| Nome: | Descrição: | Tamanho: | Formato: | |
|---|---|---|---|---|
| 2.28 MB | Adobe PDF | |||
| 7.69 MB | Adobe PDF |
Orientador(es)
Resumo(s)
A multifacetada e colorida oferta do turismo contemporâneo e os fluxos de turistas que
circulam actualmente pelo globo estão intrinsecamente ligados ao espectacular boom
editorial da literatura de índole turística. É verdadeiramente esmagadora a quantidade de
imagens e textos produzidos especificamente para turistas e difundidos pelos mais diversos
meios de comunicação de massa: revistas especializadas, guias de viagem, suplementos de
jornais, catálogos de agências e operadores turísticos, brochuras, prospectos, páginas
electrónicas, programas televisivos, documentários em CD-ROM e vídeo.
O desenvolvimento do turismo revolucionou a produção escrita sobre a mobilidade
humana. O alargamento da experiência turística a um cada vez maior número de pessoas e
a sua transformação em objecto de consumo provocaram profundas alterações na
literatura de viagens, no seio da qual surgiram, com crescente importância, novos géneros
textuais, que passaram a assumir as funções tradicionalmente desempenhadas pelos relatos
e descrições de viagens.
Brenner (1989b: 38) relaciona claramente a “Funktionsverlust des Reisens und der
Reiseliteratur” com o paradigma do turismo massificado, considerando esse
desenvolvimento inquestionavelmente responsável pelo declínio do relato de viagem que,
durante séculos, deteve o monopólio da transmissão privilegiada de informações sobre
outras culturas.
7
Na actualidade, apesar do prevalecente interesse por relatos convencionais, a produção
escrita sobre e para a viagem banaliza-se e flexibiliza-se, disseminando-se por múltiplos e
variados tipos de texto e não se circunscrevendo, exclusivamente, ao suporte impresso.
Do ilimitado universo constituído pelos meios turísticos, o único suficientemente abordado
sob o ponto de vista crítico será o da literatura de viagens; tudo o resto permanece um
oceano praticamente inexplorado (inexplorável?), em grande parte certamente devido à sua
associação ao contexto da industrialização do turismo e à sua razão de ser utilitária e
atractiva na chamada sociedade de consumo, onde a constante excitação pelo novo
condena cada texto, produzido em nome da satisfação imperiosa de um serviço, à condição
de descartável ou permanentemente actualizável.
Os guias de viagem, em particular, foram etiquetados pela secular crítica cultural
antiturística com um estatuto secundário de quase indignidade analítica, o que contribuiu
indelevelmente para a sua má reputação enquanto produto textual pouco merecedor de
mais atenção do que a dedicada a um rápido e distraído folhear, ao contrário de outras
formas textuais da literatura de viagens — nomeadamente o relato —, que
inquestionavelmente monopolizam a investigação.
Descrição
Palavras-chave
Literatura alemã Literatura de viagens Guias de viagem Cultura alemã Turismo Férias Turistas alemães
