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Hier ist die Zeit stehen geblieben : olhares alemães : Portugal na literatura turística contemporânea : guias de viagem e artigos de imprensa (1980-2006)

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A multifacetada e colorida oferta do turismo contemporâneo e os fluxos de turistas que circulam actualmente pelo globo estão intrinsecamente ligados ao espectacular boom editorial da literatura de índole turística. É verdadeiramente esmagadora a quantidade de imagens e textos produzidos especificamente para turistas e difundidos pelos mais diversos meios de comunicação de massa: revistas especializadas, guias de viagem, suplementos de jornais, catálogos de agências e operadores turísticos, brochuras, prospectos, páginas electrónicas, programas televisivos, documentários em CD-ROM e vídeo. O desenvolvimento do turismo revolucionou a produção escrita sobre a mobilidade humana. O alargamento da experiência turística a um cada vez maior número de pessoas e a sua transformação em objecto de consumo provocaram profundas alterações na literatura de viagens, no seio da qual surgiram, com crescente importância, novos géneros textuais, que passaram a assumir as funções tradicionalmente desempenhadas pelos relatos e descrições de viagens. Brenner (1989b: 38) relaciona claramente a “Funktionsverlust des Reisens und der Reiseliteratur” com o paradigma do turismo massificado, considerando esse desenvolvimento inquestionavelmente responsável pelo declínio do relato de viagem que, durante séculos, deteve o monopólio da transmissão privilegiada de informações sobre outras culturas. 7 Na actualidade, apesar do prevalecente interesse por relatos convencionais, a produção escrita sobre e para a viagem banaliza-se e flexibiliza-se, disseminando-se por múltiplos e variados tipos de texto e não se circunscrevendo, exclusivamente, ao suporte impresso. Do ilimitado universo constituído pelos meios turísticos, o único suficientemente abordado sob o ponto de vista crítico será o da literatura de viagens; tudo o resto permanece um oceano praticamente inexplorado (inexplorável?), em grande parte certamente devido à sua associação ao contexto da industrialização do turismo e à sua razão de ser utilitária e atractiva na chamada sociedade de consumo, onde a constante excitação pelo novo condena cada texto, produzido em nome da satisfação imperiosa de um serviço, à condição de descartável ou permanentemente actualizável. Os guias de viagem, em particular, foram etiquetados pela secular crítica cultural antiturística com um estatuto secundário de quase indignidade analítica, o que contribuiu indelevelmente para a sua má reputação enquanto produto textual pouco merecedor de mais atenção do que a dedicada a um rápido e distraído folhear, ao contrário de outras formas textuais da literatura de viagens — nomeadamente o relato —, que inquestionavelmente monopolizam a investigação.

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Palavras-chave

Literatura alemã Literatura de viagens Guias de viagem Cultura alemã Turismo Férias Turistas alemães

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