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Orientador(es)
Resumo(s)
Face ao actual estado da política de valorização de resíduos urbanos biodegradáveis em Portugal e na Europa e à necessidade de aumentar a valorização deste tipo de resíduo, torna-se necessário compreender melhor que factores influenciam a participação das famílias na separação de resíduos orgânicos (RO), se haverá diferenças significativas entre quem separa e não separa, quais essas as diferenças e como essa informação poderá contribuir para a implementação de sistemas de recolha mais eficazes.
Com este trabalho pretendeu-se caracterizar os aspectos mais importantes a considerar
num sistema de recolha selectiva de RO de origem doméstica, não só ao nível operacional,mas também ao nível dos factores que influenciam o comportamento de separação de RO.
Nesse sentido, pretendeu-se identificar e avaliar as diferenças comportamentais da
separação de RO, entre diferentes prédios e grupos de famílias residentes na Urbanização
da Portela, localizada na Área Metropolitana de Lisboa. A zona em estudo é constituída por
211 edifícios multifamiliares localizados num bairro residencial com 15.441 habitantes, cuja habitação se desenvolve essencialmente em edifícios de elevada densidade residencial,servidos por um sistema de recolha porta-a-porta (i.e. por prédio), em que os condóminos depositam os seus RO num contentor colectivo localizado em cada prédio.
O principal instrumento utilizado para avaliar as diferenças comportamentais face à
separação de RO foi um inquérito por questionário, aplicado a uma amostra de 97 famílias.
Em função das respostas obtidas, as famílias foram classificadas em três grupos, os que
fazem a separação dos seus RO, grupo SRO, os que não fazem separação apesar de
residirem em prédios com equipamento para deposição de RO, grupo NRO_CC, e os que
não fazem separação e residem em prédios sem equipamento para deposição de RO,
grupo NRO_SC. Com esta segunda distinção pretendeu-se avaliar se a existência de
contentor para deposição de RO no prédio é uma causa para a não participação ou uma
consequência das características das famílias. Foi sobre estes três grupos que se testaram as hipóteses teóricas,procurando-se avaliar as suas características e diferenças.
Os principais resultados revelam que os indivíduos do grupo NRO_CC são muito semelhantes aos indivíduos SRO em termos socio-demográficos, de condições situacionais, conhecimento sobre entidades de gestão de RSU, tratamento e produtos finais do tratamento de RO,consciência das vantagens da recolha selectiva de RO e avaliação do serviço de gestão de RSU e de recolha selectiva de RO. No entanto diferem destes, aproximando-se mais do grupo NRO_SC, no desconhecimento que têm sobre a existência e finalidade de contentor
castanho e nas variáveis de atitude, percepção sobre a participação dos vizinhos,
importância dada ao sistema de recolha selectiva de RO, controlo do comportamento
percebido e crença nos esforços pessoais.
Por outro lado, no grupo NRO_SC poderão estar potenciais participantes, que só não o são porque não têm contentor castanho. A grande diferença deste grupo é a ausência de
porteira residente e o grau de educação inferior relativamente aos outros grupos.
