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Colonialismo Digital e Infraestruturas Críticas de Comunicação: os cabos submarinos e as rotas de dados e poder em Portugal e no Brasil

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Resumo(s)

Em uma sociedade cada vez mais dependente da captação de dados e análises preditivas de comportamentos de consumo, a capacidade de recolher, analisar e gerir dados pessoais digitais se torna uma imensa fonte de poder – em suas mais diferentes formas. Essa nova era digital traz novos desafios às relações tanto interpessoais quanto entre empresas e pessoas e talvez, de maneira ainda mais profunda, entre empresas e Estados. No capitalismo digital – sistema onde os dados tornam-se ativos de mercado – os utilizadores se tornam o produto. A cada interação em redes sociais, barras de busca ou aceites automáticos de cookies, quantidades enormes de dados são captados, analisados – e, mais que isso, comercializados pelas empresas. Essa coleta de dados estabelece um novo tipo de relações entre empresas e consumidores – as chamadas “datarelations”, que são definidas como “relações que permitem a extração de informações pessoais para exploração lucrativa” (Amadeu da Silveira et al., 2021, p.27). Estas relações configuram-se como um “colonialismo de dados”, caracterizado pela combinação das práticas predatórias do colonialismo histórico com a quantificação abstrata de métodos computacionais. É um novo tipo de apropriação, no qual as pessoas e um número cada vez maior de objetos passam a fazer parte da infraestrutura de conexão informacional (Amadeu da Silveira et al., 2021, p.26). Nick Couldry e Ulisses Mejias definem Colonialismo de Dados como “uma nova maneira de apropriação da vida humana com seus dados extraídos continuamente com fins lucrativos” (Couldry e Mejias, 2019, p. 13). A ideologia/ideia da necessidade absoluta do acesso à tecnologia, ferramentas de comunicação imediata e redes sociais, por exemplo, reforçam todos os pontos principais para a facilitação da extração dos dados, dando forma à essa manutenção da colonialidade digital. O objetivo desta dissertação consiste justamente em analisar uma das infraestruturas de comunicação mais fundamentais: os cabos submarinos, com especial atenção para os que pertencem à Google em Portugal e no Brasil. Definidos como “Infraestruturas Críticas” devido à sua importância tanto para os diferentes países quanto para a comunicação global, a influência dos cabos submarinos e sua configuração no cenário geopolítico tem sofrido profundas modificações nos últimos anos. A propriedade e controle de infraestruturas críticas permite uma extração e captação direta dos dados dos utilizadores pelas empresas – no presente estudo a Alphabet, proprietária da plataforma Google. Em particular, um ponto relevante da investigação remete para a análise de uma mudança do fluxo de dados e das características de traços de colonialismo digital de um eixo Norte-Sul para um fluxo sem direção previamente determinada, sendo guiado apenas pelas necessidades de mercado, a governança de dados e pelas imposições imperialistas que o investimento em tecnologias digitais apresenta.
In a society completely based on data capture and predictive analysis of consumer behaviour, the ability to capture, analyse and manage personal digital data has become an immense source of power – in all its different forms. This new Digital Age brings new challenges to relationships: both interpersonal and between companies and people, and perhaps even more profoundly between companies and states. In Digital Capitalism, users become the product. With every interaction on social networks, search bars or automatic acceptance of cookies, huge amounts of data are captured, analysed – and, what's more, sold by companies. This data collection establishes a new relationship between companies and consumers – Datarelations, which are defined as ‘relationships that allow the extraction of personal information for profitable exploitation’ (Amadeu da Silveira et al., 2021, p. 27) and its characteristics of Data Colonialism, characterised by the combination of the predatory practices of historical colonialism with the abstract quantification of computational methods. It is a new type of appropriation, in which people or things have become part of the infrastructure of informational connection (Amadeu da Silveira et al., 2021, p. 26). Nick Couldry and Ulisses Mejias define Data Colonialism as ‘a new way of appropriating human life with its data extracted continuously for profit’ (Couldry e Mejias, 2019, p. 13). The ideology/idea of the absolute need for access to technology, immediate communication tools and social networks, for example, reinforce all the main points for facilitating data extraction, shaping this maintenance of digital coloniality. In this scenario, one of the communication infrastructures – submarine cables – is analysed. Known as ‘Critical Infrastructure’ due to their importance both for countries and for global communication, the influence of submarine cables and their configuration in the geopolitical scenario has undergone profound changes in recent years. Ownership of critical infrastructures allows companies to directly extract and capture user data – in this study we are discussing the cables belonging to Google in Portugal and Brazil – and here is a possible important point of observation that will be analysed by the research: the change in the flow of data and the characteristics of digital colonialism from a North-South axis to a flow with no predetermined direction – being guided only by market needs, data governance and the imperialist impositions that investment in digital technologies presents.

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Infraestruturas de Comunicação e Mídia Cabos Submarinos Colonialismo Digital Imperialismo Infraestrutural História da Tecnologia Geopolítica Digital

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