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O seminário que leccionamos há mais de quinze anos, Pensamento Contemporâneo, na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa, tem-nos permitido realizar um longo caminho de reflexão na companhia de milhares de estudantes oriundos de muitos cursos, quer do primeiro, quer do segundo ciclo. Após quinze anos de reflexão prolongada e diálogo intenso, o seminário em questão constitui para este docente, não apenas mais um elemento da sua práxis pedagógica mas, sobretudo, uma experiência fundamental tanto formadora quanto transformadora. Formadora, porque tem constituído uma aprendizagem cultural e pedagógica, plural nas suas temáticas e sintetizadora na sua atitude fundamentalmente questionadora no tocante à modernidade, um período da nossa história cultural entendido como uma atitude, um projecto e uma aporia. A modernidade é de natureza aporética porquanto a espécie que a fundou é variamente (agonicamente) auto-reflexiva e portadora, portanto, de uma historicidade babélica. Transformadora, porque as nossas sucessivas tomadas de consciência costumam ocorrer no encontro dinâmico entre os seres e, neste caso, entre o docente e os seus alunos. Este encontro constitui um dos privilégios de ser docente. Constitui igualmente um ritual e um evento de humanização. Constitui, sobretudo, um site de intensidade reflexiva vivenciada por seres humanos que juntos se defrontam com uma determinada lógica institucional que corresponde, por sua vez, a uma determinada época histórica e regime ideológico. Em nome de quê? Em nome de uma humanidade cujo espaço material é a sala de aula e cujo território imaterial é o universo em si. Trata-se de um universo em vias de ser (re)descoberto em virtude da atitude indagadora que a cultura pedagógica sã encoraja e afina. Tal site de intensidade reflexiva exige o cultivo de uma relação quente com o conhecimento, uma relação fundada na compreensão evolutiva da mega-narrativa do universo inorgânico e das múltiplas micro-narrativas de que uma humanidade plural e pluricêntrica é autora. Compreender é saber relacionar: saber estabelecer uma teia-textualidade viva entre a experiência e a linguagem conceptual daí construída; entre a natureza histórica da subjectividade e a história natural do cosmos.
Descrição
Palavras-chave
Critical approach Contemporaneity Literature Film Music
