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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
RESUMO: A Aurícula Esquerda é uma câmara cardíaca com origem embriológica complexa
que apresenta contributo prognóstico independente em diversas situações
clínicas.
É nela que tem origem a arritmia cardíaca crónica mais prevalente, a Fibrilhação
Auricular, que afeta 2,5% dos portugueses com mais de 40 anos.
A fibrilhação auricular apresenta relevante morbi-mortalidade per se e pela frequente
associação a terapêutica anti-agregante ou anti-coagulante.
A Ablação Percutânea da fibrilhação auricular é um tratamento com crescente aplicabilidade,
seguro, com bons resultados globais, mas com taxas de recidiva a longo
prazo relativamente altas. É habitualmente precedido da realização de exame de
tomografia computorizada cardíaca para avaliação anatómica e, por vezes, com
intuito de excluir trombo intra-cavitário.
A informação contida no exame de TC quer anatómica quer funcional poderá ter
relevância prognóstica e ajudar a uma escolha otimizada dos doentes que irão
beneficiar mais do tratamento, potenciando o binómio custo-benefício.
A TC cardíaca para avaliação coronária tem assistido a um enorme aumento de
utilização apropriada, sendo considerada por algumas sociedades o exame de primeira
linha para avaliação do doente com dor torácica estável de possível etiologia
cardíaca. Estima-se que a aplicação destas guidelines condicione um crescimento de
cerca de 600% no número destes exames. A evolução tecnológica que acompanhou o
desenvolvimento destas técnicas de TC cardíaca permite, hoje, a avaliação das coronárias
na grande maioria dos casos com informação obtida apenas em fase médio-
-diastólica (cerca de 70% do intervalo entre onda R (RR)). A ausência de informação
telesistólica e telediastólica não permite a avaliação funcional cardíaca. A avaliação
18 | AVALIAÇÃO POR TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA DA AURÍCULA ESQUERDA E VEIAS PULMONARES
dimensional das câmaras cardíacas fica igualmente condicionada pela inexistência
de normogramas para essa fase do ciclo cardíaco (70% do RR).
Neste contexto, foi possível desenvolver um normograma do volume da aurícula
esquerda em fase médio-diastólica. Confirmámos uma boa correlação entre os volumes
obtidos a 70% do intervalo RR e os volumes máximos, e criámos uma regressão
para obter o volume máximo da aurícula esquerda com base no diâmetro axial
máximo e altura máxima em plano sagital avaliado a 70% do intervalo RR. Esta
regressão permite, de forma eficiente e sem necessidade de software dedicado, fazer
a avaliação quantitativa da aurícula esquerda na maioria dos exames de coronariografia
por TC, inclusive naqueles que, por utilizarem tecnologia mais recente, adquirem
informação apenas na fase medio-diastólica.
A aplicabilidade deste normograma a doentes com FA foi testada, tendo permitido
identificar todos os doentes com FA que tinham dilatação da AEsq.
Descobrimos um marcador anatómico (o padrão de drenagem das veias pulmonares
à direita) com relevância significativa e independente na taxa de recidiva após ablação
percutânea da fibrilhação auricular.
Identificámos fatores identificáveis na TC cardíaca, efetuada em contexto prévio
à ablação de FA, que se correlacionam com o score de risco de eventos embólicos
CHA2DS2VASc, lançando assim os fundamentos para um eventual score incluindo
parâmetros clínicos e imagiológicos.
Por fim, analisámos a otimização do protocolo e a qualidade de imagem dos exames
de TC cardíaca realizados num contexto pré-ablação e foi possível descrever
um protocolo, com doses de radiação submilisivert e sem condicionar a qualidade
de imagem.
Descrição
Palavras-chave
Aurícula Esquerda Fibrilhação Auricular TC cardíaca
