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FCSH: DA - Teses de Doutoramento

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  • Rir ou não rir, eis a questão. A performance de stand-up como ritual
    Publication . Batista, Joana Andreia Solipa; Trovão, Susana Salvaterra; Zink, Rui Barreira
    Esta investigação pretende estudar a produção e receção de humor, no contexto da prática de stand up comedy. A investigação é em Portugal (Lisboa), através de uma abordagem etnográfica, articulando diferentes procedimentos metodológicos como o documental, a observação participante, participação e o estudo de caso. O foco é o enquadramento cronológico do formato de comédia stand-up em Portugal; a descrição dos espaços e perfil dos comediantes; a discussão das motivações, percursos, modos de fazer, processo criativo e performance; e as reações do público. Essas dimensões de análise são articuladas na discussão teórica do humor como subversão e como relação e da performance de stand-up como ritual.
  • Sobreviver em Confinamento Museológico: Ritxòkós Ixỹbiòwa, Deiscência dos Arquivos, e Retomadas na Terra Indígena Xambioá
    Publication . Entratice, Henrique Goncalves; Godinho, Paula Cristina Antunes; Pires, Ema Cláudia Ribeiro; Filho, Manuel Lima
    Esta tese investiga a trajetória da mais antiga coleção conhecida de ritxòkòs (bonecas karajá), reunida por Paul Ehrenreich, em 1888, e atualmente sob a guarda do Museu de Etnologia de Berlim. Produzidas exclusivamente por mulheres Inỹ Karajá, essas materialidades condensam cosmologias, relações de gênero e formas de transmissão intergeracional. A pesquisa assenta em quatro eixos centrais (1) o registro das ritxòkòs como Patrimônio Cultural Imaterial em 2012 no Brasil, (2) os contextos de diplomacia cultural no contexto do direito internacional público e sua relação com acervos etnográficos; (3) práticas colaborativas estabelecidas com a comunidade da Terra Indígena Xambioá; (4) a reflexão sobre processos de digitalização e de acesso aos arquivos na reativação da memória comunitária indígena. Adotando uma abordagem multidisciplinar, construo uma biografia da coleção apoiada em duas vertentes. Uma é antropológica, decorrendo de uma etnografia multissituada que segue os percursos da coleção por museus, arquivos e territórios indígenas. Outra é historiográfica, porque incide sobre a análise documental feita em torno da formação da coleção, da sua travessia pelo século XX. Proponho o conceito de deiscência de arquivos para descrever os modos como acervos museológicos, ao serem reapropriados pelas comunidades de origem, operam como vetores de agência e reconfiguração histórica que transforma numa força impulsionadora das aspirações políticas contemporâneas dos povos indígenas.
  • A resistência do solo: diálogos e narrativas da terra no Alto Alentejo
    Publication . Vieira, Hellington Ricardo; Costa, Catarina Sousa Brandão Alves
    Uma mistura específica de barros que oferecia resistência ao fogo e ao choque atribuiu à olaria utilitária da Flor da Rosa a apreciada característica da durabilidade. Durante séculos, esse barro fez desta aldeia um reconhecido centro oleiro. No entanto, nos últimos anos, os poucos oleiros em atividade substituíram o barro local pelo industrial, facto que nos pode fazer questionar se a louça ali produzida não terá perdido as suas características essenciais, pois estas advinham daquela específica mistura de barros. Pela mesma razão, podemos questionar se a louça deveria voltar a ser produzida com o resistente barro presente no solo local. Antes de tentar responder a questões como estas, fez-se necessário ampliar o questionamento. O artesanato é habitualmente visto como algo inofensivo ao meio-ambiente; no entanto, desde há milhares de anos e à volta do globo, através do fogo da olaria, temos transformado o solo fértil e os organismos vivos que nele habitam em matéria morta. Para refletir sobre a relação entre o humano e os materiais naturais, esta investigação propõe dar atenção não apenas às pessoas mas também àquilo que o solo nos tem a dizer. Mas para isso podemos assumir que o solo fala? Se sim, o que nos diz o solo? A partir destas questões e como parte desta investigação-ação, desenvolveu-se um projeto artístico com as pessoas ligadas à aldeia de Flor da Rosa, que não sugere nem a continuidade da produção de louça utilitária, nem a desistência desta, mas tenta antes ouvir a voz do solo para, a partir daí, contribuir com novas reflexões e perceções sobre a relação das pessoas com a terra.
  • As novas práticas de narração oral e os usos da tradição: narrativas tradicionais cabo-verdianas e o patrimônio cultural imaterial
    Publication . Lemos, Maria Isabel Machado; Araújo, Maria Teresa Alves de
    A presente investigação constitui um mapeamento contemporâneo do repertório das narrativas tradicionais cabo-verdianas com suporte na memória coletiva, desenvolvido entre 2019 e 2021 nas ilhas de Santiago e São Vicente, em Portugal e, dada a pandemia, online. Em se tratando de uma tipologia de corpus vivamente conexa às estruturas socioculturais que a circundam, as suas objetificações científicas e políticas são matéria cara a múltiplas disciplinas. Por isso, nesse exercício de observação dos usos semânticos e práticos do repertório mapeado, três principais lentes analíticas foram basilares: a etnográfica, a da recolha literária e a dos Estudos Críticos do Patrimônio. A partir das demandas “quem conta histórias?”, “quais são elas?”, “como as conta?” e “para quê?”, três contextos de análise primordiais emergiram, sendo eles o da narração oral profissionalizada, o da interpretação institucional e o da narração oral tradicional, o último aqui definido com base na centralidade da memória enquanto arquivo. Atento aos usos da tradição, este projeto teve início com o acompanhamento das recriações artísticas de contadores de histórias profissionais cabo-verdianos residentes nas ilhas e em Portugal. Em adição à performance, o exame da reiteração profissionalizada do corpus ocasionou preocupações acerca da sua instrumentalização política e, mais especificamente, da sua identificação contemporânea com a semântica patrimonial. O Arquivo de Tradições Orais, constituído no período pós-independência, foi ferramenta fundamental de pesquisa e de interpretação das práticas políticas que circundam tal repertório. Observaram-se, assim, problemáticas relativas ao enquadramento em âmbito institucional das narrativas tradicionais cabo-verdianas, bem como a interpretação e a instrumentalização do conceito de patrimônio cultural imaterial (UNESCO, 2003) por parte do Estado de Cabo Verde. Já o contexto tradicional de circulação foi abordado por meio das recolhas etnográfica e literária em um esforço reflexivo de contraposição entre o cânone veiculado nos demais âmbitos de análise e a realidade contemporânea dos contadores em tal universo. Uma vez que se trata de uma investigação em que se debatem os usos da tradição, a análise comparativa entre versões serviu à compreensão dos mecanismos por trás da adaptação e da reiteração do corpus mapeado. Foi a partir do exame da viva interação entre os três universos que emergiram respostas às demandas inicialmente apresentadas e que melhor se interpretou o valor atribuído, no contexto cabo-verdiano, à narração oral e ao repertório analisado.
  • Olhares do mar para terra: identidades e percepções do Direito do Mar no estudo da arqueologia costeira Portuguesa
    Publication . Freire, Jorge Leonel Vaz; Bettencourt, José António; Becher-Weinberg, Vasco
    Grande parte do desenvolvimento teórico no início da arqueologia costeira foi impulsionada por questões de evolução do meio ambiente enquanto explicações económicas ou derivados de subsistência do uso do litoral. Este torna-se um ambiente difícil para os arqueólogos em termos de preservação, acessos e métodos. Embora o ambiente continue a ser um foco de investigação preliminar em arqueologia costeira, as interpretações arqueológicas do papel que desempenha na natureza das ocupações antrópicas no litoral são objetivos de análise que se aprofunda com a inclusão da perspetiva de Direito do Mar. Poucos terão dúvidas que Portugal é indissociável do mar. A História e a nossa maritimidade assim o confirmam, e os bens culturais subaquáticos são a evidência dessa relação milenar. E, como elementos da nossa identidade marítima, deveriam ser objeto de especial proteção e valorização. O mar é, também ele, hoje um vetor essencial para o desenvolvimento de Portugal e da maioria dos Estados-Membros da União Europeia. Com efeito, a crescente procura do espaço marítimo levou a que a União Europeia, no âmbito da política marítima integrada, apresentasse medidas que permitissem alcançar coerência e harmonia relativamente ao ordenamento e gestão do espaço marítimo sob soberania e jurisdição dos Estados-Membros.O correto desenvolvimento dos usos e atividades no espaço marítimo depende da minimização e prevenção dos eventuais conflitos entre diferentes usos e atividades. Neste âmbito, os bens culturais subaquáticos estão sujeitos a várias pressões, colocando em risco a sua integridade, mas também a sua valorização enquanto um importante recurso nacional. A modelização da evolução histórica da costa e da paisagem humana terá na sua cronologia a longa duração. Contudo, o principal foco da análise temporal será para as épocas históricas, cuja ocupação, vivacidades e memórias têm a maior fonte de dados. Como resultado, pretendemos caracterizar a navegação e as dinâmicas relacionadas com a pesca, com o transporte fluvial ou com as rotas oceânicas, a partir dos vestígios materiais relacionados direta ou indiretamente com atividades marítimas, integrados no seu contexto natural e etnográfico. Esta abordagem irá igualmente considerar a cultura imaterial relacionada com a atividade piscatória e permitirá que esta reconstrução sirva os propósitos da importância dos bens culturais no ordenamento e gestão do espaço marítimo nacional. No nosso entender, esta aproximação, oferece um novo substrato concetual e uma nova vertente entre Ciência Arqueológica e as Ciências Jurídicas, uma investigação como contributo para a Estratégia Nacional para o Mar.
  • Trabalho em construção: indústria, cultura e património numa cidade industrial portuguesa
    Publication . Silva, Mariana de Almeida Oliveira e; Leal, João Aires de Freitas
    A presente tese debruça-se sobre os processos contemporâneos de culturalização e de patrimonialização da indústria, a partir da análise de programas de políticas públicas e de exemplos de usos económicos do património por parte da indústria portuguesa. Pretende se pensar como o património tematiza a indústria e o trabalho e como indústrias transformadoras contemporâneas mercantilizam a sua atividade enquanto cultura e património. A tese tem como terreno de análise S. João da Madeira, uma pequena cidade portuguesa com um tecido económico historicamente consolidado em torno da indústria e que, desde cedo, construiu a sua retórica de diferenciação sob o signo do trabalho. Mais recentemente, desde a última década do século XX, o poder político local começou a olhar para esta dimensão industrial também do ponto de vista do património e do turismo, o que resultou na criação de dois museus industriais (Museu da Chapelaria e Museu do Calçado) e de um programa de turismo industrial (Turismo Industrial de S. João da Madeira). Deste modo, no contexto português, S. João da Madeira continua a ser hoje uma referência importante no panorama da indústria nacional, ao mesmo tempo que se destaca pelas dinâmicas associadas ao património industrial. Esta coexistência entre o presente industrial e patrimonial reveste este caso de particular interesse para os temas em estudo. Esta tese parte da análise do ponto de vista antropológico destes processos oficiais do património e do turismo em S. João da Madeira, para propor uma reflexão sobre como estes se articulam com períodos de declínio da atividade industrial (à semelhança de outros contextos), mas também de dinamismo e crescimento, cruzando-se com políticas de reabilitação urbana, de memorialização e de construção da identidade local, bem como de promoção territorial. Aos empreendimentos conduzidos pelo município junta-se a análise dos usos do património por parte de dois setores da indústria portuguesa: os lápis e o calçado. A partir dos estudos de caso da única fábrica portuguesa de lápis e de uma fábrica de calçado, pretende-se olhar para circulações e contaminações entre o universo do património e os modos de mercadorização contemporâneos, refletindo também como a promoção económica e mercantil entra nos discursos e práticas promovidos pelo poder político local. Conclui-se que uma análise articulada da indústria e do património se configura como um dispositivo interessante para a compreensão do património como recurso político, económico e de visibilidade. Todavia, ao ser privilegiada uma abordagem capaz de dar conta das múltiplas vozes, a tese mostra igualmente a relevância da agencialidade dos indivíduos. Particularmente, como os encontros entre os diferentes sujeitos patrimoniais e turísticos, inclusivamente trabalhadores e visitantes, são reveladores de subjetividades reflexivas e da potencialidade política destas categorias — muito além da que é promovida pela estetização da cultura e domesticação da memória dos processos oficiais —, ao mobilizar, negociar e hierarquizar teias de significados, tensões e ideias de futuro de uma sociedade marcada pelos efeitos de uma reestruturação produtiva à escala global e pela ansiedade provocada pelas (re)configurações atuais do trabalho, aceleradas pelo tempo de multicrises em que vivemos.
  • As Fotografias de Lévi-Strauss: entre Vidas e Campos Etnográficos
    Publication . Barbosa, Carolina de Castro; Costa, Catarina Alves
    No início do século passado, Claude Lévi-Strauss (1908-2009) produziu uma extensa coleção de fotografias durante suas expedições etnográficas no Brasil, registrando a vida dos indígenas. Este estudo de doutoramento propôs uma análise dessas imagens, partindo do pressuposto de que as fotografias são objetos sociais dotados de biografia e agência. Nesse sentido, esta pesquisa conduziu-me a reavaliar o papel das fotografias etnográficas de Lévi-Strauss em sua produção acadêmica, explorando suas relações em diferentes períodos e contextos, demonstrando assim sua relevância na história da Antropologia e validando uma abordagem singular por parte do antropólogo no uso de suas imagens. Assim, a pesquisa buscou reconstruir a relação do antropólogo com suas fotografias, revisitando trajetos específicos dessas imagens e conduzindo um processo de foto-elicitação e repatriação visual ao apresentar as fotografias dos Kadiwéu aos seus descendentes. Os resultados da pesquisa evidenciaram que a relação de Lévi-Strauss com a fotografia foi mais significativa e presente do que sugerem os estudos acadêmicos. Além disso, identificou-se uma abordagem específica e padronizada no uso dessas imagens em suas publicações. Notavelmente, os Kadiwéus construíram contra-narrativas das imagens, opondo-se à versão estabelecida pela Antropologia. Nesse contexto, a tese propôs uma reavaliação das fotografias de Lévi-Strauss, buscando resolver a negligência histórica da Antropologia em relação a essas imagens. Ademais, a pesquisa experimentou abordagens alinhadas com as discussões contemporâneas da Antropologia Visual e da Cultura Visual, contribuindo para uma compreensão mais aprofundada das implicações sociais e culturais das fotografias etnográficas.
  • À espera do Futuro: uma etnografia sobre cidadania e subjectividade à saída da escolaridade obrigatória
    Publication . Fernandes, Maria João Bracons; Mapril, José
    A presente tese decorre de uma investigação desenvolvida entre 2017 e 2019 a partir de uma escola secundária na cidade de Almada. Esta investigação procurou interrogar o futuro a partir dos processos e experiências que constituem a escolaridade obrigatória em Portugal: da produção de representações, expectativas, projectos de vida, aspirações e estruturas de desejo, às práticas e discursos que, a várias escalas, aí configuram a imaginação do futuro, colectiva e individualmente. O argumento central desta tese considera a imaginação de futuro como campo privilegiado de negociação entre os sujeitos e o poder, através da instituição escolar. Assim, problematizam-se os processos de subjectivação e as formas emergentes da cidadania contemporânea a partir das orientações de futuro produzidas através da escolaridade obrigatória. Pensando o tempo e a temporalidade como dimensões constitutivas das práticas, observam-se as complexas articulações, intervenções e reconfigurações que entre passado, presente e futuro formulam o contemporâneo. Considera-se a identidade de aluno como central a todas estas operações que, através de múltiplas espácio-temporalidades, configuram as possibilidades e impossibilidades de imaginar, conhecer, agir e, portanto, de ser aqui e agora. A etnografia propõe um diálogo entre “a visão de futuro definida como relevante para os jovens portugueses do nosso tempo” no Perfil dos Alunos à saída da Escolaridade Obrigatória (Ministério da Educação, 2017, p.7) e as visões e imagens que orientam os quotidianos de um conjunto de alunos, agentes educativos, professores e ex-alunos de uma escola secundária em Almada – atentando às especificidades e contingências de um sistema educativo, de uma cidade, de uma escola, daqueles que a fazem. Conclui-se que estas visões determinam aporeticamente as relações ente futuro, cidadania, subjectividade e escola. Cada conjunto de agentes constrói percursos e caminhos que, correndo paralelos, determinam os sentidos e significados da mudança, as possibilidades e impossibilidades do devir. Os encontros e desencontros que estes caminhos geram, as fricções e distâncias que os constituem, são enfim os principais produtores das técnicas e tecnologias que determinam a potência e os limites da agencialidade. Neste sentido, propõem-se o futuro e a imaginação como dimensões constitutivas da experiência vivida e das possibilidades de significação e transformação do real. Em suma, esta tese pensa o seu contributo ancorando uma hermenêutica do futuro numa etnografia da instituição escolar, problematizando as espácio-temporalidades da produção de sujeitos e cidadãos na contemporaneidade a partir dos recursos que a experiência escolar disponibiliza à transformação, contestação, reprodução ou conservação do mundo.
  • O património em direto: produção de visibilidade e itinerários do popular
    Publication . Horta, Arlindo Jesus Marques; Costa, Catarina Sousa Brandão Alves; Leal, João Aires de Freitas
    Esta tese analisa a articulação entre a itinerância de um programa de televisão semanal, Somos Portugal, emitido em direto na estação privada nacional TVI desde 2012, e as estratégias autárquicas de produção de visibilidade, que envolvem um conjunto de feiras locais integradas em processos recentes de emblematização dos lugares, e que são ancoradas por ideias informais de cultura popular, tradição ou património imaterial. A partir do conceito de visibilidade, discute-se de que modo a televisão, enquanto média associado ao centro simbólico e político da nação, participa ativamente nestas estratégias locais para inscrever “o lugar” em amplos espaços visíveis, nacionais e globais, e como nesse processo mobiliza repertórios de “cultura popular” com distintos graus de prestígio que divergem das táticas localistas e emaranham as narrativas do popular em modelos mais vernaculares de celebrar a portugalidade. Discute-se de que forma as autarquias estão enredadas na necessidade contínua de produzir presença, num mercado global de imagens em permanente circulação, ao qual conseguem aceder invocando o discurso moral da publicidade, tendo por pretexto um território tornado mercadoria por via do turismo e/ou da ambição turística. Enquanto discurso moral, o turismo permite “dar a ver” os territórios do chamado “interior” como “territórios bons”, contestando visibilidades negativas induzidas pelos média informativos. Por sua vez, o estudo de caso das políticas de visibilidade elaboradas pelas autarquias de Oliveira do Hospital e de Celorico da Beira em torno do Queijo Serra da Estrela como produto DOP (Denominação de Origem Protegida), procura demonstrar como estas políticas são construídas envolvendo atores locais que articulam os seus interesses e se envolvem no desenho das mesmas, embora com distintos graus de ambição ou agencialidade, mas nem por isso retiram dessa participação ou dessas políticas de visibilização uma melhoria efetiva das fragilidades estruturais que marcam a sua atividade económica. Por fim, a tese sublinha a ideia de visibilidade enquanto prática social conscientemente articulada entre vários agentes, individuais e coletivos, e demonstra como os espaços do visível se têm transformado em arenas contemporâneas de competição pela atenção, numa lógica de crescente mercadorização.
  • Surfistas e Pescadores: Património, Trabalho e Desporto na Ericeira
    Publication . Azevedo, Vera Maria da Silva Barra; Mapril, José
    No âmbito dos processos contemporâneos de patrimonialização de vários setores da sociedade portuguesa, esta tese analisa o impacto da Reserva Mundial de Surf da Ericeira na vila e a sua transformação de vila piscatória em ‘meca’ mundial do surf. Esta patrimonialização do mar foi estudada tendo em conta um conjunto de determinações nacionais e europeias que orientaram os discursos oficiais sobre o património marítimo e a multiplicidade de usos do litoral português e possibilitaram a elevação das ondas da Ericeira a Reserva Mundial de Surf em 2011. No quadro da Estratégia Nacional para o Mar, igualmente se identificaram os vários intervenientes de um processo onde a prática do surf se assumiu como um dos veículos para o desenvolvimento da Ericeira. Como a pesca e o turismo de veraneio (ainda) são fortes definidores identitários da vila, esta investigação sobre os surfistas e os pescadores da Ericeira reflete as reconfigurações desencadeadas por este processo de patrimonialização do mar e problematiza o crescimento do turismo associado à prática do surf, o desenvolvimento da indústria do surf local e a situação da pesca artesanal de pequena escala. Numa dinâmica de transformação, relaciona-se a economia de bens e serviços com a economia da experiência e da partilha, analisa-se quais as continuidades e ruturas existentes entre um passado piscatório e um presente voltado para o surf, e ainda como surfistas e pescadores definem ou redefinem práticas e estratégias sobre desporto, lazer e trabalho. A atribuição do galardão de Reserva Mundial de Surf às ondas da Ericeira consubstancia uma relação entre o global e o local. O estudo da implementação deste processo de patrimonialização do mar na vila revela uma desconexão entre os discursos globais sobre o património e as múltiplas visões e respostas locais. Neste processo ambíguo entre propósitos desenvolvimentistas e ambientalistas, e onde o surf e a pesca são práticas constituídas na ‘experiencia vivida’, ainda se analisa a ação performativa do surfista e do pescador na sua relação com o mar e no quotidiano da Reversa Mundial de Surf da Ericeira, com vista a contribuir para uma epistemologia do mar que ecoa um processo transformativo entre humano e ambiente natural.