Cabo Verde, segundo os participantes neste estudo, existe necessidade de melhoria nas condições de acesso e acessibilidade face aos serviços de saúde públicos e privados do país, devendo-se dar especial atenção aos mais jovens, aos utentes com baixo nível de escolaridade, e à população que se encontra desempregada, principalmente nas ilhas do Fogo, do Sal e da Brava.
  • Levantamento epidemiológico da saúde oral de uma população adulta de São Tomé e Príncipe
    Publication . PINTO, Marta Pecegueiro de Oliveira; FRONTEIRA, Inês
    RESUMO Introdução: As patologias da cavidade oral foram reconhecidas como tendo um grande impacto a nível global. São considerados uns dos tratamentos de saúde mais dispendiosos e que maior impacto tem em países de médio e baixo rendimento, como é o caso de São Tomé e Príncipe. A informação associada a outros indicadores de saúde oral, que não apenas a cárie, é importante para a reflexão sobre a saúde oral do país e para a verificação das reais necessidades da população. Objetivos: Descrever, através de exame objetivo intraoral, a presença de cárie, traumatismo dentário, erosão e lesões orais nas faixas etárias adultas (≥18 anos); calcular a prevalência de cárie dentária através do índice de dentes cariados, perdidos e obturados (CPOD) nas faixas etárias adultas (≥18anos) e descrever os comportamentos relacionados com a saúde oral. Material e Métodos: Estudo transversal, com aplicação de questionários e observações extra e intraorais realizadas por um Médico Dentista e com auxílio de um elemento da Organização Não Governamental financiadora do estudo. O estudo foi realizado em cada um dos sete distritos de São Tomé e Príncipe de forma a se aproximar o mais possível de um levantamento nacional. A amostra por conveniência foi constituída por 241 indivíduos adultos (≥18 anos). Com recurso ao formulário de avaliação clínica de saúde oral baseado no WHO Oral Health Surveys foram obtidos dados sobre as variáveis em estudo e que também permitiram o cálculo do índice CPOD para determinação da prevalência de cárie dentária. Foi realizada uma análise descritiva dos dados com recurso ao programa SPSS 27.0. Resultados: A amostra caracterizou-se por uma idade média de 36,6 anos, mais de metade de indivíduos do sexo feminino (67,2%) e apenas 5,4% sem formação. A prevalência de CPOD foi respetivamente 84,6%, 78,0% e 9,1%. Em termos de lesões da mucosa oral, verificou-se em mais de metade dos indivíduos sem condição anormal, sendo a localização mais prevalente na gengiva e/ou rebordo alveolar (17,4%). Mais de metade dos indivíduos tinham necessidade de tratamento imediato (69,7%). Apenas 0,4% utiliza prótese total superior e 2,1% prótese parcial inferior. Em termos de fatores comportamentais, apenas 0,4% não escova os dentes. Dos que escovam, 75,5% utiliza pasta com flúor e mais de metade lavava os dentes 2 vezes por dia (90,0%). Sessenta por cento tinha sentido dor ou desconforto num dente no último ano. No entanto, 30,7% nunca recebeu tratamento dentário. Conclusões: A prevalência de cárie dentária nesta amostra é considerada elevada, no entanto o índice de CPOD foi classificado como baixo, apesar de ser maior em comparação com faixas etárias jovens. A prevalência de traumatismo dentário está abaixo da média para países africanos. Também a prevalência de erosão dentária é considerada baixa e mais de metade da amostra verificou-se sem condição anormal no que diz respeito lesões da mucosa oral. Relativamente a hábitos de higiene oral mais de metade dos indivíduos dizia lavar os dentes duas ou mais vezes por dia, utilizar escova com ou sem pasta e a maioria referiu utilizar pasta com flúor. Por outro lado, a maioria dos indivíduos diz ter tido dor ou desconforto num dente/boca no último ano mas apenas 8.3% foram ao dentista no último ano o que significa falta de acessos e/ou falta de recursos humanos especializados na área de saúde oral. Os valores de consumo de álcool e tabaco não são considerados elevados. Há uma clara falha de levantamento epidemiológicos no que diz respeito a indicadores de saúde oral em STP, principalmente em faixas etárias adultas. Este estudo contribuiu para a descrição da saúde oral em faixas etárias adultas em STP o que nunca tinha sido realizado.
  • Pré hipertensão, hipertensão arterial e fatores associados com enfoque na adiposidade abdominal em adultos uma revisão sistemática com meta análise
    Publication . MARTINS, Delisa Soraia Monteiro Vera-Cruz; GONÇALVES, Luzia; GARCIA, Gisseila
    RESUMO A pré-hipertensão arterial tem sido associada com o desenvolvimento da hipertensão arterial e doenças cardiovasculares, sendo caracterizada por valores sistólicos entre 120-139 mmHg e/ou diastólica 80-89 mmHg. A identificação precoce da hipertensão arterial através da vigilância da pré-hipertensão arterial pode contribuir para a diminuição de risco de doenças cardiovasculares, acidente vascular cerebral e doença renal. Na literatura têm sido propostos indicadores antropométricos que possam ser usados para identificar o risco para doenças cardiovasculares, através de aferições de medidas que indicam um acúmulo de gordura corporal, principalmente na região abdominal. O Índice C, que é determinado por meio das medidas de peso, estatura e circunferência da cintura, é associado à identificação indireta da hipertensão. O objetivo deste estudo foi avaliar o desempenho de indicadores antropométricos (Índice C, CC, ABSI e RCEst) em predizer algumas categorias da pressão arterial e fazer a comparação entre os indicadores. A revisão sistemática foi conduzida com a pesquisa em cinco bases eletrónicas (PubMed, LILACS, Scielo, EMBASE e Google Académico). Estudos foram incluídos quando avaliaram medidas antropométricas de interesse em adultos maiores de 18 anos com alteração de níveis pressóricos (pré-HTA e HTA). A meta-análise foi conduzida com base na diferença da média dos valores de interesse em pré-hipertensos/hipertensos e normotensos. Na revisão final foram incluídos 10 estudos com o total de 175.524 indivíduos, sendo 52% do sexo feminino. O tamanho do efeito g de Hedges e d de Cohen foram estimados com base no modelo de efeitos aleatórios, obtendo-se um valor para g de Hedges de 0,54 (95%IC: [0,36-0,71]; p < 0,001; I2 = 99%) para o Índice C, 0,62 (95%IC: [0,44-0,81]; p < 0,001; I2 = 99%) para CC, 0,74 (95%IC: [-0,53 -2,01]; p = 0,25; I2 = 100%) para ABSI, 0,27 (95%IC: [-0,73-1,27]; p = 0,60; I2 = 100%) para RCEst, resultados semelhantes foram obtidos para o tamanho de efeito d de Cohen. Os tamanhos do efeito dos indicadores antropométricos tendem a aumentar com o avançar da idade. O sexo feminino teve um efeito maior comparativamente ao sexo masculino nos diferentes indicadores antropométricos analisados, com exceção do ABSI, em que o sexo masculino teve um tamanho de efeito maior. Já para a CC, não houve diferenças quanto ao tamanho do efeito para o sexo masculino e feminino. Apesar da heterogeneidade dos estudos, os achados sugerem que todos os indicadores antropométricos analisados têm um bom desempenho em predizer a Pré-HTA e HTA. Esse estudo fornece resultados relevantes para a comunidade científica, considerando o uso de medidas antropométricas como fatores preditores da hipertensão arterial.
  • Características dos internamentos hospitalares por COVID-19 dos nacionais de países terceiros admitidos no Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca entre junho de 2020 e dezembro 2021 e sua comparação com doentes nascidos em Portugal
    Publication . BARBOSA, Fernanda Maria Duarte; MARTINS, Maria do Rosário Oliveira
    RESUMO Introdução: A migração internacional é um dos maiores desafios da Saúde Pública, a nível mundial, e a pandemia COVID-19 veio acentuar a necessidade de melhor se compreenderem os seus circuitos e se desenvolverem mecanismos e políticas de saúde que possam antecipar e mitigar os impactos que possam ter na saúde das populações. Objetivo: descrever as características clínicas e demográficas dos internamentos por COVID- 19 do Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca, comparando os pacientes Nacionais de Países Terceiros com os Nascidos em Portugal, e analisar as determinantes da mortalidade intra-hospitalar. Metodologia: Estudo censitário, quantitativo, observacional, analítico e transversal. Para a caracterização das características demográficas e clínicas dos episódios de internamento, foram realizadas estatísticas descritivas adequadas a cada tipo de variável em análise. A associação entre a variável dependente (Ocorreu ou não óbito) e as restantes variáveis independentes foi analisada através do teste de Qui-Quadrado ou Fisher e regressão logística bivariável. A análise das determinantes da mortalidade intra-hospitalar foi realizada com recurso à regressão logística multivariável. Para estas análises definiu-se nível de significância de 5% (α=0,05). Utilizou-se o software SPSS versão 27. Resultados: Este estudo incidiu sobre 2514 episódios de internamento, com data de admissão entre 01 de junho de 2020 e 31 de dezembro de 2021, motivados por COVID-19, atribuídos a 2470 doentes distintos, dado existirem casos de reinternamento (internamento motivado pela mesma causa). Do total, 1.881 (74,82%) episódios estavam associados a doentes nascidos em Portugal (Nativos) e 633 episódios (25,18%) estão associados a doentes nacionais de países terceiros (NPT) de 25 países terceiros diferentes, maioritariamente do continente africano (78,4%). O universo em estudo é composto, maioritariamente, por doentes do sexo masculino (56%) e esta distribuição verificou-se tanto nos NPT como nos nativos. Os doentes NPT eram mais jovens quando comparados com os doentes nativos (58 anos era a média de idade dos doentes NPT vs. 70 anos que era a média de idade dos doentes nativos). Ajustando a outras variáveis, as comorbilidades DPOC, VIH e Insuficiência Renal Crónica tinham maior chance de ocorrer nos internamentos por COVID-19 onde se verificou óbito. O rácio de mortes por COVID-19 por 105 habitantes, ajustado à população estimada, é consideravelmente maior no grupo dos NPT (80,7/105) do que no grupo dos nativos (133,5/105).