| Nome: | Descrição: | Tamanho: | Formato: | |
|---|---|---|---|---|
| 9.81 MB | Adobe PDF |
Orientador(es)
Resumo(s)
Em matéria de mudança educativa, predominaram nas últimas três décadas
processos planificados pela administração central (processos de reforma), exógenos às
escolas, traduzidos em produções maciças de "soluções inovadoras exportadas" para as
escolas. No quadro desta concepção da mudança, afirmou-se uma tendência para encarar a
formação de professores como um instrumento destinado a preparar-los para a adopção das
soluções propostas (impostas). No domínio da formação contínua, em particular, esta
concepção da formação têm-se traduzido, tendencialmente, na oferta de "acções de formação"
organizadas à luz do modelo escolarizado do processo formativo, desligadas dos contextos de
trabalho.
Face ao insucesso (pelo menos relativo) das estratégias de reforma marcadas por
uma lógica de mudança instituída, tem vindo a afirmar-se uma mudança na maneira de pensar
a produção de inovações nas escolas. Mais pertinente do que exportar soluções para as
escolas é contribuir para que os professores, a nível local, construam activamente a mudança,
problematizando situações e produzindo soluções originais para os problemas identificados.
Nesta óptica, o problema da formação de professores articulada com a produção
de mudanças educativas não se resolve com a oferta de "acções de formação" escolarizadas
(e, portanto, incongruentes com o processo de formação do professor, enquanto adulto). O
estabelecimento de ensino é o lugar onde formação e mudança se fundem num processo
único. A formação não é uma espécie de condição prévia para a mudança; ela ocorre durante
a mudança. Esta perspectiva supõe que se encare as escolas como lugares onde os professores
se formam. Os professores formam-se, em contexto, construindo a mudança, numa actividade
de construção e resolução de problemas, que supõe um processo reflexivo e de pesquisa,
individual e colectivo.
Com base nestes pressupostos, levámos a cabo um estudo (adoptando como modo
de investigação o estudo de caso) centrado no percurso formativo vivido por uma equipa de
professoras no quadro do desenvolvimento de uma inovação endógena ao estabelecimento de
ensino: o Centro de Recursos Educativos (CRE) da Escola Marquesa de Aloma. O problema
central consistiu na explicitação e comprensão das incidências formativas do processo de
"construção" e "pilotagem" do CRE.
Foi possível concluir que o desenvolvimento do CRE tem sido para as professoras
envolvidas um processo fortemente formativo. As professoras formaram-se, em contexto,
construindo uma inovação. A sua participação na gestão e animação do CRE desencadeou
processos de apropriação de novos saberes e saberes-fazer, favoreceu a construção e
experimentação de novas práticas e modalidades de acção pedagógica, engendrou mudanças
na maneira de perspectivar o exercício da profissão, bem como na percepção subjectiva que
têm de si mesmas.
Descrição
Dissertação de mestrado em Ciências da Educação: área de Educação e Desenvolvimento
Palavras-chave
Contexto Educativo
Citação
Editora
Universidade Nova de Lisboa: Faculdade de Ciências e Tecnologia
